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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Campus Avançado do Serrotão




O Campus avançado da UEPB está inaugurado no complexo penitenciário do Serrotão em Campina Grande na Paraíba. É o primeiro do Brasil e tem sido manchete na imprensa local e nacional. A iniciativa tem sido colocada como inédita. Foi um investimento, pelo que ouvi, de um milhão e meio. O espaço é agradável e de clima ameno na serra da Borborema e mostra a abertura da universidade se abrindo para ir a outros espaços.
No site da UEPB encontramos a seguinte citação sobre a finalidade e objetivo da UEPB:
“O Campus Avançado da UEPB, que está sendo implantado no presídio do Serrotão, tem como objetivo promover ações socioeducativas nos presídios masculinos e femininos, através da construção de espaços específicos para diversas atividades. No local, está sendo construída uma escola com oito salas de aulas, fábrica de pré-moldados, bibliotecas, berçário para os filhos das apenadas, um salão multiuso, oficinas de aprendizagem, além de salas de informática, leitura e vídeo.
A iniciativa vai dar oportunidade de educação aos apenados, para cursarem desde a alfabetização até cursos superiores e profissionalizantes. Um escritório-modelo jurídico também está sendo erguido e constará de três parlatórios, sala de videoconferência, sala para advogados, copa, banheiros e sala de apoio. Toda essa infraestrutura trará maior eficiência aos trabalhos já em andamento pela Assessoria Jurídica da UEPB, no Serrotão. Essa é a proposta da Universidade: unir educação, oportunidades e direito à cidadania, na busca por uma sociedade mais justa, humana e igualitária”. A obra está pronta, agora é a construção dos objetivos.
Construir não é difícil quando se cuida da burocracia; quando não se cuida se devolve dinheiro como aconteceu na Secretaria de Administração Penitenciaria da Paraíba segundo matéria divulgada na imprensa local recentemente. Brasília enviou os recursos para serem aplicados no sistema prisional e o estado devolveu por incompetência de quem estava na pasta da Administração Penitenciaria que não soube aproveitar a oportunidade.
A UEPB pelo contrário realizou a construção. Agora, se trata de administrar os desafios decorrentes desta iniciativa.
A educação não começa com a universidade, mas com a alfabetização, isto é, primeiro nós precisamos conhecer as letras e juntá-las. Os dados estatísticos apresentam mais ou menos que apenas dez por cento das pessoas presas no Brasil tem contato com sala de aula nas unidades e que a imensa maioria nunca frequentou a escola. Isso significa que o nosso campus não tem alunos. O primeiro desafio da UEPB junto com a secretaria de educação é alfabetizar e fazer os cursos de ensino médio, para ter alunos. Do contrário, o Campus Avançado pode ser o mais atrasado, fechado, sem demanda.
Outras demandas devem ser cuidadas pela Secretaria de Administração Penitenciaria e pelo judiciário. Existe uma pratica rotineiramente aplicada que inviabiliza todo e qualquer processo educativo: são as transferências e os castigos. Uma pessoa presa começa estudar na unidade prisional, em situações precaríssimas e depois é transferida para outra onde não existe a continuidade do estudo. Outra prática muito comum: colocar a pessoa presa no castigo, isolada, sem direito algum, inclusive de frequentar a sala de aula.

Em todo Brasil, o sistema de prisão está predominantemente marcado por essa pratica alicerçada no castigo: ele é prioritário e não a educação. Como a preocupação foi sempre punir nem existem espaços para a prática educativa. O contrario também é verdadeiro: se temos os espaços, mas a ideologia ou orientação não se voltam para a ideia de educar (no sentido amplo) a pessoa presa o nosso Campus poderá ter apenas um espaço.

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