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sexta-feira, 31 de julho de 2015

A dor

As manifestações da dor.
 
 
 
O grande padre Zezinho, o maior cantor e compositor religioso dos últimos 50 anos, no Brasil, canta: “ninguém nasceu pra sofrer, mas a dor nos faz crescer”.
O sofrimento causado pela dor é o grande drama da humanidade. Como entender um Deus que pode tudo, não nos tirar do sofrimento? A pergunta também tem a ver com a teologia da retribuição do Antigo Testamento (Deus recompensa quem faz o bem). Como pode acontecer o sofrimento para quem faz o bem?
Na verdade, Deus não nos criou para o sofrimento, mas para a felicidade; podemos pensar o sofrimento em dois tempos ou momentos: aquele que provocamos e o antecipamos; aquele que nos vem quando nossas forças se vão, por causa da idade ou da doença.
Talvez possamos pensar em um sofrimento que podemos chamar de físico, provocado por uma dor física. Muitas vezes para essa dor existe um remédio que faz suavizar quase de imediato aquele momento dolorido. Para isso existem várias drogas eficazes. Passada a dor, a pessoa volta ao seu estado de normalidade. Muita gente é socorrida e salva em suas dores através desse caminho e logo a pessoa se encontra em um bom estado de saúde.
Outra dor que pode ser chamada: da ALMA, do ESPIRITO, do INTIMO, das ENTRANHAS, dos SENTIMENTOS.
Para essa dor não existe um remédio especifico, como no caso anterior, por não se tratar de algo físico. Ela parece ser mais grave. Ela pode não ter uma única causa, como também não traz uma consequência apenas. Ela afeta o todo e pode ser prolongada ao longo do tempo. Uma pessoa pode sofrer por longos anos ou até para o resta da vida, levando consigo uma profunda dor na alma.
Ela pode significar um estado de preocupação, de insegurança, de angústia; ela pode acabar com a pessoa: seu alto-astral, suas motivações mais profundas.
Existem também os sofrimentos causados pelos outros. São muitas as pessoas que sofrem com as dores físicas ou não, provenientes de terceiros. Esses terceiros  normalmente e não necessariamente são mais fortes e exercem funções de superioridade e, por isso, dominam os outros pela força ou pela influencia. Essas vítimas são sempre as mais fracas nessas relações. Na grande maioria das vezes a pessoa é obrigada a suportar a dor por causa da tortura física e psicológica, sem que ela possa sair daquele circuito violento e sem ter sequer como denunciar uma vez que esta nas mãos do algoz.
A dor física, sobretudo aquela provocada pelos outros, é um gravíssimo ato de violência contra o ser humano.
 
 

terça-feira, 28 de julho de 2015

EVANGELIZAÇÃO E MISSAO


A igreja tem sua origem nas palavras de Jesus que disse: “Ide pelo mundo e fazei discípulos meus, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo”. Mt. 28.
A origem do Cristianismo cumpriu essa tarefa de anunciar para fazer discípulos antes de batizar. Vale salientar que a adesão e a iniciação cristã aconteciam em um contexto de muita perseguição e mortes, por isso, se assumiu o batismo de sangue como uma condição para aquelas pessoas que se preparavam e não chegavam ao batismo.
Ao longo do tempo, a igreja esqueceu-se do discipulado e começou a batizar de forma indiscriminada, a exemplo da experiência adotada no “descobrimento” do Brasil. Essa pratica acaba se difundindo ao longo dos anos através da criação das paróquias que funcionaram por muitos anos para essa finalidade.
Nesse modelo que ainda perdura, a igreja, com todos os seus serviços está muito voltada para si mesma. Ela pode até fazer um trabalho que pareça interessante, mas a preocupação é consigo mesma.
O Concilio Vaticano II lembrou a presença da Igreja dentro do Mundo, no documento Gaudium et Spes, mas ao longo desses anos não se chegou a efetivar como esse presença se daria.
A partir do Documento de Aparecida, (2007) tem ficado claro que a igreja não responde mais aos apelos do tempo presente, fazendo uma pastoral de mera conservação. O que seria isso?
Uma pastoral que repete os mesmos acontecimentos ao longo do tempo; uma pastoral que se volta para a manutenção do templo; uma pastoral que mantem tudo em torno da igreja matriz. Olhando bem, esse modelo que o DA identifica, está muito presente na prática de nossas paróquias, ainda muito centralizadas. Tudo aquilo que acontece de mais importante, acontece na matriz.
O DA tem nos convidado a uma pastoral decididamente missionária. É ai que se fala da conversão pastoral. O papa Francisco, que participou decididamente da elaboração do DA tem ajudado muito a compreender em que consiste essa mudança na vida pastoral e missionaria da igreja. O mesmo tem lembrado que a igreja existe na medida em que ela se encontra em saída. Ser uma igreja em saída significa realizar todas as suas atividades com essa preocupação: estamos em caminho e não podemos nos demorar, nos estabilizar. A vida pastoral muitas vezes consiste em criar uma estrutura tão pesada e complexa que não se consegue caminhar. O espirito missionário nos põe numa consciência de que não podemos nos fixar no caminho.
As pastorais sociais e a nossa pastoral carcerária também precisam fazer um caminho de missão. A mera conversão é sempre mais fácil e cômoda.
Qual é o caminho para seguirmos uma pastoral missionaria? Só temos uma indicação certa: fazermos o caminho do discipulado. A pastoral que tem o modelo de Jesus como referência, fará certamente uma pastoral missionária, que consiste em chegar onde estão as pessoas afastadas, não para levá-las para o centro, mas para fazê-las igreja onde estiverem. Temos, portanto, que avaliar a nossa missionariedade à luz do mestre Jesus.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Idade Penal

Idade Penal
 
 
Pela circulação das notícias, avança a discussão e, mais que isso, a votação e o endurecimento das medidas contra adolescentes no país. De leis já estamos fartos: são tantas que ninguém acompanha e muito menos se cumpre a legislação brasileira, começando por aqueles que legislam e sancionam.
A sociedade alienada, reacionária e egoísta vai se sentido contemplada e satisfeita com a hipocrisia dos nossos legisladores. “A todos nós, e mais ainda a eles, se aplica o adágio de Jesus:” São como sepulcros caiados; aparecem nas procissões dos santos padroeiros vestidos de pele de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes, destruidores do povo, votando a favor da violência, da destruição da vida e até da morte de nossos jovens.
Se uma pessoa adulta for condenada na justiça por um crime grave e tiver uma sentença de vinte anos, dependendo do comportamento e de uma boa assistência jurídica, depois de três anos já poderá ficar em regime semiaberto, ou seja, na rua. Agora comparem com as ações dos nossos atuais legisladores estão votando para que os nossos adolescentes  fiquem até  dez anos recolhidos nas prisões que em nada diferem das unidades prisionais  comuns. Medida socioeducativa hoje é uma farsa na qual somos obrigados a aturar.
Como será que o estado brasileiro vai administrar essa o caos com a chegada dos adolescentes se já não consegue administrar a situação que ai está? O desmando já se instalou por muito tempo nas prisões e o estado brasileiro constata o crime que está praticando e continua na mesma prática criminosa. O Brasil tem sido chamado atenção pelas cortes internacionais por não cumprir os tratados que tem assinado.
O Brasil levando adiante tudo isso que está sendo discutido, será cada vez mais denunciado nas cortes internacionais.  As ações já estão se multiplicando. Cada vez mais o país estará numa “saia justa”, tendo que explicar o inexplicável.
A sociedade civil, com suas organizações, não é escutada e nem levada em conta, por isso, está cada vez mais apresentando as denúncias para as instâncias superiores. Já se tem consciência que esse é o caminho a ser seguido.
Diante de tudo o que esta acontecendo em relação aos adolescentes, o Brasil se tornará cada vez mais um violador de direitos e, por sua vez, produzirá cada vez mais provas contra si mesmo para as entidades se  das mesmas para formular as denúncias.
Numa casa de medida socioeducativa é possível encontrar um cassetete onde está escrito: “Direitos Humanos”, não precisa mais dizer qual é o conteúdo adotado para reeducar; como se dizia no passado é a “Lei de Chico de Brito”, expressão que se refere ao rigor e à opressão.
A situação será muito grave para os adolescentes e jovens e seus familiares, mas, ao mesmo tempo, a situação será muito ruim também para o próprio país.
Quem poderá reduzir a violência? As prisões ou a educação? Existe alguma preocupação pela educação no Congresso? A preocupação gira em torno da condenação uma vez que a educação liberta; isso os nossos legisladores não querem.
 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

2014 PRC COMO MISSAO DA IGREJA


Tenho sido perguntado se ainda estou na pastoral carcerária; tenho respondido que sim. A pastoral deve ser o centro da vida do ministro ordenado. Como dizia o apóstolo dos pagãos: ai de mim se não evangelizar. 1 cor. 9,16.
A minha relação com a pastoral carcerária começou quando eu estava recém ordenado no começo dos anos 90. A pequena equipe de pastoral que visitava uma pequena unidade sempre recorria a mim, pároco na cidade, para dar suporte nos momentos mais críticos que a equipe precisava enfrentar.
A partir daquele momento tenho atendido aos apelos que a pastoral me tem feito. Não escolhi a pastoral carcerária: fui escolhido por ela e acolhi o apelo pois Deus chama a partir de pessoas e de acontecimentos.
Ao longo desses anos, permaneço onde sempre estive: aberto a todas as pessoas mas com a atenção fixada na pessoa que está presa. Costumamos dizer que existem muitas vítimas no sistema penitenciário, mas, a vítima principal é a pessoa presa e sua família. Devemos cuidar de todas as vítimas, porém, as maiores vítimas merecem maior atenção.
O que justifica a minha ação pastoral, nesta pastoral:
Trata-se de uma pastoral profundamente evangélica. Ninguém pode dizer não ao agir pastoral, sobretudo aquele que se encontra enraizada na pratica de Jesus, aquele apresentado no juízo final em Mateus 25.
Temos identificado que a pessoa presa está doente, está com fome, com sede, está sem roupa, é estrangeira, etc., além de ser a pessoa presa apresentada como a pessoa do próprio Jesus. Nessa ótica, tudo o que fizermos aos outros é a ele que fazemos, Ele nos garante.
A fé nunca pode ser desvinculada da vida; nós agentes de pastoral carcerária temos a graça de no dia a dia nos depararmos com esse desafio: a fé confrontada com o ser humano sofrido mas também com esperança e fé para continuar a sua vida depois da prisão mesmo que o estado e a sociedade não lhe ofereçam as oportunidades.
O Papa Francisco tem nos dado também os fundamentos da nossa ação pastoral, pelas suas visitas, suas palavras, gestos e defesa da dignidade da pessoa humana, condenando de forma veemente a pratica da tortura. Além disso o papa Francisco tem defendido a possibilidade de a igreja sair ao encontro dos outros como condição para evangelizar. Convidar e acolher são palavras que não ecoam mais de forma eficaz. A igreja precisa ir, mesmo para se acidentar se for o caso, correndo os risco da missão.
O papa tem chamado a atenção para a presença da igreja nas periferias. Normalmente a periferia é vista como o lugar da exclusão e da marginalização. Muitos cristãos querem distância da periferia e também não querem pessoas da periferia presentes nos ambientes próprios da burguesia. Nos presídios muitas pessoas não querem ir.  São aquelas pessoas que rezam e estão nas missas mas não entenderam a missão da igreja e as orientações do papa. O papa Francisco fala das periferias existenciais. As prisões são periferias de exclusão, de marginalização, de repressão, de segregação, de extorsão e de inúmeros problemas e dramas existenciais, por isso, se a igreja for aquela mãe que põe no colo, como recomenda o papa, ela deve ser presença em todos os ambientes onde o ser humano está vivendo sob formas de escravidão. Padres e bispos, sobretudo, precisam perder o medo das prisões, como condição para sermos verdadeiros pastores. Respeitam-se os carismas mas a presença solidaria deve ser o carisma comum a todas as pessoas cristãs, independentemente de suas opções pastorais como condição para uma vida verdadeiramente cristã.

pebosco@gmail.com

2014 PASTORAL X PAPA FRANCISCO

A Pastoral Carcerária X Papa Francisco


A Pastoral Carcerária Católica é vítima de críticas, por causa de sua missão. Jesus e os profetas, mais que criticados foram também mortos por causa da fé e da missão. O segredo da missão consiste em perseverar até o fim. Na nossa pastoral temos os dois exemplos: pessoas que se afastaram e pessoas que lutaram até que as forças fossem suficientes.
Não temos só críticos, mas incentivadores\as. Essas pessoas também são muitas. O padre Valdir João, o nosso coordenador nacional já nos lembrou a respeito do novo agente de pastoral carcerária, o PAPA FRANCISCO.
Basta pesquisar um pouco, sem muito esforço, e vamos encontra-lo falando sobre as prisões, falando aos capelães, visitando-os, celebrando com eles, respondendo cartas, dizendo que lhes telefonava, e, se perguntando: porque eles e não eu? Também o papa já disse refletir sobre o texto do juízo final que nos apresenta a caridade e não a oração como critério para o julgamento final. Isso tudo que nos dizer que o papa é, de fato, um grande incentivador da missão da igreja em todos os campos.
O papa tem pedido a toda a igreja que sai de si e vá até às periferias, geográficas e existenciais. Penso que a periferia existencial mais crítica seja a prisional. Por isso, ali está a pastoral, espalhada por todo esse imenso Brasil, sem receber nada de material em troca. Muitas vezes ouvindo xingamento de terceiros, mas fiel, atendendo ao convite do papa para encontrar Jesus Crucificado e aprender com a sua dor para com ele ressuscitar.
Essa periferia geográfica é reservada para os pobres. Muitas vezes afastada de tudo e de todos. Só os familiares e a pastoral assumem o compromisso de acompanha-los naquela situação feita para desestruturar e destruir a pessoa humana.
A pessoa presa sabe que pouco a pastoral pode fazer, mas dá sempre graças a Deus pela chegada e presença. “Seria muito pior a nossa situação sem vocês”, dizem as pessoas presas por ocasião das visitas.
A pastoral de Jesus, também a do papa é aquela na qual se busca por primeiro o bem estar das ovelhas. O pastor se for bom, é aquele que dá a vida pelas suas ovelhas. Não se pode esquecer que em uma comunidade paroquial onde existe uma cadeia ou um presidio, o padre não pode dizer que não vai visitar por que tem medo. As pessoas detidas são parte integrante do rebanho e o pastor não pode ter medo das ovelhas, nem dos lobos, pois ele precisa salvar as ovelhas dos perigos. Quem está na prisão está submetido a inúmeros perigos. Nós, que sempre ouvimos as histórias das prisões sabemos do medo a que são submetidos estes irmãos e irmãs.
A igreja, no exercício da sua missão, corre o risco de se acidentar, de ser vítima de algo inesperado. O papa Francisco prefere essa igreja que se expõe e não aquela que se tranca e se esconde. O próprio papa se expõe em suas visitas para poder ficar perto das ovelhas, para dar o exemplo a todos. Assim a pastoral carcerária também não pode se esconder, ficar com medo. O “objeto” de sua ação é a pessoa presa e, por isso, ela não pode perder o foco no seu encontro com quem se encontra segregado, condenado pela sociedade, pela mídia e pela justiça.



2014 REVISTA VEXATORIA

Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público do Estado da Paraíba, dia 28 de maio de 2014, publica recomendação conjunta número 01 de 2014.
A recomendação é dirigida aos Promotores de Justiça com atribuição na execução penal das comarcas para que eles exijam dos diretores dos estabelecimentos penais de presídios e cadeias do estado, o cumprimento da Lei 6.081 de 18 de abril de 2.000.
O fato: desde o ano de 2.000, o estado da Paraíba, através da secretaria de Administração Penitenciaria, tem descumprido por completo essa Lei já existente por 14 anos. O sistema penitenciário é feito de muitas legislações e recomendações, no entanto, temos o contra testemunho de quem deve zelar pelo cumprimento de sua legislação.
O comportamento do estado, que não investe em equipamentos de segurança para as revistas, exige das agentes femininas a pratica de uma revista que para elas é também humilhante e para as visitantes é uma das formas mais agressivas e desrespeitosas. Pratica adotada não só por aqui, mas considerada como tratamento desumano e degradante.
A Recomendação está assinada pelo Procurador Geral, o Senhor Bertrand de Araújo Asfora e pelo Senhor Alcides Orlando de Moura Jansen, Corregedor Geral do Ministério Público.
A Recomendação lembra que a revista sem fundada justificativa, como tem acontecido, “viola princípios constitucionais relativos aos direitos humanos e à legalidade, podendo expor os diretores e agentes penitenciários dos estabelecimentos às sanções legais”.
Ainda, “os promotores da área, devem tomar providencias judiciais consistentes no ajuizamento de ação civil pública para que o estado adquira detectores de metal ou equipamento similar”.
Para o Ministério Público, está mais do que claro e objetivo que é tarefa do MP fazer a fiscalização para o devido cumprimento de uma Lei estadual que o estado insiste em descumprir da forma mais banal possível.
Lembro aqui a todas as pessoas que fazem as visitas em unidades prisionais, também em outros estados, sobretudo às mulheres, que diante de situações que contrariem orientações semelhantes, que procurem o Ministério Público (promotor, promotora) de sua cidade e faça a sua reclamação buscando o seu direito.
Também o Conselho Estadual de Direitos Humanos pode ser procurado. O mesmo poderá procurar a corregedoria do Ministério Público autor da recomendação.
O estado brasileiro precisa aprender a respeitar os tratados internacionais que tem assinado e não tem cumprido como também, precisa passar de violador de direitos a promotor da dignidade do ser humano, independentemente de sua condição social.
Além do péssimo tratamento que o estado tem dispensado aos presos e presas, tem criminalizado mulheres, mães idosas, que deixam de visitar filhos pela forma desumana como são tratadas.  
O estado não pode negar esse direito inclusive da visita intima já difundido pela pratica e pelas recomendações de órgãos nacionais que lidam com a situação do sistema penitenciário.


2014 CRIANÇAS E ADOLENCENTES


Dia 18 de maio foi o dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Dentre tantas situações de desumanidade, também as crianças se encontram em situações desumanas e de vulnerabilidade, sobretudo dentro da própria casa. Por isso, uma das ações do poder publico aconteceu recentemente: “A presidenta Dilma Rousseff sanciona hoje (21) à tarde a lei que torna hediondo o crime de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável. A nova lei é sancionada durante a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Aprovado em votação simbólica na última terça-feira (13) na Câmara dos Deputados, o projeto estipula como exploração sexual de criança e adolescentes a utilização deles em atividades sexuais remuneradas, a pornografia infantil e a exibição em espetáculos sexuais públicos ou privados. A proposta diz que o crime ocorre mesmo que não haja ato sexual propriamente dito, mas qualquer outra forma de relação sexual ou atividade erótica que implique proximidade física e sexual entre a vítima e o explorador”.
É verdade que as Leis são necessárias, mas as mesmas se multiplicam de uma maneira que perdem a sua funcionalidade e aplicabilidade. Não há fiscalizar o cumprimento das mesmas e falta de recursos para aplica-las.
Os problemas se avolumam de forma que estão para além de uma simples legislação que não se cumpre. Basta observar que o próprio estado brasileiro é um violador de sua própria Constituição.
A educação como um todo é uma das bases para dirimir um pouco toda a situação que circunda a vida das nossas famílias e das crianças que são vitimas dentro da própria casa.
O abuso sexual, a exploração sexual e o tráfico humano são realidades gravíssimas que assolam as nossas crianças e adolescentes. Essa realidade só poderá ser revertida se cada pessoa procurar fazer a sua parte e não ser parte dela.
No seu celular smartphones você poderá baixar um aplicativo lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância chamado PROJETO BRASIL através do qual se pode fazer as denuncias.
Nesse mesmo dia 18 em que acontecia o dia Nacional, aqui em Araçagi aconteceu um crime bárbaro na Agrovila de Mulunguzinho como foi noticiado pelas redes sociais. A adolescente de 15 anos Maria Clara Herculano dos Santos foi assassinada pelo ex-cunhado, o mesmo já se encontra à disposição da justiça.
À pedido do pai da adolescente, teremos missa de sétimo dia nesse domingo dia 25 também para denunciar essa realidade que atinge nossas crianças e adolescentes que são vitimas de familiares próximos dentro da própria casa.
Já dizia Jesus: Deixem que as crianças venham a mim porque delas é o Reino dos Céus.




2014 A PAZ COMO CAMINHO


Temos a necessidade de cada vez mais refletirmos sobre a violência que se espalha por todo o país. Houve um tempo em que se atribuía a violência às camadas populares como sendo causas do fenômeno da pobreza, coisa das periferias. Hoje, como se percebe, essa concepção não mais se justifica, pois a violência além de ser institucionalizada abrange também todas as camadas da sociedade.
Se as inúmeras conferências sobre Segurança Pública serviram para alguma coisa, não serviram para combater a violência, pois, o próprio estado faz segurança pública com violência. As comunidades consideradas “pacificadas” se viviam em forte tensão, continuam com ela, pois a presença do estado que deveria chegar com toda a sua estrutura de saúde, educação, assistência social e psicológica, chega apenas com as armas e com elas não se faz a paz. A arma é e será sempre símbolo de guerra. Por isso que o profeta Isaias fala em transformar os instrumentos de guerra em instrumentos de trabalho. Se não é isso o que acontece, peço desculpas pelo meu equivoco, mas penso que onde existe o medo não existe a pacificação. O medo das armas e dos disparos, seja de policiais, seja de quem comanda o tráfico faz com que a comunidade viva sem paz, aliás, paz é a somatória de realização de todas as necessidades para que o ser humano viva realizado e feliz.
A existência da violência para além de tudo isso é que somos a favor dela e, mais que isso, externamos as nossas atitudes violentas. Um pequeno acidente no transito não pode ser motivo para uma briga e até mortes. O carro bateu no outro, não adianta reclamar, já bateu. A única coisa a ser feita é o entendimento e o reparo do carro na oficina. A violência existe porque o ser humano coloca seu patrimônio acima da vida das pessoas. O ser humano tem muito menos valor do que qualquer objeto, por isso ele pode ser descartado, pisado, matado, queimado, jogado fora... A violência existe por nossa culpa. Ela é um elemento cultural que nós adotamos ou não. O modo de enfrentar os problemas segue um caminho de promoção da paz ou da violência.
Não podemos nos esquecer de que a ideia de educar ainda passa pela violência, claro que no passado isso era muito mais acentuado que hoje, mas normalmente nós só reproduzimos em regra geral, aquilo que fez ou faz parte de nossa cultura, veja, por exemplo, as nossas comidas, nossas festas, nossos hábitos, como tudo isso muda de povo para povo.
A cultura do medo, do castigo e da repreensão de forma autoritária, como é de praxe, não educa para o diálogo, a confiança, a abertura, a partilha, etc. Não vou me confiar a quem não me compreende, não me acolhe, não me estende a mão para me levantar e me proporcionar vida. Por esse motivo, os filhos não dialogam com os pais porque os pais não ensinaram isso como primeiros educadores. Tiveram um comportamento sempre autoritário em nome do respeito e da autoridade de pais. Toda essa pesada historia da nossa cultura e das nossas relações, hoje somadas aos meios de comunicação fazem com que temos a cultura do descartável, do desprezo aos outros e da violência. Uma cultura de paz não se constrói em “paz pela paz”, mas paz pela justiça, na partilha dos bens e da vida, pois uma levará sempre à existência da outra além de ressaltar que a paz começa em cada pessoa, sobretudo em seu coração e se irradia na direção e na relação com o outro.
pebosco@yahoo.com.br


2014 ATITUDES DO PAPA FRANCISCO



Muitas pessoas que se dizem cristãs e que estão dentro das igrejas, ignoram e fazem muitas críticas ao trabalho que é feito com as pastorais sociais, sobretudo com a pastoral carcerária.
Para estas pessoas que pensam assim e nos acusam de defender bandidos e que a igreja deveria ter outras preocupações, segue aqui a resposta. Para quem admira o papa Francisco admire e aceite também as suas atitudes.
"Na manhã desta quarta-feira (19), antes de dirigir-se à Praça São Pedro para a Audiência Geral, o Papa Francisco recebeu na Casa Santa Marta, no Vaticano, um grupo de 19 detentos dos Cárceres de Pisa e de Pianosa. “Esta é a vossa casa”, disse o Papa aos visitantes.
Os detentos realizavam uma peregrinação a Roma, no âmbito de um caminho espiritual, acompanhados pelos capelães Pe. Roberto Filippini e Pe. Luigi Gabriellini. O grupo participou da Missa celebrada nas Grutas Vaticanas às 7h15min, presidida pelo Arcebispo Dom Lorenzo Baldisseri.
Informado das suas presenças, o Pontífice manifestou desejo de encontrá-los pessoalmente, acolhendo-os então às 9 horas, na sua residência, a Casa Santa Marta, por 45 minutos. O Pontífice rezou com, e por eles, e os abençoou diante da imagem de “Nossa Senhora Desatadora dos Nós”.
A responsável pela área educativa do Cárcere Dom Bosco, de Pisa, Liberata Di Lorenzo, disse que o Papa lhes contou “a história de Nossa Senhora Desatadora dos Nós e diante daquela imagem, muito evocativa em função da situação, tiramos uma fotografia juntos”. “Um dos detentos – continuou Di Lorenzo – estava literalmente paralisado de medo e emoção, não tinha nem mesmo a coragem de aproximar-se, pois não se julgava à altura daquele encontro”. “Ele me disse – concluiu Di Lorenzo – que na sua vida nunca teve medo em situações muito perigosas e difíceis, mas estava agora, e me pediu para acompanhá-lo na saudação ao Papa, pois não tinha força de fazê-lo sozinho”.
O Arcebispo Baldisseri definiu o encontro como “belíssimo, comovente”. "O Papa – disse o prelado – quis saudar e abençoar um a um. Os encorajou muito. O seu foi um sinal de grande paternidade em relação às pessoas empenhadas em um percurso espiritual”. Os detentos de Pisano que encontraram o Papa participam dos encontros de catequese promovidos no Instituto Dom Bosco. A delegação de Pisa era formada por 8 detentos, 7 homens e uma mulher, a única entre os 19 reclusos. Entre os detentos de Pianosa, por sua vez, estavam também latinos".

Texto tal qual foi divulgado pela Rádio do Vaticano.

pebosco@yahoo.com.br


2014 ALGUNS FATOS

 O fato foi publicado nos meios de comunicação. Um médico do programa mais médicos foi denunciado. Qual o crime? Um atendimento de emergência onde o responsável para aquele serviço não estava presente ou não havia chegado. Realmente é muito difícil de se compreender. Normalmente se vê casos de omissão, isto é, onde não se presta o socorro. Como entender que diante de alguma situação de doença, um médico não poder atender? Como é possível que alguém sofra punição por fazer o bem, socorrer uma vida? Essa situação faz lembrar o grande conflito que aparece nos evangelhos entre Jesus e os fariseus e escribas. Para eles o absoluto era o cumprimento da Lei do sábado em detrimento da vida do ser humano. A pessoa humana podia morrer sem o socorro para salvaguardar o dia de sábado. Por incrível que pareça, é esta mesma situação que se repete: a lei passa a ser mais importante do que a saúde e a vida das pessoas. A lei nesse aspecto é realmente a desgraça da nossa vida quando a lei deveria existir para ser sempre a favor da vida. Por isso que Jesus no seu tempo coloca a vida acima da lei e recomenda o seu descumprimento quando ela existe para prejudicar e destruir a vida do ser humano. Também está na mídia a cada momento a violência que cresce de forma assustadora. Um rapaz foi amarrado a um poste, um negro, um adolescente. O SBT Brasil fez a apologia ao crime. Tratou o adolescente da forma mais desrespeitosa e depreciativa possível. Fez o seu julgamento, o tratou como marginal, Fez um ataque aos Movimentos de Direitos Humanos em nome da Democracia e da liberdade de expressão. Quanta hipocrisia!!! Que vergonha!!! A Mídia prestando um desserviço à sociedade, ao Brasil e aos pobres e negros desse país. Ainda dizem que todos somos iguais e que não há discriminação e racismo no Brasil. A realidade de dois mundos é alimentada a cada momento e em todas as situações em nossas relações. Quem tem nome, título, influencia, prestigio, tem um tipo de tratamento e de atendimento. Quem não tem passa por outro tratamento. Quando não sou identificado como padre me dão um tratamento; na hora que me identificam muda o tratamento na mesma hora. Quando se prende uma pessoa que tem nome, o seu nome não é anunciado. Se tem a notícia mas não se sabe de quem se trata. Algumas vezes o nome é revelado depois. Um pobre e negro, na hora em que é preso, não só o nome é anunciado mas a imagem é posta no ar de imediato e a pessoa é obrigada a expor o seu rosto. Esses dois fatos carregam consigo o total desrespeito para com o ser humano doente e que vive na delinquência e marginalização, duas situações que o ser humano não escolhe. A doença chega e a marginalização é imposta pela nossa sociedade que segrega o ser humano impondo-lhe uma condição de marginalização. Setores da imprensa a serviço dos que dominam e eliminam os outros, em nome da liberdade de expressão querem tiram a liberdade e até o direito de viver dos mais fracos e abatidos. pebosco@yahoo.com.br

segunda-feira, 13 de julho de 2015

PROCESSO EDUCATIVO


Quando falamos em educação logo nos lembramos da escola por onde passamos, da universidade que frequentamos, da tese que defendemos e dos livros que lemos. O enfoque que quero dar a esta questão não passa por esse nível de educação, mas no plano da formação da pessoa como um todo, com todos os valores que devem fazer parte da vida do ser humano.  A educação bancaria sozinha, não é tudo. Por isso, temos muitas pessoas formadas das mais mal educadas que podemos imaginar, tratando de forma desumana seus clientes ou pacientes. Elas foram formadas, mas não foram educadas.
A Professora Ms Herik Zednik em seu blog sobre educação apresenta de forma exata a origem da palavra educação proveniente de duas palavras latinas: Educare e educere.
A primeira palavra tem o sentido de orientar e conduzir a pessoa de uma situação ou de um estágio ao outro. Trata-se, portanto de uma realidade mais externa. Já a segunda lembra que educar é promover, de dentro para fora, as potencialidades que a pessoa possui. Assim, ao contrario do que imaginamos educar não é impor aquilo que sabemos diante do outro, mas promover no outro as condições para que o mesmo descubra e exteriorize o seu potencial, seus dons, habilidades ou sua vocação.
Esta conceituação nos coloca diante de uma difícil tarefa no âmbito da educação. Quem educa, portanto, tem o papel de fazer com que a pessoa se conheça e descubra as suas qualidades, valorize seu potencial para viver na relação com os outros a sua experiência de pessoa que se educou.
Todo processo educativo do povo brasileiro não levou em conta esta possibilidade de promover a autodescoberta das potencialidades de cada pessoa. Por isso, podemos dizer sem receios que somos muito mal formados e frutos de uma educação repressora que é suportada, mas não assimilada. Cada pessoa acaba passando pelo processo educativo, mas a educação incorreta não passa pela pessoa.
As instituições de ensino e, sobretudo, as famílias precisam rever os seus métodos. A imposição, a repressão e a humilhação não formam. Educar não é passar informações, mas convencer a pessoa a respeito de princípios e valores que uma vez assimilados, ficam para o resto da vida. Ainda persiste na vida familiar o machismo, a violência e a imposição de pais sobre filhos, de homem sobre mulher, do mais velho sobre o mais novo, etc. esse comportamento apenas causa raiva, desgosto, medo, frustração, espírito vingança, etc. o mais grave, feito em nome da educação e do bem do educando. Faz-se o mal em nome do bem da pessoa humilhada e submetida a tratamento desumano. O nosso cérebro é capaz de guardar tudo o que nos acontece. Por isso, podemos nos alegrar pela vida toda com o bem que nos fizeram como também podemos carregar o pesado do sofrimento, dos maus tratos e do abandono que nos dispensaram no passado.
Reportemo-nos a uma situação da origem da formação do povo brasileiro para mostrar que a submissão quando não pode ser evitada é suportada, mas não assimilada. Trata-se da imposição da religião católica aos negros trazidos para a escravidão no Brasil. Para manter a sua cultura e a sua crença os negros às escondidas, viviam os seus momentos a sós, exatamente por um simples fato: o ser humano no uso da razão suporta as imposições até o momento em que não pode se rebelar.

 pebosco@gmail.com

CRESCIMENTO DA VIOLENCIA


 
A violência é um dos mais graves comportamentos da vida do ser humano em todos os tempos e em todas as culturas. Quando o ser humano é convidado na lei de Javé a não matar é, exatamente por se tratar de uma grande ofensa ao Senhor e a si mesmo.
 O mandamento “não matarás” é radicalmente assumido por Jesus na nova aliança quando o mesmo lembra que será punido no tribunal todo aquela ou aquela que fizer qualquer ofensa contra  o seu irmão até mesmo chamá-lo de louco sinalizando, assim, que nenhuma pessoa tem o direito de desrespeitar o outro, pois no outro, que é Imago Dei, imagem e semelhança de Deus, está o próprio Deus. Assim, toda ofensa feita ao outro é feita ao próprio Deus. Também Jesus nos assegurou isso: Tudo o que vocês fizerem aos outros é a mim que vocês estão fazendo.
Hoje, na verdade, estes princípios foram esquecidos ou talvez não aprendidos, ou se aprendidos, não levados em conta.
É verdade que a violência sempre foi uma constante em toda historia da humanidade, mas não com tanto frequência como hoje se percebe nos meios de comunicação. Como se costuma dizer que em determinados fins de semana se torcer um jornal o sangue escorre.
Enquanto o meio de comunicação informa a pratica de crimes, ao mesmo tempo ele ensina aquela mesma pratica e a espiral da violência cada vez mais cresce.
Quais as causas de tanta violência?
Praticamente nos meios policiais se tem adotado uma só: a droga e o acerto de contas. Esta leitura pode ser significativa, mas não pode ser única. É muito simplório identificar todas as práticas de violência com uma única visão. A verdade, pelo que se pode perceber é que a violência tem motivações muito diversas e profundas.
Temos a desvalorização da vida desde a sua concepção até à morte; temos uma cultura de morte com o extermínio dos pobres, negros, índios, moradores de rua, etc. entre estes, temos os que passam pelo sistema prisional que continuam sendo assassinados em grande numero. Sobre eles e sobre outros também não existem estatísticas e nem investigação seria para se identificar os culpados. Assim, uma das grandes causas da violência não deixa de ser a impunidade que é predominante em nossos estados.
 É de fácil compreensão, mas não o é facilmente admissível que toda violência vai gerar violência, pois viveremos em vingança sobre vingança. O antídoto da violência é a não violência.
O estado tem o papel de combater, fazer a prevenção educando para a paz. Quando o estado combate, age com a mesma violência que se torna mais grave por ser uma violência institucional.
Na verdade temos um grande desafio e uma corresponsabilidade que é de todos nós. Somos todos também culpados pelo que acontece, pois os adultos, pais, educadores e formadores de opinião ainda  formamos para uma postura de violenta e agressiva.
Temos muito caminho a percorrer, mas não podemos perder a esperança até porque temos muitos sinais de esperança e muitas pessoas que lutam pela paz e por um mundo sem guerras e sem mortes.

REALIDADE DE VIOLENCIA




Mês de janeiro de 2015 o nosso estado aparece em destaque no índice de violência. A manchete é assustadora no G1: Homicídios crescem 200 por cento. Ao lado disso uma manchete: em 2014 houve um investimento de 202 milhões na segurança pública na Paraíba.
Os números falam por si. Basta que cada pessoa faça a sua reflexão; olhe ao seu redor, em seu bairro, sua rua, sua comunidade, sua cidade e perceba os efeitos desse investimento.
Segue dados da matéria: “O número de vítimas de crimes violentos na Paraíba cresceu 200%, mesmo sendo o estado do Nordeste que proporcionalmente mais investiu no aumento de seu efetivo policial. O desafio de enfrentar a violência se mostra bem mais complexo que o atual investimento na segurança pública, conforme o estudo inédito "Panorama dos homicídios no Nordeste brasileiro: dinâmica, nexos causais e o papel das instituições coercitivas", da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).”
Uma observação pertinente aparece: pelos dados, não se combate a violência com dinheiro e com o aumento de policiais. Não é que os mesmos não sejam necessários. Se cresceu o efetivo e cresceu a violência, há algo nesse caminho que não está correto.
Talvez seja necessário pensar que uma política para a segurança pública que combata a violência deva envolver as famílias, as comunidades, as escolas, etc. Existem cidades tidas como as mais violentas do estado. Seriam Cabedelo, Santa Rita, João Pessoa... O que fazer então?
Parece uma grande necessidade começar dialogando com essas populações para saber qual é a real situação e quis são as necessidade. Não basta ocupar, fazer uma UPP como se isso fosse o suficiente, pode, naturalmente, ser peça importante do processo de diálogo com a comunidade. As pessoas das comunidades, vítimas da violência precisam externar suas situações para que o estado pense a sua atuação.
A grande dificuldade das instituições do nosso país é a burocracia e a falta de vontade de fazer o novo, a diferença. O dinheiro existe e acaba sendo desnorteado pela burocracia e pelas licitações. Hoje a Petrobras, por exemplo, é o único foco de atenção. Com isso, se desvia o olhar das tantas outras situações onde o dinheiro escorre pelo ralo.
Por esses e tantos outros motivos é que se passa anos fazendo o mesmo discurso sobre saúde, educação, segurança, isso apenas, em tempos de Campanha. Por todo país a realidade que se manifesta é a mesma nesse tripé: filas e mau atendimento nos hospitais, escolas abandonadas e a violência campeando e trazendo problemas para a saude por que se quer assumir uma política de segurança pública feita a partir das realidades de cada comunidade. As verbas existem e o dinheiro é gasto mas não se consegue visualizar seus efeitos segundo os dados como aqui em nosso estado.
O grande problema é que estamos perdendo vidas e muitas vidas sobretudo entre os nossos jovens.
Ao lado de tudo isso alguns dos nossos políticos, sem mentalidade Política, querem agravar a situação pensando em redução da maior idade, endurecer as penas:  medidas que cada vez mais aumentarão as práticas violentas em nosso meio.
A cultura da violência tem sido muito difundida em todas as relações. Precisamos trabalhar uma cultura pela vida com atitudes não violentas. Precisamos resgatar o velho Gandhi. As armas nunca irão acabar com a violência; elas não existem para isso mas para o contrário.

AO DERREDOR DAS PRISÕES


 
 
Reclama-se do judiciário dizendo que a policia prende e o judiciário solta; reclama-se da brandura das leis brasileiras: elas devem ser mais duras. Não é verdade que a policia prende e o judiciário solta. O judiciário não pode assinar e concordar com sentenças injustas.  Aqueles que são soltos antes de serem sentenciados são aqueles que possuem uma boa assessoria jurídica e que não reúnem condições que ponham em risco a vida da sociedade.
É bom recordar que somos a terceira maior população carcerária do mundo, isto é, prendemos mais do que todos os países do mundo menos para dois: Estados Unidos e Rússia; nem por isso estamos bem. Estamos entre os maiores índices de violência também.
As nossas prisões estão cheias de pessoas provisórias: são quarenta por cento de suspeitas. Dentre elas muitas acusadas de crime de bagatela: tiraram ou tentaram tirar para si algo insignificante, o que não é certo, mas que não justifica ficar na prisão.
É preciso colocar em praticas as audiências de custodia. Elas consistem em apresentar a pessoa presa ao juiz responsável pela comarca no prazo de ate 24 horas antes de ser encaminhada para a unidade prisional. Esta pratica garante o direito da pessoa de ser ouvida e de ser liberada na própria audiência, dependendo da situação da pratica delituosa. Esse é um dos caminhos para evitar a superlotação as vezes desnecessária das unidades prisionais.
Além dos provisórios, existem aquelas pessoas que já cumpriram grande parte da sentença, mas por falta de assistência jurídica e da falta de estrutura no judiciário, ficam para além do seu tempo de prisão.
Recentemente a magistrada Lilian Cananeia, da comarca de Santa Rita está percorrendo as comarcas do estado e fazendo mutirões nas varas de execução. Muitos benefícios estão sendo concedidos e caindo o numero de pessoas reclusas. Isso não resolve o problema porque ele volta, mas, sem duvidas, é uma boa contribuição e deveria ser uma prática mais rotineira para evitar injustiças cometidas.
A segunda reclamação sobre as leis para que sejam mais duras também não resolve o problema. Quanto mais ditadura mais problemas surgem. Somos ainda uma geração filha da ditadura e com seus resquícios e por isso temos também muita violência. A nossa legislação é tão ampla que nem a conhecemos.
Precisamos educar as pessoas a partir de dois princípios: a liberdade com a responsabilidade. A repressão venha de onde vier seja politica, econômica ou religiosa, ela apenas causa revolta, mal estar e apenas incita uma prática contrária. O ser humano, no seu livre arbítrio precisa ser estimulado a exercer esse direito com o principio da liberdade responsável.
Se a situação melhorasse a partir das leis estabelecidas certamente seriamos o país melhor do mundo por termos um imenso acervo legislativo.
O que transforma e modifica o ser humano não é a prisão, a tortura, a repressão, mas o tratamento humano e compreensivo a ser dispensado. Toda repressão gera repressão como a violência pratica é o que também tem gerado.
Temos longo caminho a percorrer nesse campo.
pebosco@yahoo.com.br
TEXTO SOBRE OS 25 ANOS DE SACERDÓCIO AINDA NÃO POSTADO AQUI.




Sacerdócio: 25 anos.


Dia 28 de maio de 2014 na cidade de Mari-PB, na Paroquia do Sagrado Coração de Jesus, celebrei 25 anos de padre. Porque em Mari? Já celebrei também em Araçagi, a atual paroquia onde estou prestando serviço. Em Mari porque já fiquei como pároco por 6 anos e 2 meses.
A celebração contou com a participação das comunidades de Mari e também de Araçagi.
Participaram os seguintes padres: Jardiel, atual Administrador Paroquial de Mari; Geraldo, Coordenador da Pastoral do Menor em Guarabira e fundador da Associação Menores com Cristo; Luiz Antônio, Elias e Adelino, ambos da Arquidiocese da Paraíba, como também o padre Elias Sales, que acompanhei como seminarista, filho de MARI.
O padre Luiz Antônio foi reitor do Seminário do Regional Nordeste II, quando fiz os estudos de filosofia e teologia em Recife nos anos 80.
Naquele tempo tínhamos poucos padres nas dioceses e os seminários não eram muitos também. Recife era uma referência para quase todas as dioceses do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Só algumas dioceses tinham outras opções para a formação presbiteral.
A Igreja vive no tempo e, por isso, sofre as interferências do momento presente mas naquele tempo tivemos uma importante oportunidade de participar da caminhada da igreja particular de Olinda e Recife com Dom Helder Câmara. Na Paraíba tínhamos Dom José Maria Pires e Dom Marcelo Carvalheira, entre outros pastores do nosso regional. Com eles aprendemos muito e, por isso, somos frutos daquele momento histórico.
Em fevereiro próximo passado, de 2014, celebrei portanto, 25 anos de ordenação. Foram anos muito extensos por causa da vasta experiência que foi possível fazer em várias paroquias: SERRA DA RAIZ, PIRPIRITUBA, GUARABIRA (SANTO ANTONIO E TRINDADE), NOSSA SENHORA DE FÁTIMA E VIRGEM MÃE DOS POBRES EM JOÃO PESSOA, MARI, SANTO ANTONIO EM MULUNGU E ARAÇAGI. Em cada lugar com seus desafios e suas virtudes, muito pude aprender.
Além das paróquias, a experiência na pastoral da igreja que no período de formação era o eixo integrador muito me ajudou a abrir horizontes e perceber os desafios da realidade e a resposta que a igreja é chamada a oferecer, de modo especial na pastoral carcerária que é uma grande escola para quem dela participa.
Celebrar, portanto, é agradecer a Deus o dom da vida, da vocação cristã que recebemos pelo nosso batismo mas, sobretudo, agradecer pelo chamado para um serviço especial como presbítero na igreja.
Ser padre não significa se colocar como autoridade que tem poder, privilégio e prestígio, mas significa se colocar a serviço de todas as pessoas dando atenção especial a quem mais necessita, a exemplo do Bom Pastoral que vai buscar e tentar salvar a ovelha que não conseguiu chegar. João 10,10.
Mesmo sendo o servo inútil sobre o qual fala Jesus, tenho procurado, com todos os limites pessoais e conjunturais tenho tentado buscar responder aos apelos que a realidade me tem feito nas paroquias por onde tenho passado como também nas demais atividades onde tenho sido solicitado com a consciência de que faço o possível para dar a minha contribuição.
Minha gratidão a Deus que tem sido generoso para comigo e também a minha gratidão ao Povo de Deus a mim confiado.
pebosco@yahoo.com.br

POPULAÇAO NEGRA NA PARAIBA







Dia 03 de julho de 2015, aconteceu uma Audiência Publica em João Pessoa, na FECOMERCIO, convocada pela CPI da Câmara dos Deputados, Brasília. A CPI tem a finalidade de ouvir nos estados as situações de violência contra jovens pobres e negros.
Na Paraíba é altíssimo o índice de morte. Foi dito que para cada 14 assassinatos 13 são negros. Outro dado preocupante: também foi dito que 58,39 por centro da população do estado se declara de cor negra; isso significa que essa população está sendo exterminada.
Sempre ouvi dizer que a juventude é o futuro do país. Nos anos 80, a metade da população do nosso país era jovem e hoje é idosa. É que os jovens não chegam mais à idade adulta, simplesmente desaparecem e aparecem mortos.
Participaram da CPI: Reginaldo Lopes (presidente), Rosângela Gomes (relatora), além do Delegado Edson Moreira, Damião Feliciano e Wilson Filho.
A mesa de abertura foi muito controvertida. Uma comissão que se propõe a averiguar o extermínio de jovens negros, em ambiente com muitos jovens assim identificados, não poderia chegar para defender a redução da maior idade penal. Ninguém entendeu a finalidade daquela defesa sobre a redução e, por isso três membros da comissão que adotaram essa postura, foram vaiados no plenário. Enquanto a CPI investiga não pode defender a mesma prática.
A dinâmica adotada foi interessante: enquanto falava um membro da mesa, falava também uma pessoa da sociedade civil trazendo as demandas relacionadas à sua realidade.
A participação de jovens de cor negra foi de fundamental importância para explicitar a realidade de violência e de discriminação, inclusive religiosa, por ser de matriz africana, a que são submetidas essas pessoas, uma vez que a pessoa negra é sempre suspeita e ridicularizada até oficialmente nas redes sociais.
Ainda vale salientar que a pessoa negra é objeto de muitas piadas que agridem a moral e a dignidade do ser humano. Quem de nós não ouviu aquela expressão: “é um negro de alma branca”?
Se a CPI não servir para muita coisa, ate porque daqueles que vieram para reafirmar a redução da idade penal não se pode esperar algo bom, ela já serviu para que os agredidos historicamente pudessem fazer uso da palavra, deixando claro para todos os presentes que:
Os nossos jovens negros são assassinados; são perseguidos; superlotam as prisões; são tratados como se fossem de outra raça e de outra classe social; que nossa população paraibana é preponderantemente de cor negra; que nosso estado é extremamente racista; que no nosso país e no nosso estado ainda não temos uma identidade enquanto nação pelo fato de alimentarmos claramente a desigualdade em todos os âmbitos: quem é do bem e do mal; rico e pobre; branco e negro; patrão e empregado. Somos uma grande nação, é verdade, mas completamente fragmentada a partir de interesses sociais, econômicos e culturais.