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domingo, 29 de março de 2015

PASTORAL, PAPA

A Pastoral Carcerária X Papa Francisco


A Pastoral Carcerária Católica é vítima de críticas, por causa de sua missão. Jesus e os profetas, mais que criticados foram também mortos por causa da fé e da missão. O segredo da missão consiste em perseverar até o fim. Na nossa pastoral temos os dois exemplos: pessoas que se afastaram e pessoas que lutaram até que as forças fossem suficientes.
Não temos só críticos, mas incentivadores\as. Essas pessoas também são muitas. O padre Valdir João, o nosso coordenador nacional já nos lembrou a respeito do novo agente de pastoral carcerária, o PAPA FRANCISCO.
Basta pesquisar um pouco, sem muito esforço, e vamos encontra-lo falando sobre as prisões, falando aos capelães, visitando-os, celebrando com eles, respondendo cartas, dizendo que lhes telefonava, e, se perguntando: porque eles e não eu? Também o papa já disse refletir sobre o texto do juízo final que nos apresenta a caridade e não a oração como critério para o julgamento final. Isso tudo que nos dizer que o papa é, de fato, um grande incentivador da missão da igreja em todos os campos.
O papa tem pedido a toda a igreja que sai de si e vá até às periferias, geográficas e existenciais. Penso que a periferia existencial mais crítica seja a prisional. Por isso, ali está a pastoral, espalhada por todo esse imenso Brasil, sem receber nada de material em troca. Muitas vezes ouvindo xingamento de terceiros, mas fiel, atendendo ao convite do papa para encontrar Jesus Crucificado e aprender com a sua dor para com ele ressuscitar.
Essa periferia geográfica é reservada para os pobres. Muitas vezes afastada de tudo e de todos. Só os familiares e a pastoral assumem o compromisso de acompanha-los naquela situação feita para desestruturar e destruir a pessoa humana.
A pessoa presa sabe que pouco a pastoral pode fazer, mas dá sempre graças a Deus pela chegada e presença. “Seria muito pior a nossa situação sem vocês”, dizem as pessoas presas por ocasião das visitas.
A pastoral de Jesus, também a do papa é aquela na qual se busca por primeiro o bem estar das ovelhas. O pastor se for bom, é aquele que dá a vida pelas suas ovelhas. Não se pode esquecer que em uma comunidade paroquial onde existe uma cadeia ou um presidio, o padre não pode dizer que não vai visitar por que tem medo. As pessoas detidas são parte integrante do rebanho e o pastor não pode ter medo das ovelhas, nem dos lobos, pois ele precisa salvar as ovelhas dos perigos. Quem está na prisão está submetido a inúmeros perigos. Nós, que sempre ouvimos as histórias das prisões sabemos do medo a que são submetidos estes irmãos e irmãs.
A igreja, no exercício da sua missão, corre o risco de se acidentar, de ser vítima de algo inesperado. O papa Francisco prefere essa igreja que se expõe e não aquela que se tranca e se esconde. O próprio papa se expõe em suas visitas para poder ficar perto das ovelhas, para dar o exemplo a todos. Assim a pastoral carcerária também não pode se esconder, ficar com medo. O “objeto” de sua ação é a pessoa presa e, por isso, ela não pode perder o foco no seu encontro com quem se encontra segregado, condenado pela sociedade, pela mídia e pela justiça.

pebosco@yahoo.com.br



COMBATE A TORTURA

Combater a Tortura.
A tortura, por incrível que pareça, ainda é uma realidade presente em muitos países pelo mundo a fora. Ela é praticada como forma de castigo, para a confissão nas delegacias e também por ocasião das prisões como forma de ameaçar e simplesmente submeter a pessoa a tratamento violento. Pessoas presas, não são levadas de imediato para as delegacias. Se tem notícias de que são levadas para lugares desertos, matagais e são torturadas para depois serem apresentadas à autoridade policial. Ela acontece em ambientes onde a pessoa está privada de sua liberdade e quando praticada por agentes do estado.
O nosso país, o Brasil, mesmo tendo uma Lei própria que trata a tortura como crime hediondo, tem sido chamada à atenção pelos órgãos internacionais, como violador dos tratados que assinou, pelas práticas de tortura, tratamento cruel, desumano e degradante.
A tortura tem sido identificada em todas as visitas pelo país afora pelos diversos órgãos nacionais: Conselho Nacional de Justiça, Conselho Nacional do Ministério Público, como também, de órgãos internacionais. A pratica da tortura é negada pelos estados, pois são eles que permitem que a tortura aconteça, mas em todas as esferas se sabe que ela existe. O problema é que não se consegue combate-la. Quem faz o trabalho de monitoramento dessa situação passa como mentiroso por causa da ação do estado que sempre desclassifica a pratica da tortura. Além de praticá-la, o estado obriga a pessoa torturada a mentir sob pena de ser torturada mais uma vez, sem ter direito a nenhuma defesa. Assim acontece a tão badalada socialização nas unidades prisionais.
A sensação é que no fundo ele é tida como necessária pelos mecanismos de segurança do estado, uma vez que não há nenhuma declaração formal de ninguém para que ela não aconteça uma vez que não é abolida.
No dia 26 de junho de a Organização da Nações Unidas de 1997 foi assinada a Convenção contra a Tortura, criada em 1987 pelos estados membros da organização.
Domingo, dia 22 de junho, o papa Francisco anunciou essa data internacional e disse que torturar seres humanos é pecado mortal, isto é, é algo muito grave, que nos afasta totalmente de Deus. O papa ainda pediu aos católicos que trabalhem para abolir a tortura como também para ajudar as vítimas da tortura e aos seus familiares. Abolir significa ter notícias de onde ela exista e denuncia-la sobretudo ao Ministério Público responsável por aquele setor onde as pessoas estão sendo submetidas a esse tratamento.
Artigo 1º – Para fins da presente Convenção, o termo “tortura” designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos que sejam consequência unicamente de sanções legítimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram.
CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS, DESUMANOS OU DEGRADANTES (1984)*


TRAVESSIA

Sempre em Travessia.



Depois da partilha dos pães, Mateus 14,13-21, Jesus mandou os discípulos entrassem na barca e seguissem para o outro lado do mar enquanto ele despedisse as multidões. Mateus 14,22.
Aquela travessia para aqueles experientes pescadores, como Pedro, teve um alto preço por causa da tempestade provocada pelo vento contrário. É noite, uma barca certamente muito frágil, total insegurança e a ordem de Jesus para seguirem viagem.
Esta cena não é estranha para nós agentes de pastoral carcerária pelo Brasil afora. O nosso sistema carcerário se constitui de um mar sempre muito agitado, de ondas gigantes: Carandiru, Pedrinhas, Roger, só para citar três nomes que se destacam. De experiências de mar agitado nós, agentes, presentes em todo Brasil entendemos  bem. Quando aquela prisão está aparentemente tranquila é sinal de que algo pode acontecer. Somos até avisados com antecedência de que a realidade vai se agravar.
Como pastoral vamos seguindo também no nosso barco entre ondas às vezes muito altas e outros momentos mais amenas, porem, sempre presentes.
Os discípulos estavam tão desesperados que não foram capazes de reconhecer o mestre e, além do modo da tempestade, se sentiram diante de um fantasma. Só diante da palavra e da presença do Senhor na barca foi que reinou a tranquilidade. Também nós, agentes de pastoral podemos ter essa sensação de que estamos sós, mas se trata apenas de uma vaga impressão, pois, mesmo sem perceber, o Senhor está presente no nossa barca e sempre vindo ao nosso encontro e nos dizendo, vem, como disse a Pedro para ir ao seu encontro. Ele nos garantiu permanecer conosco até o fim dos tempos. Nossa pastoral acontece sempre através de pequenas equipes e Ele também nos garantiu que onde duas ou três pessoas estiverem reunidas em nome Dele Ele se fará presente. Assim, por mais atribulado que esteja o mar, precisamos estar nele porque nele também está o Senhor conosco.
De fundamental importância para a nossa atividade pastoral é também a figura do profeta Elias, condenado à morte depois da derrota de Baal, no primeiro livro dos Reis 18,36-40. A situação se tornou tão desesperadora para ele que o mesmo também desejou a própria morte.  As situações desesperadoras da nossa pastoral são muitas dentro do sistema carcerário repressor. Desânimo e desencanto também fazem parte da nossa vida de agentes, mas Deus se manifesta hoje como se manifestou a Elias.
Elias é orientado a ficar numa gruta lá no Monte Horeb, o Monte de Deus onde passou a noite. Toda pessoa cristã precisa desse recolhimento, em pleno silêncio. Como estamos vivendo essa experiência do silencio em nossa vida de agentes de pastoral? Onde fica a nossa gruta? Talvez estejamos totalmente tomados pela cultura do barulho que ao invés dele a nos incomodar seja o silêncio que nos incomode.
Elias é convidado para um encontro com Deus na entrada da gruta. Ele o espera em meio aos barulhos das rochas, entre labaredas, mas só consegue fazer o encontro com Deus em uma brisa tão suave que ele quase não consegue ouvir, apenas sentir.
Essas duas imagens da barca e do Monte de Deus devem nos falar muito. Jesus chega à barca sacudida pelo vento da forma mais serena; Deus chega à vida atribulada de Elias também da forma mais leve e suave.
Só podemos ser agentes de pastoral carcerária capazes de uma grande compaixão para com todas as pessoas merecedoras dela se formos capazes de uma grande comunhão com o Senhor em tudo aquilo que estivermos realizando a dupla dimensão:
Discipulado-missão; missão-discipulado.

pebosco@gmail.com

NOSSAS PRISÕES

Nossas Prisões.

Cada vez mais estou convencido de que a prisão não pode ser a única alternativa adotada diante da criminalidade. É claro que existem experiências de alternativas penais, mas isso acontece em um âmbito muito restrito.
É inegável que as alternativas penais comprometem as pessoas por imporem limites, compromissos, horários, atividades etc. Já a prisão em si não oferece nenhuma possibilidade de comprometer a pessoa em coisa alguma: ela apenas prende. E, como é sabido por muitos, a prisão apenas alimenta um esquema maléfico para a sociedade toda e para quem nela se encontra.
Analisando os fatos do cotidiano, a prisão existe para punir uma parte da sociedade: figuras que serão eternamente suspeitas e por suspeitas serão sempre presas.
Nossas prisões estão cheias de jovens. Muitos, dentre eles, dependentes das drogas. Para alimentarem o vicio, partiram para prática delituosa. Pune-se o crime, mas não se cuida da causa. O que se faz é completamente fora daquilo que é necessário. Na prisão, os dependentes conseguem manter o vicio. Dizem os conhecedores do sistema que não existe prisão sem droga, pois é ela quem ajuda a manter as unidades “em paz” ou “tranquilas”.
A juventude recolhida nessas unidades é proveniente de periferias das nossas cidades, aqueles ambientes que até mesmo nas cidades pequenas são chamados de favelas. São, portanto, vítimas do preconceito dos que se dizem pessoas de bem. Não tiveram referência familiar digna, estudo, educação primaria, etc. muitos até sobreviveram na rua. Muitos também foram apreendidos quando adolescentes e ficaram “internos” em unidades para adolescentes que em nada diferem das prisões adultas que conhecemos.
Também em um ambiente quanto no outro, o estado não faz o que deveria, não cumpre seu papel previsto em Lei.
A voz da experiência também nos diz que só a pessoa pobre fica presa. A pessoa rica vai sendo acompanhada permanentemente por um advogado que cobra fortunas e vai conseguir por em liberdade aquela pessoa para responder o processo. Se condenada, existem as instancias superiores para recorrer das decisões judiciais. No caso do cumprimento de pena, a progressão de regime acontece no tempo certo por causa do controle da assessoria jurídica.
As nossas prisões estão superlotadas de pobres,  exatamente pela falta de assistência do estado. O estado fala da justiça como se ela não fosse parte dele. A justiça que concede a privação de liberdade não é a mesma para conceder os benefícios previstos. As justificativas são muitas, mas a principal é esta: nenhum interesse para trabalhar a inclusão social antes, durante e depois da prisão.
A prisão, que deveria ser para o cumprimento da pena, se transforma em castigo, violência, tortura, tratamento desumano, morte, corrupção, etc. nem a nossa presidenta que foi presa e tortura, consegue programar uma politica para melhorar o sistema, pelo contrario, tem se tornado muito mais agravado a cada dia.
Todo o discurso que se faz sobre segurança pública, com as famosas conferências, que em praticamente nada contribuem, não se consegue visualizar que não se consegue trabalhar esse tema sem a inclusão da realidade prisional.
Não se pode dizer que estamos bem socialmente e economicamente se damos um tratamento completamente desumano aos ambientes de privação de liberdade.
pebosco@gmail.com

GRITO

Grito dos/as Excluídos/as é uma realidade ultrapassada?


Desde 1995 que a CNBB tem mantido a experiência do Grito dos Excluídos. O grito surgiu como contraponto ao Grito da Independência do Brasil. Como é sabido, no dia 7 de setembro se continua comemorando a independência em um país que convive com inúmeras dependências; por isso, se promove outro grito, um grito pela vida.
A libertação da escravidão no Egito só aconteceu por causa dos clamores do povo, portanto, é necessário clamar, gritar. O Senhor disse: "Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores”. Êxodo 3:7-9
A opressão e o sofrimento não passam despercebidos por Deus. Ele não é indiferente.
Vejam a recomendação dada por Deus a Moises: “Vai, eu te envio ao faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo". Em tudo isso está o fundamento do grito dos que são excluídos da terra, da moradia, da saúde, do emprego, do salário, etc.
O Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA) divulgou em novembro de 2013 que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é de 175 vezes.
Dados da ONU, Organização das Nações Unidas, afirmam que no mundo há entre 600 e 800 mil pessoas submetidas a regimes de escravidão.
A ONU estima que o tráfico humano consiga chegar a, aproximadamente, 32 bilhões de dólares por ano, passando a ser um dos crimes mais rentáveis do mundo ao lado do tráfico de armas e drogas.
No mundo, apenas 85 pessoas detém 46 por cento de toda riqueza produzida no planeta.
No Brasil, segundo dados do IBGE divulgados em novembro de 2013, os 10 por cento mais ricos concentram 41,9 por cento da renda, enquanto os 10 por cento mais pobres detém 1,1 por cento dos rendimentos.
Portanto, o Brasil continua entre os países mais desiguais do mundo.
 Dados do Setor Social da CNBB
Portanto, o Grito tem diante de si, a Vida em Primeiro Lugar. A vida só é bem vivida quando se tem “Liberdade e Direitos”. Não temos motivos para não gritar, isto é, para não trazer átona essa realidade que escraviza e mata milhares de pessoas extermínio da juventude negra, violência contra a mulher, povos indígenas e tradicionais, presidiários (as), enfim a criminalização dos pobres.
Como entender desnecessário esse grito na defesa da vida? O grito pela vida não pode ser considerado como superado. Superado está quem não consegue perceber a realidade que nos envolve.
O papa Francisco no seu livro: A Igreja da Misericórdia na pagina 25, faz a seguinte citação: “Ficar surdo a esse clamor, quando somos os instrumentos de Deus para ouvir o pobre, nos coloca fora da vontade do Pai e de Seu projeto, porque esse pobre clamaria ao Senhor contra ti, e aquilo se tornaria para ti um pecado”. Deuteronômio 15,9.
Podemos concluir afirmando que o Grito sintetiza os cuidados e a preocupação da igreja que, como o Bom Pastor, está atenta aos clamores do seu povo como outrora no deserto; também em Jesus Deus foi ao encontro do seu povo para libertá-lo de todas as escravidões e experiências de morte.
pebosco@gmail.com



VISITA

Visita a uma unidade prisional na capital do estado da Paraíba.


O contato inicial como sempre acontece é com a direção da unidade. O juiz da VEP pergunta quais são os programas de ressocialização. Resposta: nenhum. Quando se falou sobre a educação foi lembrado que os reclusos não querem estudar e que existem oito alunos matriculados.
Só para não esquecer que a ressocialização em nosso estado é amplamente divulgada, mas na realidade existe na divulgação.
No diálogo inicial e durante a visita ficou constatado que um grupo de presos só sai da cela a cada oito dias, no sábado, para um banho de sol. Além disso, o que mais me surpreendeu é que ouvi uma voz de dentro da cela dizendo que já se encontra naquela situação por mais de dois anos.
Onde fica a Lei de Execução Penal que assegura o banho de sol como direito, todos os dias, durante duas horas?
Existe outra lei para tirar também aquilo que é direito da pessoa presa? O direito de sair da cela para caminhar não é uma questão também de saúde, ou não?
Ouvimos da própria direção que o promotor da Execução Penal, no último mês não fez a visita que é obrigação dele. Também ouvimos da direção que a Defensoria Pública também não tem aparecido para cumprir a sua parte. Por gentileza não reclamem. Cada um deve fazer sua parte.
O estado tem uma Gerência de Ressocialização.  De qual ressocialização se está falando?
A revista vexatória continua sendo adotada naquela unidade prisional e, relatos de familiares de outras unidades, a prática continua. Por uma feliz coincidência, a Secretaria de Administração Penitenciaria da Paraíba, numa reportagem do G1, assume que não cumpre a Lei.
Vejam: “Por e-mail, a secretaria informou que tanto as revistas corporais, quanto as revistas de alimentos devem ser encerradas com a aquisição de scanners especiais. Os equipamentos foram licitados e estão em fase de aquisição. As denúncias de excessos na revista dos alimentos foram consideradas como inverídicas”. 
Aqui a Secretaria confessa o seu crime de desobediência e descumprimento da lei e das recomendações do Ministério Publico Estadual ao afirmar que a revista vexatória está sendo feito, familiares ainda estão se despindo em unidades prisionais da Paraíba, contrariando todas as recomendações nacionais e estaduais.
Quem exige dos outros o cumprimento das penas com bom comportamento, dentro da lei não usa do mesmo expediente e descumpre. Aplica-se aqui o proverbio:
“Façam o que eu mando, não façam o que eu faço.”
Essa realidade, é verdade, faz parte do sistema prisional que de fato apenas penaliza a pessoa presa e criminaliza seus familiares.
Concluo essa reflexão com o pensamento de Gustavo Mascarenhas Lacerda Pedrina que diz em um de seus artigos:
“A verdade é que tratamos nossos presos e doentes mentais com raiva e vingança e não nos preocupamos em dar um tratamento adequado ao sistema prisional, mas queremos sempre uma sociedade melhor.”
pebosco@gmail.com



CRITICA

Estado X Prisões.


A crítica ao sistema prisional é muito grande. Existe a consciência, entre alguns, de que o mesmo perdeu há muito tempo a sua função, isto é, que ele não funciona para a finalidade a que se propôs. Entre outros muitos ele é necessário, mas o problema está na comunidade carcerária que não quer se recuperar. Entre essas pessoas estão aquelas que almejam até a pena de morte como solução.
Na realidade o sistema existe para a vingança, para o castigo, para a condenação.
Nada ele oferece, além disso. Conhecemos situações onde a pessoa ficou 15 dias na prisão e saiu sequelada para o resto da vida. Na verdade é o Estado quem não funciona descumprindo as funções e praticando arbitrariedades em nome da segurança e da disciplina.
Se a comunidade carcerária traz consigo inúmeras mazelas, se pode assegurar que a prisão é composta por pessoas com doenças físicas, psíquicas, dependências, etc. Neste sentido a prisão não pode apenas retirar pessoas de circulação, como tem feito, sem dá às mesmas, o devido tratamento e atendimento.
A única coisa que não funciona no sistema penal é o papel educador do estado. As mazelas funcionam e bem. A violência, como agressão generalizada ao ser humano e as drogas, são incombatíveis nas prisões. Certamente a prisão é o lugar mais seguro para uso de drogas. Se existe uso existe quem leva.  Quem passa por lá passa também os valores e como funciona o esquema.
Quem cria um cão todos os dias precisa ter um tempo para sair com ele para fazer uma caminhada. Se cão permanecer trancado a pessoa pode ate ser punida por maus tratos a animais. Uma pessoa pode ficar trancada até oito dias sem banho de sol e isso é considerado normal por falta de estrutura e de condições. O que o estado realmente quer quando adota este tipo de tratamento? É isso que se chama ressocialização?
Na verdade a Pastoral Carcerária não concorda com a construção de novas prisões se as que temos não funcionam. O sistema não melhora com novas prisões. O estado é quem precisa melhorar o seu serviço de assistência a quem precisa voltar à sociedade depois da prisão.
O judiciário precisa ser mais criterioso com as condenações para regime fechado.
A Execução Penal precisa realmente fiscalizar a execução da pena. Com tantas arbitrariedades visíveis, o judiciário precisa agir e determinar procedimentos.
O Ministério Público, igualmente, com o judiciário não pode ser omisso diante de tanta irregularidade. Falta fiscalização. Com ela melhora o tratamento nas unidades.
A saúde no sentido amplo precisa ser pensada. Não adianta comprar a situação da saúde dentro e fora do sistema. O estado tem responsabilidade ainda maior com a vida da pessoa detida e sua obrigação é garantir as Assistências previstas e estas devem ser monitoradas pelo judiciário para que a pena aplicada por ele (o judiciário), não seja desvirtuada.
O estado precisa estar presente com a Defensoria Pública para que a justiça não se torne injusta. Esta tem deixado a desejar muito. Em recente visita, a Defensoria não estava chegando à Unidade Prisional.
Na verdade o sistema de prisão não funciona porque o estado não funciona a seu favor. O estado tem o sistema prisional que quer. O estado quer as mazelas que temos nas unidades do país. Quem administra deve saber o que quer e o que faz.
pebosco@gmail.com

DESCENDO AOS POROES SOCIAIS

Descendo aos porões sociais

 A realidade prisional no Brasil nunca foi tão grave como em nossos dias. Constata-se uma superpopulação encarcerada em todos os estados do Brasil. Em alguns estados – como em São Paulo, por exemplo - existe o encarceramento em massa. O país não tem tido a devida preocupação com a realidade carcerária e suas implicações para a sociedade e a segurança pública. Os limitados espaços físicos das prisões se tornaram ambientes insuportáveis para a convivência, propícios a atos e violência entre os detidos ou praticados pelo Estado. A chamada reinserção, ou ressocialização, não passa de um discurso vazio dos governantes.
Uma nova escravidão
O tratamento é cruel, desumano e degradante. A prisão parece ser uma nova forma de escravidão e de morte. Faz-se necessário dizer que o indivíduo preso também é gente, tanto quanto era preciso afirmar, na época da escravidão, que o negro é gente. O Brasil assinou tratados internacionais sobre o problema, mas tem o vício de descumpri-los.
A comunidade carcerária é composta de jovens pobres, provenientes das periferias de nossas cidades. Em geral vitimados pelas drogas, inúmeros dentre eles são punidos por serem dependentes químicos que, para manter o vício, haviam cometido algum crime de bagatela. Uma vez detidos, superlotam as prisões sem direito à defesa.

Vítimas, sempre
As Defensorias Públicas não chegam e, onde existem, funcionam de forma precária, pois os detentos não podem pagar um bom advogado. As Varas de Execução estão abarrotadas de processos e o detento fica à mercê de um processo que não anda; por isso, quem está confinado na prisão passa também a ser vítima de muitas injustiças de natureza legal.
A expectativa principal da pessoa presa é sair da prisão, retornar para a família e conseguir um trabalho para sobreviver. Mas incontáveis são os que já não têm vínculos familiares. Assim, esse desejo raramente se materializa, pois as oportunidades reais são remotas. Por isso, a reincidência no crime é tão alta no país. Para muitos egressos a liberdade pode ser sinônima de morte, devido aos antigos desafetos. Poucos conseguem sobreviver e retomar a vida. O próprio Estado não os acompanha no processo de inclusão social, como também dele se omite a própria sociedade.

“Eu estava preso e fostes me visitar”
A Pastoral Carcerária atua em todos os estados do Brasil. Em cada estado, ela tem a própria organização a partir de coordenações locais. Conta também com o apoio de uma coordenação nacional.
O trabalho obedece ao que Jesus disse: “Eu estava preso e fostes me visitar” (Mt 25, 36). Esta expressão é o grande fundamento da nossa ação pastoral nas prisões. A visita é sempre um momento para escutar quem não é ouvido, a não ser por familiares. Mas muitos entre eles e elas não recebem visita familiar. Portanto, a visita da Pastoral Carcerária é sempre muito esperada e desejada pelos confinados exatamente por ser a oportunidade de um contato humano. Cada unidade prisional mantém atividades durante a visita da pastoral, como atendimento individual, grupos de reflexão, celebrações eucarísticas, etc.

Ele e ela também estão na prisão
Definimos a Pastoral Carcerária como sendo a presença da Igreja no mundo do cárcere. Uma presença cada vez mais necessária na difícil realidade prisional. Uma presença gratuita e solidária. Vamos ao encontro de Jesus que lá também se encontra preso. Como o ressuscitado é o que foi crucificado, Jesus é sempre o mesmo: doente, preso, estrangeiro, faminto, sedento. Vamos ao seu encontro nas prisões mundo afora.

Pedras no caminho
Enquanto pastoral, deparamo-nos com bloqueios. Ainda perdura a mentalidade, por parte do Estado, de ser o “dono” dos encarcerados e, por isso, no “direito” de mantê-los segregados, afastados do convívio social. Nessa perspectiva, por vezes a autoridade tenta impedir o acesso dos grupos de pastoral, colocando-lhes obstáculos, com a alegação de que “é perigoso fazer a visita”. Temos lutado contra este e outros obstáculos, para que seja garantido o direito legal à assistência religiosa, direito que não pode ser impedido.

Utopia?
Bom seria se tivéssemos um mundo sem prisões. Enquanto isso não acontecer, continuamos a lutar para que a pessoa presa possa ser tratada com dignidade e que se diminua continuamente a população confinada. Esperamos que os pobres não sejam cada vez mais criminalizados, como de fato são. Não existe uma séria política para a inclusão social, mas há uma clara política para o encarceramento. Esperamos que a Lei de Execução Penal possa ser realmente aplicada no país.
Nossa esperança é que cada pessoa possa cumprir a sua pena de forma justa. E que as penas alternativas e as alternativas penais sejam colocadas em prática, para que se possa reduzir o imenso número de pessoas reclusas.

Bons ventos
A atuação da pastoral carcerária vem influenciando positivamente nas iniciativas para a melhoria do sistema penitenciário no país. No diálogo com órgãos federais ligados ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, vemos mudanças a respeito da Assistência Religiosa, do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, das Ouvidorias para o Sistema Penitenciário de cada Estado, como também percebemos um grande movimento nacional contra a prática da revista vexatória de familiares, sobretudo em mulheres, tratadas com total desrespeito, criminalizadas, despidas, obrigadas a se agacharem em um espelho, como condição para visitar familiares.
Junto com as famílias dos detidos, a Pastoral Carcerária é o único grupo que tem esse amplo conhecimento da realidade carcerária. Portanto, muito contribui no âmbito nacional para as melhorias do sistema prisional do Brasil.



AGUA

A falta da água


É do nosso conhecimento e convencimento de que não podemos sobreviver sem a água. Nela somos gerados, dela se compõe o nosso corpo e dela nos mantemos. Podemos ate nos alimentar menos desde que possamos ingerir bastante liquido. A humanidade tem conhecimento de que a vida está ameaçada se a agua chegar a faltar no planeta. Os dados já nos indicam que a mesma se encontra bastante escassa.
A cidade de São Paulo, o mais importante centro populacional e financeiro do país se encontra diante de uma forte ameaça de falta de água. A cidade cresceu financeiramente, se tronou gigante, mas quem a governou nos últimos anos, não imaginou que a cidade seria tomada de surpresa, isto é, sem água.
‘’São Paulo enfrenta uma das maiores secas de sua história. A ausência de chuva, que atinge o Sistema Cantareira, também chega aos bairros da capital paulista e se estende a várias cidades do Estado, assim como a falta de água que já é uma realidade na casa de muitos moradores’’.
Um pedido na internet:
‘’Registrou algum local em São Paulo onde ocorre seca? Envie sua foto para nós! Pode ser de vegetações, rios ou até mesmo do jardim do seu bairro’’.
Previsão para 2015:
‘’ A seca em São Paulo deve continuar em 2015, desta vez associada também ao desenvolvimento do fenômeno El Niño, afirmou ao jornal "O Estado de S. Paulo" o secretário-geral adjunto da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Jeremiah Lengoasa.
Quando a gente vê os males, pensa que eles só acontecem com os outros. Assim as outras regiões do Brasil só viam a seca como uma espécie de castigo para o Nordeste e seu povo.
Caso a chuva não chegue abundantemente a população de São Paulo vai passar por um grande sofrimento sem ter a experiência do povo do semiárido e do sertão nordestino. Mesmo que chova terá que haver um grande investimento para garantir o abastecimento da água nos anos futuros.
Os que defendiam a transposição das águas do Rio São Francisco se calaram. Parece que desistiram da ideia salvadora do nordeste. Estamos acompanhando a situação do Velho Chico que está morrendo. De sua nascente já não surge mais agua, está seca. Ao longo dos muitos quilômetros a água está muito reduzida e até desaparecida em algumas regiões. Onde havia o uso de barcos agora não é mais possível com o baixo nível das águas. Tendência: cada vez ficará mais grave a situação, pois lhe faltarão os cuidados necessários.
Ainda que o mesmo estivesse em plenas condições de vida, ainda não seria recomendado o desvio de água em grandes proporções. Pela escassez de água que se vive no Brasil, a solução é produzi-la e não desvia-la. Portanto, a solução é criar ambientes para a captação das águas por ocasião dos anos chuvosos que se alternam com os anos de pouca chuva ao longo da historia.
Vamos apelar e desejar tempos melhores para todo o nosso planeta e que as aguas sejam suficientes. Para que isso aconteça, no entanto, é necessário preservá-la e não desperdiça-la.


CEDH PB COMPOSIÇAO

NOVA COMPOSIÇAO DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DO ESTADO DA PARAIBA

No dia dois de outubro, próximo passado, o Ato do Governador de nº 4.305, foi publicada no Diário Oficial do Estado da Paraíba de nº 15.649 a nova composição do Conselho Estadual de Direitos Humanos, para o biênio 2014/2016.
Segue abaixo a lista dos novos Conselheiros de Direitos Humanos da Paraíba e as entidades que representam e que o compõe:

Pastoral Carcerária do Estado da Paraíba: Pe. João Bosco Francisco do Nascimento (titular) e Guiany Campos Coutinho (suplente)

Universidade Federal da Paraíba: Prof. Dulciran Van Massen Farena (titular) e Prof. José Antonio Novais (sulpente)

Ordem dos Advogados do Brasil  Seccional – PB: Laura Taddei Alves Pereira Pinto Berquó (titular) e Eduardo Aníbal Campos Santa Cruz Costa (suplente)

Centro de Direitos Humanos Dom Oscar Romero – CEDHOR: Pe. Saverio Paollilo (titular) e Paulo Henrique Monteiro dos Santos (suplente).  

DIGNITATIS: Noaldo Belo de Meireles (titular) e Igor Leon Benício Almeida (suplente)

Fundação Margarida Maria Alves: Maria do Socorro Targino Praxedes (titular) e Ivson Sheldon Lopes Duarte (suplente)

Secretaria de Segurança e Defesa Social: Marcelo Antas Falcone (titular) e José Nilo Tavares P. de Castro (suplente)

Secretaria de Administração Penitenciária: Gabriela Freitas de Siqueira (titular) e Ivanilda Matias Gentle (suplente)

Ministério Público Federal: José Godoy Bezerra de Souza (titular) e Werton Magalhães Costa (suplente) 

Movimento Espírito Lilás: Renan Palmeira (titular) e Joel Martins Cavalcante (suplente)

Ministério Público Estadual da Paraíba: Marinho Mendes Machado (titular) e Sônia Maria de Paula Maia (suplente)

Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba: Dep. Raniery Paulino (titular) e Dep. Gilma Germano (suplente)

Corregedoria Geral de Justiça do Estado da Paraíba: Dr. Rodrigo Marques Silva Lima (titular) e Dr. Carlos Antônio Sarmento (suplente)

O Conselho Estadual de Direitos Humanos foi criado pela Lei Estadual de nº 5.551 em quatorze de janeiro de mil novecentos e noventa e dois pelo então governador Ronaldo da Cunha Lima e segundo a Lei é considerado Órgão Público e está incumbido da execução da política estadual de promoção e defesa dos direitos humanos do estado.
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PORÕES SOCIAIS



 A realidade prisional no Brasil nunca foi tão grave como em nossos dias. Constata-se uma superpopulação encarcerada em todos os estados do Brasil. Em alguns estados – como em São Paulo, por exemplo - existe o encarceramento em massa. O país não tem tido a devida preocupação com a realidade carcerária e suas implicações para a sociedade e a segurança pública. Os limitados espaços físicos das prisões se tornaram ambientes insuportáveis para a convivência, propícios a atos e violência entre os detidos ou praticados pelo Estado. A chamada reinserção, ou ressocialização, não passa de um discurso vazio dos governantes.
Uma nova escravidão
O tratamento é cruel, desumano e degradante. A prisão parece ser uma nova forma de escravidão e de morte. Faz-se necessário dizer que o indivíduo preso também é gente, tanto quanto era preciso afirmar, na época da escravidão, que o negro é gente. O Brasil assinou tratados internacionais sobre o problema, mas tem o vício de descumpri-los.
A comunidade carcerária é composta de jovens pobres, provenientes das periferias de nossas cidades. Em geral vitimados pelas drogas, inúmeros dentre eles são punidos por serem dependentes químicos que, para manter o vício, haviam cometido algum crime de bagatela. Uma vez detidos, superlotam as prisões sem direito à defesa.
 Vítimas, sempre
As Defensorias Públicas não chegam e, onde existem, funcionam de forma precária, pois os detentos não podem pagar um bom advogado. As Varas de Execução estão abarrotadas de processos e o detento fica à mercê de um processo que não anda; por isso, quem está confinado na prisão passa também a ser vítima de muitas injustiças de natureza legal.
A expectativa principal da pessoa presa é sair da prisão, retornar para a família e conseguir um trabalho para sobreviver. Mas incontáveis são os que já não têm vínculos familiares. Assim, esse desejo raramente se materializa, pois as oportunidades reais são remotas. Por isso, a reincidência no crime é tão alta no país. Para muitos egressos a liberdade pode ser sinônima de morte, devido aos antigos desafetos. Poucos conseguem sobreviver e retomar a vida. O próprio Estado não os acompanha no processo de inclusão social, como também dele se omite a própria sociedade.
 “Eu estava preso e fostes me visitar”
A Pastoral Carcerária atua em todos os estados do Brasil. Em cada estado, ela tem a própria organização a partir de coordenações locais. Conta também com o apoio de uma coordenação nacional.
O trabalho obedece ao que Jesus disse: “Eu estava preso e fostes me visitar” (Mt 25, 36). Esta expressão é o grande fundamento da nossa ação pastoral nas prisões. A visita é sempre um momento para escutar quem não é ouvido, a não ser por familiares. Mas muitos entre eles e elas não recebem visita familiar. Portanto, a visita da Pastoral Carcerária é sempre muito esperada e desejada pelos confinados exatamente por ser a oportunidade de um contato humano. Cada unidade prisional mantém atividades durante a visita da pastoral, como atendimento individual, grupos de reflexão, celebrações eucarísticas, etc.
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PRISÕES



A situação prisional se torna cada vez mais grave no nosso país uma vez que cresce sempre mais o numero de pessoas detidas. A solução não é construir novos presídios nos modelos que temos que segregam e torturam. Precisamos de espaços sim, para quem de fato precisa cumprir sua pena numa condição digna, aonde possa trabalhar e estudar.
Estamos cansados do discurso sobre o valor de um preso por mês, como se fosse culpa da pessoa presa. A nossa justiça condena a pessoa para viver em regime fechado, isto é, para viver sem fazer absolutamente nada quando deveria ser condenada também a trabalhar considerando caso a caso. Muitas dessas pessoas detidas poderiam estar numa medida de cumprimento de pena de prestação de serviço, sendo útil aos outros, mas as sentenças vão todas na linha de esquecer a pessoa nas masmorras maléficas e lá esquecidas.
Ouvi de um magistrado que o acumulo de presos provisórios no país por longo tempo é culpa do judiciário, pois a pessoa só pode ser conduzida à prisão quando decretada pelo juiz. De fato, a superlotação passa por essa situação do nosso sistema de justiça que depois não acompanha e nem fiscaliza a forma e o tratamento dado pelo estado àquelas (es) que o judiciário condenou. A Pastoral Carcerária Nacional precisa pautar e aprofundar essa questão com os órgãos federais com os quais se encontra como também os estados.
Não se faz uma visita para não encontrar presos doentes misturados com os demais, invisíveis ao sistema, sem assistência. São pessoas com ferimento, com tuberculose, etc. em alguns estados existe uma gerencia de saúde, mas não sei como funciona. Basta uma simples visita e perguntar na entrada do pavilhão se tem alguém doente e logo vão aparecer os casos, mas ao que parece isso não é feito. Questão de saúde é um capitulo critico e grave dentro das unidades. Parece não existir mais aquela responsabilidade do estado pela garantia da vida da pessoa presa sobre a responsabilidade do mesmo.
Veja em entrevista a posição do nosso secretário da SEAP, com o qual nada temos contra enquanto pessoa, assim: “não estou preso e nem tenho parente preso. Não dói em mim nada conter uma rebelião.” Essa entrevista se encontra no Parlamento PB. Se entendo alguma coisa esse modus operandi não é recomendado e muito grave para quem se encontra à frente de uma pasta muito complexa que envolve pessoas presas, familiares, funcionários do sistema, com ênfase aos agentes penitenciários não assistidos pelo estado, judiciário, defensores, ministério publico, etc. quem está gerindo o sistema não pode se imaginar sozinho e pensar que pode fazer o que quiser. A sociedade como um todo é também corresponsável pela situação prisional e deve colaborar. O estado precisa acabar com a mania de que ele é dono da pessoa presa.
Termino com um pensamento do papa Francisco.
O Papa Francisco definiu, por exemplo, o recurso à prisão preventiva uma “forma contemporânea de pena ilícita oculta”, selada por um “verniz de legalidade”, no momento em que produz a um detento não condenado uma “antecipação da pena” de forma abusiva. Disso – observou – deriva quer o risco de multiplicar a quantidade dos “reclusos sem julgamento”, ou seja, “condenados sem que sejam respeitadas as regras do processo” – e em alguns países são 50% do total –, quer, num efeito dominó, o drama das condições de vida nos cárceres.
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ALTERNATIVAS À PRISAO




A situação prisional do nosso país está dividida em duas situações: sentenciados e provisórios. O estado que não cuida da educação é o mesmo que descumpre as obrigações legais quando prende. Os sentenciados vivem situações de total abandono por culpa do estado que desrespeita a Lei de Execução Penal.
Em se tratando de matéria de prisão, o estado é o culpado por toda essa situação que está estabelecida no país, inclusive quando se fala do crime organizado: onde ele existe, o estado pela ausência ou presença errada permitiu a sua expansão.
O Ministério da Justiça com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) está publicando uma pesquisa sobre a realidade das prisões provisórias. A situação é muito grave. São em torno de 230 mil pessoas presas, provisórias, que não tiveram a possibilidade de se defenderem, um pouco mais de 40 por cento da população carcerária. Dentre esses, estima-se que 90 mil não serão sentenciados por não haver provas para incriminá-los.
Quando se pensa em prisão provisória se pensa naquela situação em que a pessoa aguarda todo o processo ate chegar a ser sentenciada em meio a um processo que não anda. Existem muitos casos em que a pessoa ao receber a sentença já vai pra rua porque o tempo em que aguardou a condenação foi muito maior do que o tempo de cumprimento da pena. Isso quer dizer que se vive uma imensa injustiça que o estado brasileiro comete no sistema prisional. O estado culpa o judiciário (é verdade que ninguém fica na prisão sem ordem judicial, nesse sentido a culpa é do judiciário), mas tudo é serviço do estado, sem esquecer que a injustiça começa no momento da prisão e na delegacia onde a pessoa, sem a presença da Defensoria Publica, não tem direito de se defender e até é obrigada a assumir o que não fez, sendo torturada.
Para apresentar a pesquisa do IPEA aconteceu um encontro em Brasília chamado de Alternativas Penais. Nas falas, existe a convicção de que a policia, que deveria fazer um trabalho mais preventivo, prende pessoas suspeitas que vão superlotando as prisões sem terem como se defenderem.
Existe também uma estimativa para mais ou para menos que a cada ano que passa cerca de 50 mil pessoas são presas no Brasil. Isso tem colocado o nosso país como um dos poucos que mais prende e por assim proceder viola direitos e agride de forma criminosa o ser humano.
A tendência é ampliar as denúncias para organismos internacionais. Isso já está acontecendo. O Brasil assina os tratados e não os cumpre. Fazendo as denuncias o país é cobrado e assim se mostra como as nossas autoridades não são sérias por descumprirem as obrigações.
Outra tendência é a aplicação de medidas que sejam alternativas à prisão. Muitos juízes e juízas já perceberam que não podem mais simplesmente enviar para a prisão que é uma sentença antecipada e uma grande mal para toda sociedade, uma espécie de indústria que reproduz tudo aquilo que não queremos que exista. As Alternativas comprometem a pessoa a fazer algo e a cumprir determinados compromissos. A prisão
é o lugar do ócio, do castigo apenas  e do descumprimento de tudo. Na prisão se aprende a infringir. Ela está incapaz de oferecer algo diferente. Portanto, ela está fora do prazo de validade.


A PAZ COMO CAMINHO


Temos a necessidade de cada vez mais refletirmos sobre a violência que se espalha por todo o país. Houve um tempo em que se atribuía a violência às camadas populares como sendo causas do fenômeno da pobreza, coisa das periferias. Hoje, como se percebe, essa concepção não mais se justifica, pois a violência além de ser institucionalizada abrange também todas as camadas da sociedade.
Se as inúmeras conferências sobre Segurança Pública serviram para alguma coisa, não serviram para combater a violência, pois, o próprio estado faz segurança pública com violência. As comunidades consideradas “pacificadas” se viviam em forte tensão, continuam com ela, pois a presença do estado que deveria chegar com toda a sua estrutura de saúde, educação, assistência social e psicológica, chega apenas com as armas e com elas não se faz a paz. A arma é e será sempre símbolo de guerra. Por isso que o profeta Isaias fala em transformar os instrumentos de guerra em instrumentos de trabalho. Se não é isso o que acontece, peço desculpas pelo meu equivoco, mas penso que onde existe o medo não existe a pacificação. O medo das armas e dos disparos, seja de policiais, seja de quem comanda o tráfico faz com que a comunidade viva sem paz, aliás, paz é a somatória de realização de todas as necessidades para que o ser humano viva realizado e feliz.
A existência da violência para além de tudo isso é que somos a favor dela e, mais que isso, externamos as nossas atitudes violentas. Um pequeno acidente no transito não pode ser motivo para uma briga e até mortes. O carro bateu no outro, não adianta reclamar, já bateu. A única coisa a ser feita é o entendimento e o reparo do carro na oficina. A violência existe porque o ser humano coloca seu patrimônio acima da vida das pessoas. O ser humano tem muito menos valor do que qualquer objeto, por isso ele pode ser descartado, pisado, matado, queimado, jogado fora... A violência existe por nossa culpa. Ela é um elemento cultural que nós adotamos ou não. O modo de enfrentar os problemas segue um caminho de promoção da paz ou da violência.
Não podemos nos esquecer de que a ideia de educar ainda passa pela violência, claro que no passado isso era muito mais acentuado que hoje, mas normalmente nós só reproduzimos em regra geral, aquilo que fez ou faz parte de nossa cultura, veja, por exemplo, as nossas comidas, nossas festas, nossos hábitos, como tudo isso muda de povo para povo.
A cultura do medo, do castigo e da repreensão de forma autoritária, como é de praxe, não educa para o diálogo, a confiança, a abertura, a partilha, etc. Não vou me confiar a quem não me compreende, não me acolhe, não me estende a mão para me levantar e me proporcionar vida. Por esse motivo, os filhos não dialogam com os pais porque os pais não ensinaram isso como primeiros educadores. Tiveram um comportamento sempre autoritário em nome do respeito e da autoridade de pais. Toda essa pesada historia da nossa cultura e das nossas relações, hoje somadas aos meios de comunicação fazem com que temos a cultura do descartável, do desprezo aos outros e da violência. Uma cultura de paz não se constrói em “paz pela paz”, mas paz pela justiça, na partilha dos bens e da vida, pois uma levará sempre à existência da outra além de ressaltar que a paz começa em cada pessoa, sobretudo em seu coração e se irradia na direção e na relação com o outro.


VIOLENCIA CRESCENTE

Violência Crescente


Deve causar preocupação a toda população do Brasil essa onda de violência que cresce de forma assustadora. Ela é praticada contra as mulheres, apesar da Lei Maria da Penha, mas também nas ruas, nas casas, nas calçadas e em todos os lugares. As redes sociais estão expondo o que de mais agressivo existe sobre a prática da violência. Constantemente os corpos estão sendo fotografados e as imagens postadas.
O número de mortos é imenso como numa guerra não declarada. Policiais são acusados de fazerem assassinatos e policiais também estão sendo mortos, numa guerra que deixa sempre as marcas profundas nos corações de ente queridos.
Com a violência todos estão perdendo: as famílias, as pessoas, a sociedade, o país, etc.
Não fomos criados para a violência e a morte, mas para a vida fraterna e em sociedade, chamados a construirmos um mundo onde a vida precisa ser respeitada. Percebemos que a nossa vida depende da vida do planeta como um todo. Se a floresta é destruída, se poluímos o meio ambiente, vai nos faltar agua e uma melhor qualidade de vida. Imagine se destruímos a vida do próximo que é imagem do próprio Deus estamos destruindo a nós mesmos.
A realidade, que não pode ser negada e não podemos aceitar é que a vida está sendo banalizada e destruída sem qualquer motivo ou por motivos superficiais.
Setores da imprensa no âmbito nacional e até internacional têm apresentado a onda crescente de violência no Brasil, certamente por conta da copa do mundo, porem, com ou sem copa, a violência precisa ser combatida.
O que deveria acontecer?
Certamente precisamos nos manifestar, pois a violência não é um problema do outro, mas algo que atinge toda a nossa sociedade, isto é, todos nós. Precisamos nos manifestar através de nossas organizações, através das redes sociais. Às vezes usamos esses espaços para conversas sem conteúdo.
Para que essas manifestações aconteçam, precisamos ter postura contrária à violência, pois na verdade, a violência ainda é defendida por muitas pessoas que ao apresentarem imagens chocantes de vitimas da violência, fazem apologia a esse crime inaceitável de tirar a vida dos outros.
Ainda, devemos trabalhar os nossos conceitos e a nossa visão de mundo e de sociedade, isto é, temos que mudar a nós mesmos para não adotarmos atitudes e práticas violentas. Quanto mais se adota a violência como método para combatê-la, mais se propaga a violência.
Além do mais, o estado como instituição, precisa rever a sua atuação em vista de uma política para a segurança pública. Não basta ter polícia na rua ou nos morros com armas em punho e distante da população, tornando-a amedrontada.
A Segurança Pública com toda essa onda de violência deve ser abordada em todas as organizações sociais, igrejas, famílias e sobretudo nas escolas que muitas vezes apenas passam informações mas não trabalham a formação para uma cultura de paz e de respeito ao ser humano.
O grande problema da violência passa também pelo uso das armas, o tráfico, a facilidade da compra e o uso das mesmas com uma falsa ideia de segurança, quando as armas deixam as pessoas ainda mais fragilizadas e visadas pelos outros.


NO ESPIRITO DA QUARESMA




A igreja católica no Brasil está vivendo o tempo da quaresma, momento especial para preparar a Páscoa, a festa maior da vida cristã, que é a Ressurreição do Senhor. Nenhuma outra festa é tão importante.
Este tempo é muito rico de propostas para a nossa reflexão. Na liturgia católica o tempo se abre com a celebração das cinzas que conta com a participação de muitos fieis. As cinzas que recordam a nossa frágil condição e, por isso, todos nós necessitados de conversão e mudança de vida. Ainda dentro das cinzas, o forte apelo para a oração, o jejum e a caridade. Nesses temas Jesus apresenta algo muito original e fundamental: que nessas ações ninguém tenha a preocupação de aparecer. Fazer algo para ser visto pelos outros significa perder a recompensa do Pai que está nos céus. Assim, o espirito quaresmal tem uma dimensão muito especial para a individualidade da pessoa que é chamada a fazer o seu caminho pascal.
O jejum, mais do que renunciar a comida por algum momento significa o exercício de desapegar-se de tudo aquilo que parece absoluto na própria vida, renunciar a si próprio. Quem consegue se sentir livre pode facilmente colocar-se nas mãos de Deus e se colocar a serviço dos outros, sobretudo aquelas pessoas que nada podem fazer em troca.
Na primeira semana da quaresma, precisamente no domingo, aparecem três temas de fundamental importância para os nossos dias. Jesus aparece sendo tentado no deserto.
A primeira tentação consiste na abundância, na acumulação, na facilidade. Atender ao desejo de ter muitas coisas. Usa-se hoje até a expressão: “vender a alma ao diabo”. A acumulação do dinheiro e dos bens de forma totalmente egoísta é um desejo insaciável ao qual Jesus renunciou para ensinar aos cristãos que a felicidade nem a vida eterna estão centradas nos bens. Na verdade, se mal utilizados eles se transformam em males para nós.
A outra tentação enfrentada foi a do prestígio. Para muitas pessoas é melhor morrer do que perder o prestígio. Prestígio social, econômico, político. Na verdade o prestigio faz com que a pessoa seja o centro das decisões. Jesus foi tentado para  ter o prestigio diante de Deus para não perder a vida.
Por último, Jesus foi provocado a ter o poder e os reinos à sua disposição com a condição de não ser livre: Desde que se prostrasse, se ajoelhasse e  tornasse escravo. De fato, o poder escraviza, ignora valores, destrói a vida dos outros e de quem assume o poder para si. O poder quando não é serviço é fonte de todas as ações maléficas. Na verdade não se quer o poder para servir, mas para manter a riqueza e o prestigio.
Na verdade, quem quer realmente celebrar a verdadeira páscoa, precisa fazer uma profunda revisão na sua vida e tomar algumas atitudes que transformem o modo de ser e de viver.
A vida cristã precisa ser a busca de uma sintonia com Jesus, seus gestos, palavras e atitudes. As igrejas com suas pastorais, seus pastores e todas as pessoas vocacionadas, precisam fixar o olhar naquele que foi enviado pelo Pai para ser para o caminho que nos conduz a Deus.
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