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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Alimentação e Saúde.

Não disponho de dados científicos como também não sou especialista na área, mas tudo me leva a crer que apesar das melhores condições de vida no país e no mundo temos muita doença na vida da população.

 A causa não saberia precisar com segurança, mas ao que tudo indica, existem algumas pistas que podem nos orientar.

Fala-se muito hoje de estresse. Fala-se por ser uma realidade. Encontramos sempre as pessoas correndo para atender a muitas demandas. O fazer ocupou o lugar do ser. Enquanto se procura atender ao muito se perde também a qualidade daquilo que se faz. Com essa imensa correria as pessoas vão também perdendo a tranquilidade e a paz.

Nas ruas as pessoas que andam a pé vão sempre muito apressadas para encontrar o ônibus ou para não perder o horário do trabalho ou da escola. Os que estão de carro vão sempre correndo, querendo chegar antes dos outros mesmo que para isso não exista possibilidade por causa dos congestionamentos que são imensos.  O retorno para casa, no fim do dia é de um extremo cansaço. A preocupação é: como será amanha?

A família quase já não se encontra mais; os vizinhos não conversam e até nem se conhecem. Muitas famílias moram em apartamentos isolados totalmente das outras. Não se vive mais a gratuidade, o afeto, o encontro espontâneo. O lazer dos nossos dias se resume a encontros onde se come cada vez mais. Acabou a comida não há mais nada para fazer.

O domingo deixou de ser o dia do senhor onde a família vai agradecer a Deus e se encontrar com os demais membros da comunidade.

Assim, chega o momento em que o organismo reclama, grita e obriga o corpo a se aquietar através de tantos males que chegam.

Talvez pudéssemos pensar na nossa alimentação. Temos ainda muitas alternativas para a nossa alimentação: o nosso feijão, o arroz, o inhame, a batata, sem contar com as saborosas frutas tropicais, as melhores do mundo. Mas, tudo isso foi deixado de lado. Normalmente a nossa sadia alimentação foi substituída por produtos enlatados que em nada fazem parte da nossa culta. Assim, temos uma alimentação que apenas engorda. É uma grande quantidade de massa seguida de frituras. Tudo isso tem trazido grandes males para as nossas crianças e adolescentes.

Ao lado destes males, vivemos em uma realidade de profundo sedentarismo que se torna a causa dos mesmos.  A televisão ajudou muito as pessoas para que se tornassem acomodadas.

Em consequência de tudo isso, os serviços médicos estão totalmente superlotados de tantas pessoas querendo atendimento e medicação, sem, em contrapartida colaborar com a própria saúde. Vale lembrar a frase repetida ao longo do tempo “o teu remédio é a tua comida”.

Assim fica muito evidente que temos que reorganizar a nossa vida para que a nossa saúde possa também se reorganizar.

Ouvidoria de Policia da Paraíba.

A ouvidoria de policia do estado da Paraíba, conta com a colaboração de uma mulher recém-empossada para a função: Valdênia Paulino. Os sites noticiaram o fato, chamando a atenção de que pela primeira vez uma mulher assume o cargo. Valdênia tem um amplo currículo e uma ampla experiência de luta pelas causas sociais e dos direitos humanos como advogada e educadora.

Apesar de pouco tempo em nosso estado, já se tornou paraibana de tão inteirada da realidade, exatamente pelos contatos e pela colaboração dispensada como assessora a grupos e movimentos.

Como integrante do Conselho Estadual de Direitos Humanos, já participou de varias inspeções nas unidades prisionais e, por ultimo, aos adolescentes infratores.

Na ouvidoria, certamente Valdênia fará um grande trabalho. Pela função certamente realizará visitas e escutará policiais que se sentirem desrespeitados e prejudicados no seu trabalho, como também a população terá a oportunidade e o espaço para fazer as suas denuncias quando for agredida, desrespeitada e não atendida em suas necessidades relacionadas com da policia.

Por ocasião da posse, a Secretaria Defesa Social distribuiu um folder produzido no vizinho estado de Pernambuco que apresenta em breves linhas qual será o trabalho de Valdênia na ouvidoria e em quais situações a população deve procura-la.

Um dado me chamou a atenção. As pessoas devem procurar a ouvidoria quando  algum policial agir com violência de forma desnecessária. Ficou para mim a pergunta muito clara e objetiva: quando a violência é necessária? Pela concepção que tenho e pelo que tenho aprendido a violência nunca será necessária porque a mesma será sempre maléfica. Se tratando da relação entre a instituição policial e a população, teremos sempre uma relação desigual. A instituição policial tem a obrigação de usar da força para impedir a violência e para proteger a vida. Toda ação violenta é geradora de mais violência.

Em todo caso, com a ouvidoria organizada e a ouvidora nomeada, o estado estará oferecendo à sociedade paraibana um espaço privilegiado para a escuta e o encaminhamento das denuncias que devem ser apuradas.

O Conselho Estadual de Direitos Humanos, do qual Valdênia faz parte, fez a indicação da mesma, através de uma lista tríplice para que o governador Ricardo Coutinho fizesse a escolha e a nomeação. Deste modo, a ouvidoria é também um compromisso do nosso Conselho para que o nosso estado seja um exemplo aos demais, na qualidade e no funcionamento através  do serviço prestado na Secretaria de  Defesa Social.

No site do governo do estado, encontra-se uma matéria sobre a ouvidora e sobre a sua posse no dia 10 de outubro 2011 como também sobre a ouvidoria. Segue a noticia:

 “A Ouvidoria de Polícia da Seds é um órgão auxiliar do poder executivo na fiscalização dos serviços e atividades da polícia estadual. É de sua competência receber denúncia de qualquer pessoa, seja civil, militar ou outro servidor público, contra agentes policiais. A Ouvidoria funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no Edifício Friends, localizado na Avenida Tabajaras, no Centro de João Pessoa. O telefone é 3222-3044”.


Visita a presídios.

Faço uma partilha sem me preocupar com a organização do texto, se ele está dentro das normas que se deve usar para escrever. O que me interessa é comunicar a experiência vivida nas prisões.

Acabo de visitar duas unidades prisionais. Encontrei o senhor Francisco (nome fictício). Está preso longe de sua comarca, sem apoio da família. Tem sete filhos para cuidar. Disse que já cumpriu quase dois sextos da pena, quando deveria cumprir um. Reclama da justiça que não tem como prioridade a pessoa presa. Ninguém duvida do acumulo de trabalho, mas, ao lado disso, existe o descaso com as pessoas que cumprem pena.

Nos cartórios de execução penal, (toda regra há exceção), os familiares e quem procura informações processuais, são muito mal recebidos pelos funcionários. O que disse em texto anterior para as recepções dos hospitais e clinicas medicas, vale também para os que fazem os cartórios dos nossos fóruns. Devem fazer um curso de relações publicas. Ao menos devem ser pessoas educadas. Quem procura as informações não tem culpa pelos crimes cometidos por seus familiares. Considerar as ressalvas. Ate se fossem pessoas culpadas mereciam um tratamento humanitário.

Em um estado onde o serviço penitenciário está organizado, a pessoa presa precisaria ser informada de sua situação prisional para que direitos e deveres andem juntos. Vivemos em uma situação onde os servidores do estado, os gestores, vivem sem moral para cobrarem os deveres porque eles não concedem os direitos.

Em outra situação visitada existem 90 homens no semiaberto em uma estrutura que nem é possível descreve-la. É necessário vê para acreditar. Já diz o proverbio: “o que os olhos não vêm o coração não sente”. O mais grave: em nenhuma gestão estadual dos últimos anos se teve a coragem de modificar aquela realidade. Que estado é este? Quando será que podemos confiar que algo novo vai acontecer? Tem-se a impressão que gerir o sistema significa mandar a comida e alguns pouquíssimos agentes para uma unidade prisional. A dificuldade é imensa para levar um preso para o hospital. O presidio fica dependendo da disponibilidade de uma viatura da policia militar.

Os nossos diretores estão ainda mantendo o processo de castigo nos chapões sem banho de sol. Ainda existem isolados onde ficam presos trancafiados que são os mais desumanos possíveis. Passar por ali significa ficar doente.

Um fato lamentável. Quem entra para as prisões não se recupera. A culpa não é só do recuperando, mas da estrutura do estado que não colabora. Mesmo que o gestor tenha a boa vontade, mesmo assim, vai se sentir engessado pela estrutura estadual. Não se faz o dever de casa. Como é possível que alguém possa se recuperar em uma estrutura que não oferece condições para se viver?

Quando será que teremos uma concepção nova sobre a relação que existe entre a pessoa e o crime? Será que é difícil entender que não se combate o crime com outro crime?

Desde as origens do cristianismo se sabe que a lei de talião não deve ser aplicada, mas ainda continua sendo em muitas de nossas prisões. Não sei de onde os nossos gestores se revestem de poderes para reprimir e punir os já condenados e punidos, estigmatizados para o resto da vida, se não morrem antes ou logo após o ensaio da liberdade.

domingo, 9 de outubro de 2011

A mendicância

No século XIII surgiram na igreja católica as chamadas ordens mendicantes, entre elas os franciscanos, os DOMINICANOSAGOSTINIANOS e os CARMELITAS. Homens e mulheres, que por opção escolheram a pobreza como regra de vida. Pediam esmolas pelas ruas para sobreviverem.
A mendicância hoje ainda é uma realidade, não totalmente naqueles moldes de pessoas que estavam frequentemente nas ruas pedindo esmola e um pouco de comida para sobreviver. Hoje, na verdade, nós somos mendigos implorando condições de vida e de saúde e encontrando-as com muitas dificuldades.
Aquilo que é direito de todos garantido na Constituição Federal, tornou-se objeto de caridade para muitos. Para que haja uma assistência razoável na saúde são necessárias duas condições: o dinheiro para pagar tudo em tempo hábil e alguma amizade também ameniza um pouco o sofrimento.
Tenho a impressão que o atendimento à saúde começa na recepção das clinicas e dos hospitais. Quem chega para ser atendido já vai carregado de tensões, medo e preocupações. No ambiente a ser atendido passa por uma péssima acolhida. Muitas recepcionistas precisam fazer um curso de relações publicas para que cumpram devidamente a função para a qual são destinadas. Percebe-se que muitas delas não reúnem condições, isto é, não tem a mínima consideração pelos pacientes. Limitam-se a pegar os dados, receber o pagamento,  quando a consulta é particular e chamar pelo nome para o atendimento.  Até as informações são repassadas com má vontade. Dependendo da forma de atendimento, o nome do paciente é trocado por uma ficha com um numero. Também nas internações existem números. Trata-se de um atendimento onde a pessoa perde a sua identidade.
Isso não é apenas uma realidade da saúde publica. Nas clinicas particulares a realidade é a mesma. Ninguém pode mais ficar doente para ser atendido de forma urgente. Para se marcar uma consulta com um especialista se deve esperar no mínimo por um mês para ser atendido. Hoje os planos de saúde estão atendendo em muitas situações como o SUS. Ir para uma consulta significa perder uma manha e até o dia todo. Nas clinicas não se distingue mais o que é urgência, quem teria prioridade no atendimento. É comum encontrar pessoas bem idosas que chegam às clinicas ainda pela manha e às 14 horas ainda aguardam para um atendimento. Outra questão que muito preocupa é o preconceito. Temos no contingente de oito mil pessoas detidas em nosso estado, muitas situações relacionadas com a doença. É muito comum que aconteça um péssimo atendimento e, muitas vezes, se deixa de atender. Situações que deveriam ter um atendimento especial, até de internamento, os profissionais devolvem para as unidades prisionais que não dispõem se quer de enfermarias.
Como se sabe, a doença não escolhe a cor a classe social, por isso, o cuidado com os pacientes e a atenção que se dever ter com os que precisam do socorro deve estar colocado acima de tudo. Como é sabido muitas mortes acontecem pela falta do socorro e do abandono. Muitas pessoas morrem, não porque chegou a hora, mas porque foi escolhido para morrer por quem estava coordenando o serviço de saúde.

Cuidar da saúde.

A média de vida no planeta tem aumentado de forma significativa tanto para homens como para mulheres. As mulheres conseguem viver mais. Como os homens são mais violentos, morrem antes, sobretudo na juventude. Os dados são oficiais.
Esse fenômeno tem se dado graças às melhores condições de vida implantadas para a população. A evolução em tantas áreas tem proporcionado boas condições de vida. As pessoas na terceira idade hoje estão buscando ocupar espaço no mercado de trabalho e estão dando uma boa colaboração na sociedade.
Esse dado vai, em contra partida, exigir muito mais do estado o atendimento adequado para uma população que vai contando com um maior numero de pessoas idosas. O estado, portanto, precisa se aparelhar para esta finalidade, o que não tem acontecido.
A saúde tem se comportado de forma muito desastrosa e o atendimento tem deixado a desejar. As filas, a falta de espaço, mortes por falta de socorro e assistência são visíveis, além dos erros médicos que se repetem de forma assustadora. Há uma má gestão em tantas áreas governamentais e não é diferente na saúde. O imposto CPMF que por longos anos foi recolhido para a saúde nunca chegou para ela. Os recursos são desviados ao longo do caminho e não conseguem chegar ao seu destino.
Até os planos de saúde estão sendo atingidos por muitas reclamações por não atenderem bem os seus usuários mesmo cobrando muito caro. Para uma simples consulta de determinada área medica não se consegue uma vaga antes de um mês. Ninguém pode ficar doente como se dependesse de nossa vontade, pois nos falta atendimento.
O nosso estado passou para o noticiário nacional. Joao Pessoa, Sapé, Bananeiras, Guarabira, etc. Foram lugares citados, por causa das ambulâncias recebidas do governo federal. Por todo Brasil estas ambulâncias permanecem guardadas enquanto o povo precisa e não é atendido em suas necessidades.
A desculpa que se tem dado para esta situação se refere à burocracia do próprio estado. Particularmente, tenho dificuldades de aceitar e acreditar nessa teoria. Penso que seria mais difícil adquirir o veiculo do que coloca-lo para funcionar, mas, em todo caso, não conheço os tramites da administração. Penso que nenhuma desculpa justifica situações como esta: ter os meios para fazer o socorro de alguém que necessita e não poder utilizá-lo.
Outra vertente que se tem discutido no país é a privatização ou terceirização de serviços, inclusive a saúde. Nas responsabilidades que o estado tem para garantir os serviços essenciais, a saúde é um dos mais importantes: sem ela, o ser humano não tem condições de buscar as suas outras necessidades. Portanto, em um país que cresce em vias de desenvolvimento não se admite que serviços tão vitais para a população sejam entregues para que os outros possam explorá-los e administrá-los.
Nada justifica que as pessoas morram sem a assistência e o socorro por parte do estado, sem  que nada aconteça para se reverter a situação.