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sábado, 5 de março de 2011

Entrevista sobre a Pastoral

1. O que é a Pastoral Carcerária?
É a presença de Jesus e da igreja no mundo das prisões. A sua existência passa pelo pedido do próprio Jesus: “Eu estava preso e vocês foram me visitar. A pessoa pode não ter vocação para fazer a pastoral, mas não pode negar a sua existência pois a sua existência é evangélica e uma obra de misericórdia. A pastoral tem um bispo responsável por ela na Conferencia Nacional do Bispos do Brasil: Dom Pedro da diocese de Franca, São Paulo. Alem do aspecto evangélico é bom lembrar que a assistência religiosa está na Lei de Execução Penal. O presos tem direito de ser assistido e as igrejas devem ter essa obrigação para organizar suas pastorais. Como diz o apostolo Paulo: Lembrai-vos dos presos como se tivessem presos com eles. Eles também tem um corpo. Antes de serem tratados e rotulados como “bandidos” são seres humanos, muitos culpados pelos crimes, muitos inocentes e condenados injustamente.

2. Há quanto tempo existe?
A pastoral existe em todo Brasil por muito tempo, mas o seu fortalecimento e sua articulação nacional se deram a partir da Campanha da Fraternidade de 1997 que tratou do tema das prisões. Foi um grande momento de expansão e de fortalecimento da pastoral.

 
3. Qual o trabalho que desenvolve? Como é feito?
O principal trabalho é realizar as visitas semanais. É um trabalho de escuta da situação de cada apenado que queira se aproximar e colocar a sua situação para o agente de pastoral. É bom lembrar que uma das ações mais importantes para quem está preso é ser visitado. Normalmente todos os presos não são visitados. e pela família que mora distante. A partir da visita a pastoral vai se envolvendo, percebendo as necessidades e desenvolvendo outras ações: fazer contato com familiares, ir ao Fórum para saber sobre o processo, etc A pastoral também celebra datas importantes como, natal, páscoa, comemoração das mães, etc
Todos os anos a pastoral realiza um encontro estadual em uma das cidades sede das dioceses. Normalmente é um grande momento de crescimento dos agentes de pastoral. Realizaremos neste ano o 16º encontro em João Pessoa.

 
4. Quem são e quantos são os beneficiados?
O trabalho da pastoral é aberto a todos os presos. A partir daí todos podem ser beneficiados quando solicitam o apoio à equipe da pastoral. O sistema é instável. Estamos acompanhando um preso em determinada prisão e ele é transferido para outra, as vezes uma prisão mais fechada. Isso dificulta o acompanhamento.

 
5. Qual é o resultado das ações realizadas pela Pastoral?
É muito difícil falar em resultados, pois o estado que tem a finalidade de trabalhar os resultados ele não consegue, pois a estrutura da prisão não recupera como deveria. Podemos dizer que pra a pastoral e para os presos os mesmos têm na pastoral a presença, o apoio, a vigilância diante das arbitrariedades cometidas, a confiança, a solidariedade.

 
6. Onde funciona? Em todo o estado? Em quantos municípios? Quais?
Em nosso estado ela existe nas dioceses de João Pessoa, Guarabira, Campina Grande, Patos e Cajazeiras. Em cada município onde tem uma cadeia, tem alguém que está visitando em nome da igreja. Ai já está a presença da pastoral carcerária.

 
7. Quais são as principais dificuldades da Pastoral Carcerária e os desafios?
Às vezes a primeira dificuldade é visitar. O estado, algumas vezes é uma caixa preta e esconde a violência que ele mesmo pratica. O que é importante: mesmo sem visitar a pastoral acompanha e fica sabendo da realidade das prisões. Temos outras dificuldades: o trabalho voluntario é feito com poucos agentes. Até porque o estado tem permitido a entrada de até cinco pessoas por unidade prisional. Cria-se uma situação de medo em relação as prisões e isso contribui para que as pessoas não queiram visitar. Outra dificuldade é que a visita deve ser feita a todos os presos daquela unidade visitada. Temos a realidade dos isolados que o estado às vezes não permite o acesso. Quando isso acontece já sabemos que lá estão presos torturados. Quando se faz um trabalho transparente não se tem o que esconder. Só se esconde quem pratica crime. As vezes temos um estado com pratica criminosa nas prisões.

 
8. Há quanto tempo o senhor está na coordenação estadual?
Estou na coordenação desde ano 2000. É importante lembrar que alem de visitar o trabalho da coordenação é ser uma referencia para a pastoral nas dioceses. Trata-se de um trabalho totalmente voluntario sem nenhum bônus. Trata-se de uma missão difícil por ser incompreendida pela sociedade. Só compreende a missão da pastoral quando se tem um familiar detido sem saber o que fazer e até sem ter como visitá-lo. Nesses momentos é a pastoral quem sabe lidar com a situação e orientar a família sobre o procedimento a adotar.

 
9. Qual o objetivo da Pastoral Carcerária?
O objeto principal é ser presença e acompanhar homens e mulheres naquela situação especial sem a liberdade de ir e vir. A preocupação é com a pessoa e sua situação. A oração, a vida espiritual e a conversão da pessoa fazer parte do trabalho da pastoral, mas a sua primeira tarefa não é fazer proselitismo. O objetivo é fazer um trabalho de presença humana para humanizar e apoiar as pessoas enquanto estejam reclusas. É a presença externa da sociedade que deve ser acolhida e valorizada pelo estado.

 
10. Tem como a reportagem falar com algum beneficiado, mesmo que seja por telefone?
Normalmente o preso não fala sobre a sua situação. Depois de ganhar benefícios, a pessoa carrega um rotulo grande e preconceituoso por parte da sociedade. Talvez algum depoimento escrito sobre a pastoral seja possível com alguém que cumpriu.

 
11. Há a possibilidade de fazer fotos? Em que local?
Normalmente não é permitida a possibilidade de fotografias sem a permissão da SECAP ou do juiz das execuções penais. Depende da prisão e do momento que se está vivendo.

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