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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Primeiro Caderno | Dia-a-dia
Edição de segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pobreza invisível na PB
 No estado, 613,7 mil pessoas estão na linha da miséria. Ipea apresenta hoje dados estaduais sobre essa realidade
 Lindjane Pereira //
lindjanepereira.pb@dabr.com.br

 Acidadania negada e os princípios básicos violados diariamente. A extrema pobreza cria seus tentáculos nas periferias e até em bairros nobres com pessoas que mesmo tendo um lar não consegue garantir a alimentação diária mínima. O corpo sente, mas essa dor parece invisível. Dor vivenciada por 613,7 mil pessoas na Paraíba e o mais grave: 40% dessas pessoas possuem idade entre os 25 e 64 anos, universo em que se encaixa a dona de casa Janete da Silva Costa, com 25 anos, casada e com dois filhos. A realidade vivida por Janete e mais milhares de paraibanos será apresentada e discutida hoje no seminário A Dimensão e a Medida da Pobreza Extrema no Brasil, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir das 9h, no auditório da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep), na Rua Feliciano Cirne, 50, no bairro de Jaguaribe.
Miséria está associada à restrição alimentar e às condições de moradia, saúde e saneamento da população. Foto: Fotos: Ovidio Carvalho/ON/D.A Press
A linha da pobreza é uma referência atribuída às famílias que possuem renda per capita mensal de até R$ 70. Em um galpão invadido nas proximidades do Porto do Capim, em João Pessoa, famílias construíram pequenas casas de forma irregular e sem as condições de saneamento e calçamento necessárias para garantir também condições sanitárias. Em uma delas, a família de Janete da Silva Costa, 25, vive com uma renda per capita de R$ 25. Com o marido desempregado, a dona de casa só conta com a ajuda do avô que envia, em média, R$ 100 por mês para o sustento de quatro pessoas. "Ás vezes, meu avô manda ainda menos e a situação piora. Tenho dois filhos, um de quatro e um de dois anos. O dinheiro quase nunca dá para comprar leite para eles", relata Janete.
 No seminário de hoje coordenado pelo Ipea serão apresentados dados sobre os paraibanos que vivem abaixo da linha da pobreza, ou seja, que tem uma renda per capita mensal de até R$ 70. A secretária de Desenvolvimento Humano da Paraíba, Aparecida Ramos, participará dos debates no seminário. De acordo com ela, além dos dados que serão apresentados, o evento é a oportunidade para quese discutam as especificidades de cada região no que se refere à miséria, ressaltando que a Paraíba é um dos estados mais penalizados com altos índices de mortalidade infantil, desnutrição e desemprego. "Para que se cumpra a meta da presidenta Dilma Rousseff de acabar com a pobreza extrema não basta apenas garantir alimentação. Temos que oferecer políticas públicas de saúde, emprego, educação. Também é preciso que se considere que cada região tem características e dificuldades próprias", afirmou a secretária Cida Ramos.
O seminário é gratuito e aberto ao público em geral, especialmente a gestores públicos e pesquisadores. O credenciamento começa a ser feito às 9h no auditório da Cinep (Rua Feliciano Cirne, 50, Jaguaribe). O seminário contará com a apresentação do painel A Dimensão e a Medida da Pobreza Extrema no Brasil - o Caso da Paraíba, com o técnico de Planejamento e Pesquisa da Disoc (Ipea), Rafael Osório e contará como debatedores a secretária de Desenvolvimento Social, Maria Aparecida Ramos e Mauro Nunes do Ideme. A programação se estende até às 12h.
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