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quarta-feira, 7 de julho de 2010

A vingança não Edifica

Em 16 de outubro de 1890, nascia na Itália uma criança que recebeu o nome de Maria Gorete. Um jovem que tinha muito contato com a família alimentou o desejo de se relacionar sexualmente com ela. Não permitindo, ele a agrediu fisicamente com tamanha violência que a mesma chegou a falecer posteriormente. Antes de sua morte, sendo assistida religiosamente, ela perdoou o seu assassino. Ele cumpriu 27 anos de prisão. Recebeu a noticia de ter sido por ela perdoado e teve um bom comportamento na prisão.
Ao ser libertado, pediu abrigo em um convento e passou a trabalhar como jardineiro. O perdão concedido pela sua vitima foi também concedido pela mãe da vitima, com a qual ele passou a ter contato e realizar visitas, sendo acolhido como membro da família.
No dia 27 de abril de 1947, Maria Gorete foi elevada aos altares como santa, pelo papa Pio XII. Sua mãe esteve presente na canonização da filha. Por desejo do papa, o agressor, Alexandre Serenelli, já aos 80 anos, convertido e jardineiro do convento, também esteve presente naquela solenidade e chora ver o papa ajoelhado diante da imagem daquela que o mesmo teria assassinado. Ela era tão pobre que andava descalça.
Este fato, que parece o mais absurdo para a nossa sociedade que vive hoje este mesma realidade de violência em escala mais vasta, revela para nós a solução para a violência. Só o perdão e a reconciliação são capazes de transformar o coração humano. Como nós perdemos totalmente esta dimensão, parte-se para a justiça com as próprias mãos, alimenta-se o espirito de vingança e, por isso, temos a espiral da violência. A violência gera simplesmente outra vitima. Acabamos fazendo o que estamos combatendo.
Hoje a justiça Restaurativa tem procurado trabalhar algo que ainda deve se propagar em nossa sociedade como alternativa a esta mentalidade de vingança e violência. De forma simplificada trata-se da proposta dos três R:
Aquele que pratica o crime tem que assumir a sua Responsabilidade;
Deve se trabalhar a Reparação do dano;
É necessário trabalhar a Reintegração da pessoa punida na comunidade;
Dentro deste processo, agressor e vitima devem se encontrar em ambiente controlado para tratar da situação e se chegar a uma compreensão para uma convivência pacifica. A proposta é de uma reconciliação que é a pratica mais importante para a vida humana.
Não adianta dizer: eu perdoei. Só a reconciliação é capaz de evitar que uma pessoa seja uma ameaça para a outra. Não significa estabelecer amizade, mas eliminar o perigo de uma nova violência. É claro que este é o maior desafio para os nossos conceitos diante do crime da violência praticada, porem é um caminho humano a ser buscado e, sobretudo de perspectiva cristã.
Quem trilha pelo caminho do ódio, da vingança, da violência, não assimilou a proposta do mestre Jesus que recomenda o perdão e o amor em primeiro lugar aos inimigos.

pebosco

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