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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Tribunal de Justiça da Paraiba

Participei de uma celebração eucarística na Basílica de Nossa Senhora das Neves em João Pessoa. Tratou-se da missa de posse da nova mesa diretora do Tribunal de Justiça da Paraíba, 2011-2013, no dia primeiro de fevereiro 2011. O convite foi a mim dirigido pelo desembarcador Leôncio Teixeira, meu conterrâneo e vice presidente da nova diretoria.
Na celebração se deu destaque a Santa Veridiana, contemporânea de São Francisco de Assis, nasceu em 1182, Itália, tornou-se padroeira do presídio feminino em Florença. Ainda hoje a mesma tem uma grande devoção na região da Toscana, conforme relato histórico.
Lembrando a homenagem feita a esta padroeira, no dia da posse da diretoria para os destinos da justiça de nosso estado, fiquei rezando sobre a situação das mulheres presas cujo numero tem crescido na Paraíba. Normalmente as mulheres presas não são lembradas também pelo fato de serem do grupo das minorias. As minorias são esquecidas. Ninguém governa ou administra pensando nas minorias marginalizadas.
Também fiquei pensando na dificuldade que existe para a prática da justiça, sobretudo para os simples e pobres que não sabem a quem recorrer e aonde chegar, sem terem com que pagar os custos de um bom profissional. Temos inúmeras pessoas neste país que são vitimas de muitas injustiças a partir do momento em que são presas e levadas para as delegacias assumindo e assinando o que não fizeram presas sem julgamento e, às vezes, condenadas inocentemente.
A justiça gratuita existe apenas nas intenções de nossos estados. Se ela funcionar e chegar a indicar benefícios a uma determinada pessoa talvez ela não exista mais por causa da burocracia da própria justiça que depende de inúmeros personagens como também por não trabalhar com a disposição de ajudar a pessoa para que realmente seja beneficiada com a justiça.
Ninguém pode negar que a justiça só age quando vai sendo no dia a dia lembrada, cobrada, provocada com sucessivos habeas corpus até que um vai ser atendido isso quando a pessoa que pede o serviço da justiça tem nome, prestigio, condições, etc.
Tudo isso nos faz lembrar aquela cena sobre a oração que toma como exemplo o juiz e a viúva. A viúva que insistentemente pede ao juiz para que lhe faça justiça. O juiz a atende não por ser justo ou porque tenha interesse de atendê-la, mas para se livrar da insistência da mesma.
Na leitura do evangelho de Mateus 5,20-26, lido durante a celebração Jesus adverte sobre a prática da justiça dos cristãos: “Se a justiça de vocês não for maior do que a dos escribas e fariseus vocês não entrarão no reino dos céus.” Em São Mateus Jesus é o mestre da justiça. A verdadeira justiça só se faz tendo Jesus como o modelo. É necessário olhar para ele: suas palavras, gestos, atitudes, seu modo de proceder. Foi assim, olhando para Ele que a nova mesa diretora do TJ iniciou a sua posse na Basílica, aos pés da senhora das Neves padroeira do nosso estado, para ter uma justiça.
É verdade que somos ainda um país muito pobre na sua cultura, na sua mentalidade e na sua maneira de tratar a pessoa humana. A riqueza do nosso país é para a manutenção dos próprios ricos em detrimento do abandono e do sofrimento dos empobrecidos. Se o nosso país é o melhor em algumas áreas é também um dos melhores em desigualdade em diversos setores da nossa sociedade.

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