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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A desigualdade Social.


 
O mundo foi criado para todos, mas não pertence a todos. Bem diz o ditado popular “que o mundo é dos mais espertos”. Assim tem sido. Somos todos iguais perante a Lei. Isso significa que deveríamos ter os mesmos direitos: saúde, educação, moradia, salário, entre outros. Mas, na realidade, só somos realmente iguais perante a lei e não na realidade. Leia-se bem que é perante a lei. Somos, é verdade, uma grande nação, dentro da qual convivem vários Brasis com interesses antagônicos e discriminatórios.
A presidente Dilma, em sua campanha eleitoral, prometeu acabar com a miséria no país. A promessa sempre me incomodou ao ouvi-la. O que significaria acabar a miséria?
Frei Betto, frade dominicano, bastante conhecido por seus escritos, no ano próximo passado, precisamente no mês de agosto, descreveu sobre um relatório da ONU que foi publicado em julho. O relatório aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Acrescentando, ainda: aqui temos uma das piores distribuições de renda do planeta.
Segundo o relatório, da ONU, 58% da população brasileira mantêm o mesmo perfil social de pobreza entre duas gerações.
Para quem pensa que o Brasil está a mil maravilhas, é nesta situação que ainda nos encontramos. Isso não significa que o país não cresceu. Cresceu muito e não falta o dinheiro, mas não chega a ser útil para atender as necessidades dos necessitados. O bolo só cresce sem jamais ser repartido. É grave constatar que mais da metade da população, entre duas gerações não consegue sair da condição de pobre. Esta condição implica em carências que impedem as condições de uma vida digna para a pessoa e sua família.
Como diz Frei Betto de forma tão sábia e tão contundente: “O Brasil é rico, mas não é justo”. Aqui está o x da questão: por não ser justo, defendendo os interesses dos ricos, o Brasil colabora e alimenta a desigualdade social. Como se disse em Puebla, no México, em 1979: “Temos ricos cada vez mais ricos, à custa de pobres cada vez mais pobres”. Aqui está a causa para tanta riqueza.
É necessário conter aquela velha farsa: “Sou rico porque trabalhei”. Os pobres que trabalham e são explorados nunca se tornaram ricos e jamais se tornarão, pois, como se dizia na patrística: por trás de uma grande riqueza, existe a desonestidade. Os altos salários são destinados para os que menos trabalham, assim é que acumulam e se tornam ricos.
Os legisladores dão uma imensa colaboração para que a desigualdade social se perpetue, quando votam apenas os projetos que alimentem e mantenham o status social. Pelo contrario, quando aparece um projeto que promova a partilha dos bens e suscite uma melhor qualidade de vida, o mesmo não sai da gaveta.
Ainda na visão de Frei Betto, o que permite a redução da desigualdade social é o acesso a educação de qualidade. Um povo que tem acesso à educação passa a ser um povo mais critico e capacitado para conquistar espaços no mundo do trabalho, com melhor salário e, portanto, com uma melhor qualidade de vida.
O que acontece: temos ainda uma população imensa de analfabetos e, entre os que estudam, em cada grupo de 100 habitantes, apenas 9 possuem diploma universitário. Vejamos que a universidade é ainda para uma elite que lá pode chegar.
Quem manda neste país é poder econômico que, por sua vez, impede toda e qualquer mudança que o prejudique.

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