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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

As boas novas para o sistema carcerário

Fui perguntado sobre o que mudaria no sistema penitenciário a partir da nova conjuntura das eleições. Praticamente não se espera quase nenhuma mudança. Quando muda, muda a conjuntura, mas a estrutura é a mesma, com os mesmos vícios. A área de segurança publica não é prioridade para os governos do nosso país. A segurança publica na verdade funciona como fachada, sem nenhuma política de segurança para a população. O mesmo se diga para o sistema penitenciário. O único investimento que tem sido feito até no plano federal tem sido a construção de novas unidades que são necessárias ate certo ponto, mas que não resolvem o problema. Até porque, quando construídas, não chegam a ser concluídas, como vergonhosamente acontece conosco em Cajazeiras. Temos lá a verba federal até agora perdida.
No lugar das prisões o estado deveria investir na saúde e na educação que são duas necessidades básicas para a população. Infelizmente ainda temos comunidades compostas de analfabetos. (Relato de Dom Lucena em visita a uma comunidade de sua diocese).
É lamentável! Estas duas necessidades básicas estão em perfeito estado, mas só no guia eleitoral onde aparecem as fachadas das escolas e dos hospitais. Chegue lá e, in loco, veja como se dá o funcionamento das atividades.
Ninguém precisa mais dizer que a prisão é o pior caos da nossa organização social. Só o estado, e quem estão a serviço dele, vai dizer que o sistema está funcionando bem. Quem não proceder assim, perde a função e o espaço que ocupa na instituição. Até quem vem de Brasília, chega aqui, sem saber da real situação da Paraíba, irresponsavelmente, faz a bela figura ao dizer que aqui a situação é boa em relação ao sistema prisional.
Quem acompanha o sistema, com quem tenho contato, como juízes e promotores, sabem da verdadeira situação onde acontece de tudo: o que imaginamos e o que nem chegamos a cogitar.
No momento, vivemos a maravilha e a bondade da propaganda eleitoral. O povo está sendo visitado nas cidades e nos sítios: é uma visita interesseira, eleitoreira. O político faz a bela figura, precisa do voto de todos para assumir o poder, depois... Já sabemos o que acontece. As promessas são as mesmas, só feitas, nunca cumpridas plenamente. O povo vota, na sua maioria, só por obrigação, pois não acredita no político que vota. Sabe que não existe sinceridade, seriedade, verdade, compromisso, honestidade, estas, prerrogativas para que se delegue poderes a quem nos representa. O povo já sabe que as promessas são falsas e mentirosas. Depois, tudo continua como estava. São praticamente os mesmos fatos que se repetem na historia. Se alguém tem elementos novos, por gentileza, me apresente.
É claro que nunca podemos perder a esperança. Temos que olhar de forma critica para a realidade sem perder o horizonte de dias melhores, infelizmente, os nossos representantes não nos permitem olhar os nossos horizontes na expectativa da esperança.
 
 
pebosco

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