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domingo, 24 de outubro de 2010

Um ano de silencio

O presídio do Roger, em João Pessoa tem sido um péssimo exemplo para o sistema penal do estado. Em 1997, quando o diretor e alguns agentes foram tomados de refém, o desfecho final foi desastroso. A polícia foi capaz de resgatar com vida os reféns, graças a Deus, mas não quis o mesmo destino para os demais que foram assassinados. Ouvi certa vez de uma pessoa de alta confiança ligado ao estado, que o numero dos mortos naquela época teria sido maior do que aqueles apresentados na chacina. A mim nada me autoriza a afirmar ou negar.
No ano próximo passado, exatamente no dia 23 de novembro outra grande tragédia transformou o presídio do Roger em um cenário nacional. Um incêndio que praticamente destruiu todo um pavilhão.
O que realmente aconteceu? Oficialmente ninguém sabe. O Site Paraíba.com, do dia 23 do corrente ano fala sobre 15 mortos e mais de 50 feridos, apresentando como o fato mais grave do sistema penal da Paraíba.
Em torno desse episodio permanece o mistério. Até hoje realmente não se sabe o que aconteceu.
As noticias, desde o primeiro momento, foram incompletas e contraditórias. A primeira informação é de que tinham sido 12 o numero de mortos, mas a noticia foi negada pelo estado.
Tive a oportunidade de adentrar ao Hospital de Trauma juntamente com o Padre Guido, poucos dias após a tragédia e pude ver os inúmeros corpos agonizando nas salas de Utis com um mau cheiro insuportável de corpos destruídos pelo fogo.
Qual é a situação hoje a respeito daquele fato?Até hoje ninguém sabe oficialmente o número exato de mortos. A imprensa ia noticiando a cada dia os óbitos.
Depois certamente houve uma orientação para que mais nada fosse divulgado. A partir daí, um silencio absoluto. Parece até os tempos da ditadura quando os presos políticos eram mortos sem que a família tivesse o direito de sepultá-los. A impressão que se tem é que o estado não investigou e não puniu ninguém. Comportou-se como se fosse o dono dos presos. A imagem que fica é esta: o estado brasileiro ainda traz consigo resquícios do autoritarismo no sentido de armazenar as informações e mantê-las às escondidas. Um estado que não tem satisfação para dar à sociedade e as suas instituições.
A metodologia adotada pelo estado de fato revela algo de muito sério e lamentável. Como confiar em uma instituição que ainda se comporta desta maneira, sem transparência alguma?
O silencio é justificado. Afinal, quem perdeu a vida? Gente considerada de má fama. Uma prisão composta de pobres, de jovens dependentes das drogas, de negros, certamente muitos presos provisórios, sem a justiça determinar o cumprimento da pena. Pessoas para as quais a sociedade que se julga impecável na sua hipocrisia, só deseja castigo e morte.
Na sociedade ninguém vale pelo que é, mas pelo nome, pelo prestigio e pela fama. Imagine no mundo de uma prisão.

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