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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

NATAL


Estamos nas proximidades do Natal mais uma vez. Todos os anos a mesma data se repete na celebração do nascimento do menino Jesus. Desde o seu nascimento até os nossos dias a sua proposta de vida fica como algo ainda a desejar: um mundo segundo o desejo de Deus, conforme encontramos na criação quando Deus viu que tudo era bom.
O que nós celebramos não é aquilo que nós vivemos. Estamos aquém de um mundo segundo o desejo de Deus.
As divisões, as guerras, a violência, a fome, as doenças, o aborto, são realidades que afligem a humanidade em todos os lugares do mundo. Mesmo assim continuamos celebrando o Natal. Não conseguimos alcançar a grandeza do fato e transformá-lo em vida na construção de um mundo novo.
A questão prisional no mundo é símbolo da pratica de muitas injustiças cometidas e símbolo de morte para tantos. Um pernambucano ficou preso injustamente por 19 anos. O fato foi considerado pelo STF como o maior erro judicial da história do Brasil.
No Espirito Santo, homem fica preso por dois anos, vítima de uma série de erros da polícia e da justiça.
 Pedreiro fica preso injustamente por 5 meses após perder os documentos. Preso por engano. Preso por 30 anos nos Estados Unidos acusado injustamente por estupro é libertado. Trabalhador, batedor de Açaí, preso injustamente luta por liberdade.
Estas manchetes e tantas outras são facilmente encontradas e revelam a grave situação de injustiça pela qual passamos. Se 40 por cento da população brasileira detida é provisória, é um grave sinal de injustiça. Temos um país que prende mas é incapaz de administrar depois a situação.
Como entender situações dessa natureza? Pessoas presas injustamente e esquecidas nas prisões. Como podemos celebrar o Natal diante dessas situações? Como nos confraternizar? Como os responsáveis por situações dessa natureza vão à missa e ao culto?
A nossa fé precisa caminhar junto de nossas práticas e da nossa vida. Natal é festa da vida. Não podemos ser a favor de uma cultura de morte, defendê-la e alimentá-la.
Em recente mensagem o papa Francisco falou sobre o Natal com as seguintes palavras:
 “O Natal é “festa de confiança e esperança”, é preciso “reconhecer no rosto de nosso semelhante, sobretudo nos mais fracos e marginalizados, a imagem do filho de Deus feito homem (...)No Natal, Deus se manifesta não como alguém que está no alto e domina o universo, mas se agacha, abaixa até a Terra, humilde e pobre. Para sermos iguais a ele não temos que nos colocar acima dos demais, mas nos agachar, nos colocar a serviço, nos fazermos pequenos com os pequenos e pobres com os pobres”.
De fato, a grande incoerência da vida cristã é esta: que não somos capazes de perceber e reconhecer que no outro, independentemente de sua situação está Jesus, o mesmo que nasceu, o mesmo que morreu, o mesmo que o louvamos em nossos cultos.
É hipocrisia cristã, dizer-se pessoa cristã e se tornar pessoa que defende a destruição do ser humano, se colocando acima dele como diz o papa.
Por último, ainda diz o papa: “É uma coisa feia quando se vê um cristão que não quer se agachar, que não quer servir. Um cristão que se pavoneia é feio. Este não é cristão, é pagão. O cristão serve e se agacha”.
Que este tempo de Natal nos ajude a pensar que o mundo poderá ser melhor se cada pessoa abrir mãos do seu egoísmo e se aproximar da outra pessoa como sua irmã. Natal é isso! Simplesmente Deus quis se aproximar e se fazer um de nós. Basta que compreendamos e realizemos isso para que o nosso Natal seja verdadeiro.
pebosco@yahoo.com.br

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