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domingo, 16 de setembro de 2012

Encontro no Chile


No Chile, participei com o padre Valdir, do encontro do Cone Sul. Presentes os países: Brasil, Chile, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Argentina e Colômbia. Com o padre Valdir, que é coordenador nacional da Pastoral Carcerária, estávamos representando todos os agentes de pastoral do nosso país.
Por primeiro, foi um encontro de partilha da realidade e as experiências da pastoral em cada realidade. Cada país tem a sua dinâmica a partir de sua realidade prisional. Os problemas são comuns: superlotação, drogas, violência, castigos, etc.
O tema do encontro: “O sonho de Deus, um mundo sem prisões.” Este tema é novo, mas tem sido discutido outras vezes. Para muitas pessoas se trata de algo ainda inconcebível. Como não ter prisões? E o castigo para os criminosos? Nestas perguntas está o esquema de uma sociedade que não tem por preocupação o retorno sadio do ser humano para o convívio social.
Está comprovado por todo o mundo que a prisão não traz nenhum benefício para a sociedade. Ela tem produzido muitos malefícios para quem passa pela prisão, para as famílias e para toda sociedade. É necessário buscar outros caminhos para lidar com os conflitos e para recuperar as pessoas com suas tendências para o crime.
Neste tema, não se deveria mais construir prisões que são muito caras e apenas ajudam para ampliar a violência e a corrupção. Não se tem noticia de alguma prisão que realmente deu certo. Isso não significa que se está defendendo a impunidade, não!
As penas alternativas, por exemplo, impõem mais responsabilidades do que a reclusão. Colocar a pessoa para uma prestação de serviço à comunidade é mais exigente e mais producente para ela do que deixa-la no ócio total de uma prisão. Reclama-se que o acompanhamento não é feito, então, que se busquem alternativas para o monitoramento. Isso não é impossível.
Outro caminho alternativo é a justiça restaurativa. Uma pratica que se vai ampliando cada vez mais. Ela evita a espiral da violência porque refaz as relações entre agressores e vitimas. Outras iniciativas devem ser pensadas. Deve-se levar em conta cada pessoa com suas particularidades. O que não é mais compatível é a prisão pela prisão, como tem acontecido, como o estado não tivesse mais inteligência e fosse incapaz de pensar e recriar algo novo para uma complexa realidade.
Para quem acha ser impossível um mundo sem prisões pode imaginar e perceber que nas sociedades primitivas ainda hoje não existem prisões. Isso não significa que não exista a criminalidade, no entanto, a forma de lidar é diferente. É evidente que nas sociedades tidas como atrasadas, ou não civilizadas, existe mais sabedoria do que em nossa sociedade tida como evoluída.
Devemos ter presente que a prisão afeta toda família. Têm-se mais de quinhentas mil pessoas detidas, devemos multiplicar esse numero por no mínimo seis pessoas e vamos perceber que o nosso país detém uma multidão encarcerada sendo tratada com total desrespeito e humilhação quando visita a unidade prisional de seu familiar.
Para a reflexão teológica da pastoral carcerária, que pretendo abordar em seguida, o Sonho de Deus é realmente um mundo sem prisões.



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