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quarta-feira, 30 de junho de 2010

PEDRO, ADVOGADO E MISSIONARIO

A palavra, sozinha, não convence. É necessario o testemunho. Este sim, encanta ou decepciona; evangeliza ou escandaliza. São os exemplos que ganham o mundo.
A Pastoral Carceraria Nacional, por um periodo  teve a oportunidade de contar com a colaboração de Pedro Yamaguchi Ferreira. Um jovem com vinte e sete anos, muito intelegente, bom advogado, um futuro brilhante, muito competente, de familia bem estrutura: o pai deputado federal por São Paulo e a mae advogada, familia muito bem relacionada na sociedade, na igreja e de formaçao cristã.
Visitando as prisões como advogado, o Pedro começou a desenvolver dentro de si um desejo de servir como missionario. Missionario se é aonde se está. Mas missionario se é indo tambem ao encontro de outros povos, de outra cultura, de outras necessidades. Assim, Pedro encarnou em sua vida a mensagem de Jesus: Deixou pai e mãe, deixou a cultura de São Paulo, as suas relações, as oportunidades de trabalhar em um grande e bom escritório, para viver a missão na diocese de São Gabriel da Cachoeira no Amazonas, uma das mais pobres do Brasil, com 22 etnias indigenas. Quem sai, como Pedro, não tem apego, põe em primeiro lugar o ideal da vida cristã de servir a Deus na pessoa necessitada. Ele agradeceu muito à Pastoral Carceraria o seu aprendizado. Disse Pedro: “Essa minha decisão de viver essa experiência na Amazônia é fruto do convívio com a realidade dos cárceres e a realidade social em sua forma mais cruel, o lado B de nosso País: o País dos esquecidos, dos humilhados. Pude estar em contato com a miséria da miséria, a injustiça, a segregação social e racial, a dor, o esquecimento. Ter visto de perto situações desconhecidas pela maioria das pessoas, ter conhecido um País que ainda maltrata seus cidadãos, tudo isso me despertou pra necessidade de luta, de trabalho para a profunda transformação dessa realidade.”
Depois de 3 meses em São Gabriel da Cachoeira, chega a noticia de seu falecimento: foi levado pelas aguas do rio Negro.
Lendo a fala de Pedro na missa de envio, é possivel perceber que se tratava de uma pessoa muito bem formada e infomada. Tinha uma clara visão da sociedade em que vivemos com todas as suas contradições e desigualdades; era inconformado com as indiferenças, com a distancia entre ricos e pobres, com a destruição da natureza, com a discriminaçao racial, mas não era um revoltado. A sua fala é cheia de esperanças de um mundo melhor. Assim deve ser o profeta que denuncia mas tem o papel de anunciar a alegria e o desejo de um mundo melhor.
O seu desejo de ajudar os mais pobres e mais afastados do nosso pais poderia ser suprido sem sair do proprio lugar mas o seu desejo era maior do que simplesmente ajudar. A presença solidaria era o desejo primeiro de Pedro, o que deve ser o comportamento do verdadeiro missionario. A sua facilidade de se inculturar era grande: um carisma que lhe era proprio.
Os testemunhos são inumeros e bonitos a respeito de Pedro. Ele poderia ser um carreirista em busca do dinheiro, como é comum em sua profissão mas pelo contrario preferiu o caminho da generosidade , da doação e do serviço. Por isso ele surpreendeu o nosso pais.
Ele entendeu a mensagem de Jesus que veio para servir e nos pede a mesma coisa; ele entendeu que a pessoa presas é a mais pobre de todas e que nela Jesus está presente, por isso, a visita semanal era muito importante para Pedro. Dizem os jovens de São Gabriel da Cachoeira: “A delegacia de São Gabriel, foi o espaço social onde o Missionário Pedro pode melhor pisar o chão da dor do nosso povo, em particular da nossa juventude. Seu coração pulsava forte pela Pastoral Carcerária.”



Pe. João BOSCO F. do Nascimento



Coordenador Estadual da Pastoral Carcerária da Paraíba

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