Pesquisar este blog

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Natal, mais que uma Festa.

Próximos, do final do ano, vivemos as expectativas do Natal (nascimento) de Nosso Senhor Jesus Cristo. O natal realmente é a festa da confraternização universal, entendida não como um momento transitório, mas como algo que deve se prolongar por todo o ano que se aproxima e por toda vida. Confraternização não entendida como uma pratica restrita a algumas pessoas e em um determinado tempo.

A manifestação de Deus através do nascimento de seu filho é para oferecer a toda humanidade as mesmas condições de vida e de paz sem nenhuma exclusão, pois em Deus não existe acepção de pessoas. Na imaginação poética do profeta Isaias, até o reino animal em seus opostos se confraternizará: O lobo e o cordeiro, por exemplo, comerão juntos.

O natal acontece exatamente nestas expectativas. O lugar do nascimento do menino é fruto da falta de acolhida e de solidariedade muito presentes em nossa mentalidade profundamente egoísta. Foi por isso que o nascimento se deu na cocheira, lugar reservado para os animais. Por isso o evangelista vai dizer que Jesus, na qualidade de judeu veio para os seus, mas não foi recebido por eles. Os únicos que foram comunicados a respeito do fato foram os pobres pastores, também marginalizados pela profissão que exerciam acompanhando o rebanho.

O natal é celebrado com muita festa: luzes, presentes e a ceia, mas a realidade é totalmente outra para uma grande maioria marcada pela pobreza, pela fome, pelo analfabetismo, pela doença, pelo desanimo e pelas falta de esperança. Não nos comportamos como nação e muito menos como cristãos. A desigualdade social é o mais grave desafio para uma sociedade que se diz civilizada e desenvolvida. Se o nosso país se desenvolveu economicamente, não podemos dizer o mesmo a respeito dos verdadeiros sentimentos de humanidade e de fraternidade. Temos que admitir esta realidade como condição para a superação das indiferenças. Não é possível celebrar o natal de verdade, sem eliminar as barreiras e muros que nos separar. João Batista recorda que todo vale deve ser aterrado e todo monte deve ser nivelado. O que realmente significa isso na vida de cada ser humano hoje em seu trabalho? As nossas festas de natal, de ano, de páscoa, padroeiros, aniversários, são momentos muitas vezes para o pecado da gula pela comida e pela embriaguez. É por isso que temos uma parte da população obesa e outra grande parte morrendo pela desnutrição. A fome no mundo é um escândalo porque é fruto do luxo egoísta de alguns. É interessante porque as confraternizações vão até o momento em que se come. A partir dali nada mais acontece. Dá para lembrar o apostolo Paulo que diz aos coríntios por ocasião da celebração eucarística: quem vem só para comer, esquecendo-se dos outros, coma em casa.

Se quisermos realmente celebrar o natal, não só como festa, mas como acolhida verdadeira daquele que nasce, devemos rever nossa vida, sobretudo na superação de um espírito mesquinho para atitudes que nos ajudem a alargar o nosso coração. Não podemos nos esquecer que Deus nos presenteou neste tempo com a maior riqueza que alguém poderia ter. Deus armou a sua tenda, ou em nossa cultura, a sua rede entre nós, em nossa casa, isto é, em nosso coração. Já recebemos tudo, aprendamos a doar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário