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sábado, 6 de março de 2010

Diferenças e semelhanças na prisão


As prisões em nosso país e no mundo assumem características muito parecidas enquanto deixam transparecer também as diferenças. O noticiário nacional apresentou a cela do governador Arruda em Brasília: Um apartamento de um hotel que dispõe até do conforto de um ar condicionado muito propicio para os tempos do calor que estamos passando. Mesmo assim, a sua defesa ainda reclama das precariedades do ambiente. Na realidade a única coisa que lhe falta é a liberdade: aquele direito natural de ir e vir que todos precisam ter. Comparando a sua prisão com as demais aqui está a grande diferença, é que nas outras prisões falta quase tudo para a grande maioria que é pobre. A questão fundamental é que na prisão tudo funciona como na sociedade: a quem pode pagar não lhes faltarão as melhores condições, até sair pela porta da frente, como se nada tivesse acontecendo, como se fosse por ordem da justiça, mas, na realidade, é por ordem da grana paga. Quem não dispõe de recursos financeiros fica na prisão para alem de sua pena como acontece por aqui. Lembram-se do mutirão do Conselho Nacional de Justiça? Ainda há quem diga que em nossas prisões existem regalias: para alguns sim, os endinheirados.
Fui procurado por um casal para dialogar sobre a situação do filho, muito jovem que passou por uma experiência na prisão em nosso estado.
Aquele rapaz nunca tinha tido contato com a droga, mas na prisão ele se envolveu com o vicio. O casal nada entende de prisão, mas já fazia a leitura da situação: o sistema penal, com as dificuldades de vaga, não consegue separar quem é provisório e quem é condenado. Quem tem muitos anos para cumprir na prisão, dizia o casal, já não tem mais esperanças e arrisca a própria vida, se entrega ao vicio, etc.
De fato, o estado apenas cumpre aquele papel de trancar, segregar da vida social, mas nenhum recurso para trabalhar um processo de formação e de resoscialização.
Os projetos do governo federal são mais marketing para fazer a propaganda das ações do que realidade pelo fato de atingirem o mínimo possível de reclusos.
Aquele casal gastou bastante com advogados. Em um curto tempo, já estavam no terceiro advogado. Só o ultimo cumpriu a promessa para deixar aquele jovem em liberdade. Livre da prisão, mas escravo das drogas que circulam nas unidades prisionais.
Começa agora uma segunda luta daquela família que é levar o rapaz para uma fazenda de recuperação: elas já são muitas espalhadas pelo país. A sorte é que a vontade da família se junta com a vontade do rapaz que começa e se preparar para uma nova etapa, longe da família, sem visita, mas em vista de uma recuperação.
Um dos problemas mais graves da saúde publica hoje é a dependência química por não ter prioridade no atendimento.



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