16 de junho de 2020

SITUAÇÃO DO BRASIL



16/06/2020
PE BOSCO

O mundo continua perplexo diante da pandemia.  Quem conviveu com a doença antes do Brasil, como China, se imaginava ter superado  a situação, no entanto, agora se fala em nova ou segunda  onda, sinal de que não temos soluções ainda para Covid 19.
O Brasil continua numa crescente onda sem se ter clareza para onde vamos. Todos os dias os números são maiores, tanto de mortos como de pessoas infectadas.
O ministério da Saúde está em silêncio, como o presidente estava pretendendo desde o início do problema.  Por haver uma comunicação freqüente com a população do país, no final de cada dia, a equipe do Ministério foi substituída.  Hoje a tendência é de que não se saiba exatamente quem morre e quem fica doente.  Parece não termos no momento uma política de enfrentamento da pandemia. Tudo acontece de forma muito silenciosa.
O presidente incentivou aliados a invadirem hospitais para fotografarem leitos para sondar taxas de ocupação para avaliar aplicação de recursos. Esse tipo de ação já começou a acontecer: atitude gravíssima uma vez que familiares e até médicos estão impedidos de acesso à informação, como é possível ações dessa natureza? As mesmas começam a serem investigadas pelo Ministério Público.
No momento a preocupação é abrir o comércio em todos os lugares. O assunto é cheio de controvérsias. No início o grande apelo era o isolamento social como condição para evitar a contaminação, o que na verdade não aconteceu uma vez que as pessoas se mantiveram expostas em muitos lugares, ou seja, não é possível fazer com que aconteça o isolamento social e, muito, menos as medidas de proteção, o que seria mais fácil.
O que se pode imaginar a partir de agora? Aquelas pessoas mais conscientes e condições de se manterem em casa, certamente ficarão cuidadosas; aquelas que se aventuram demais e com imunidade baixa correrão riscos de enfrentarem problemas maiores de saúde; por fim é necessário que chegue a hora de uma vacina como sempre aconteceu com outras doenças que o Brasil já enfrentou.
O fato é que neste momento estamos numa situação muito obscura. O Brasil, pela sua grandeza populacional e sem a consciência coletiva sobre a gravidade da situação poderá sofrer muito mais do que outros países, sobretudo pela falta de uma política equilibrada e séria.




12 de junho de 2020

COMUNICAÇÃO



12/06/2020
PE BOSCO
Este tempo atípico tem suscitado muitos gestos de solidariedade, inclusive de grandes empresas internacionais, mas, também através de iniciativas de grupos e pequenas organizações.
Estas iniciativas chamam a nossa atenção para outros aspectos que devemos considerar. Dentre eles devemos lembrar que a solidariedade é uma necessidade permanente. Sempre teremos situações que nos esperam, sobretudo, a fome e a doença. Com doações tão altas significa que as empresas acumulam muitas riquezas. É louvável o que está sendo feito, no entanto, algo poderia ser pensado de forma mais permanente, como dimensão social de quem arrecada muito dinheiro através do lucro podendo, inclusive, explorar os trabalhadores  com a negação de salários e direitos dignos.
Outro perigo dos tempos de calamidade pública é o destino dos recursos, tanto das doações como das verbas federais. Nessas macroestruturas corre-se o risco de tantas pessoas não serem atendidas nos lugares mais afastados. Certamente muitos problemas dessa natureza parecerão posteriormente. Assim acontece nos períodos de seca e de enchentes.
Outra situação recorrente deste tempo de pandemia é a questão da comunicação. Em tempos normais os grupos ou pessoas de tantas entidades, não faziam questão de interagir e ter preocupação pelo outro. Agora existe uma preocupação exagerada, é um pensamento pessoal, de fazer muitas lives, talvez até para suprir uma necessidade deixada para trás.
Bom que se faça uma séria reflexão. As organizações sociais, civis ou religiosas,  muitas vezes só pensam na eficácia, nos resultados, no aspecto exterior, sem pensarem nas pessoas, das quais dependem os resultados das referidas instituições.
Todas essas demandas de lives estão sendo realizadas em função de quem? É claro que as estruturas devem ser levadas em conta, no entanto, não podemos nos esquecer das pessoas e em que situações as mesmas se encontram. Na verdade, esse aspecto continua longe das preocupações. Sim, temos que pensar nos outros, no entanto, esse pensar e agir sobre ou para ou com os outros passa também pela nossa situação e de como nós nos encontramos e como nos sentimos.
O grande problema é de que esse tempo tão diferenciado possa não trazer nenhuma mudança para a história e o coração das pessoas, o que será muito grave, tanto quanto a pandemia.
Quem é mais importante a pessoa ou as estruturas da sociedade?

9 de junho de 2020

MANIFESTAÇÕES


09/06/2020
PE BOSCO
As cenas de violência nos Estados Unidos quando policiais brancos mataram George Floyd em via pública, suscitou a indignação pelos países a fora. A causa da violência foi uma nota falsa no valor de 20 dólares. Pelo que entendi o dono do comércio tentou evitar aquela morte, mas a polícia insistiu em tirar a vida do ex segurança.
Pelo que também entendi a violência não se deu simplesmente por causa do dinheiro. Qualquer pessoa pode ser vítima de uma nota falsa e isso não é motivo para tirar a vida de um ser humano. O dinheiro jamais poderá estar acima das pessoas.
Por trás do fato está a desgraça do racismo que considera negro como se gente não fosse e, por isso, deve ser eliminada. Alguém dizia que uma questão brutal e desumana desencadeou algo positivo que são as manifestações.
De fato, não só nos Estados Unidos, mas em vários outros países, as pessoas foram para as ruas para externar as insatisfações; mostrar a indignação pela forma como as pessoas negras são tratadas simplesmente por causa da cor.
O Brasil também tem um histórico de grandes manifestações.  Nos anos 83 e 84 o povo foi às ruas de forma surpreendente no Brasil para ter o direito de escolher pelo voto o presidente da república, o que aconteceu pela conhecida emenda constitucional Dante de Oliveira.
Em todo caso, as mudanças acontecem com a manifestação das bases em cada país.  O Brasil mesmo em pandemia e, por isso, ainda de forma tímida, saiu para a rua em várias capitais nestes dias, condenando o racismo e defendendo a bandeira da democracia.
As manifestações do Brasil que certamente irão crescer se dão por conta do racismo e também por causa de pedidos isolados, inconstitucionais a favor da ditadura, do fechamento do congresso e do supremo. Os ministros, a OAB, o congresso, governadores, entidades da sociedade e associações estão de manifestando de forma dura contra essas praticas. Na verdade, se vive uma realidade muito atípica no Brasil, de total instabilidade e imprevisível.
Até a transparência sobre as mortes no Brasil está sendo sob ameaça de omissão para que a sociedade possa não acompanhar a real situação. As secretarias de saúde dos estados já estão fazendo uma contagem independente por não confiarem nesta tentativa do ministério da saúde para omitir a realidade.
Nunca podemos perder as esperanças, mas o cenário político, sanitário e econômico para os mais pobres é dos piores. Os mais abastados também não escapam da crise.
A única solução ou caminho viável é dizer não a tudo o que destrói a vida humana, estar do lado da vida e contra as instituições quando as mesmas defendem interesses desumanos.


REALIDADE PRISIONAL


08/06/2020
PE BOSCO

Por mais de 20 anos tenho acompanhado a realidade prisional do Brasil com o olhar mais próximo da Paraíba. O sistema com o crescente número de presos tem cada vez se agravado pelo fato de não se conseguir trazer mudanças significativas para o mesmo.
A superpopulação é o grande drama. Os que são presos lá permanecem sem que a justiça defina as suas situações. Aguardam por anos até para que se consiga uma sentença. Enquanto isso, a pessoa já se envolveu e até se comprometeu com a realidade do cárcere e não consegue mais se tornar livre dos esquemas do mundo das drogas, por exemplo.
A ociosidade os mata em celas trancadas por até 22 horas e até tempo integral, dependendo da situação. É que os estados não dispõem de uma política diferente daquela que é de mantê-los trancafiados sem nenhuma atividade. As escolas existentes são tímidas demais pela falta de espaço. Salas de aula se transformam em celas para abrigar novos presos.
Na Paraíba temos uma longa história construída com muitos problemas relacionados com a prisão e os agentes de pastoral carcerária por causa de um sistema muito duro e fechado, marcado também por muita violência, rebeliões e mortes. Temos muitos relatos a respeito.
Hoje podemos dialogar mais com o estado e com o judiciário com mais facilidade e mais acesso.  Dr. Carlos Neves, Dra. Lilian Cananeia e Dr. Marcus Salles, atual juiz corregedor, enquanto judiciário, estão atendendo bem aos apelos que são feitos pela sociedade, no acompanhamento das unidades prisionais. Também com a secretaria, através de diretores da SEAP e dos Secretários Sérgio e João Paulo se tem conseguido amenizar situações, no entanto a realidade é muito desafiadora e temos um caminho longo a percorrer.
O CEDH PB tem dado também uma grande contribuição uma vez que seus membros são constantemente procurados por pessoas diversas que pedem ajuda sobre pessoas detidas. O CEDH que é composto por entidades importantes da sociedade civil e governamental, tem sido de grande importância em toda a sua história em favor da vida como um todo. Hoje Guiany Campos compondo a presidência.
Estamos vivendo um dos piores momentos por conta da pandemia. Nunca, mesmo com as dificuldades, nunca a família deixou de visitar seu familiar como agora. Já estamos por três meses, sem que a pessoa detida possa receber o apoio humano pela visita de filho, esposa, esposo ou pais.
Isso tem gerado muita insegurança, medo e angústia. Em alguns lugares se consegue um contato por videoconferência que dá apenas para que se consiga se vê, mas nem para dialogar a vontade é impossível por ser um encontro monitorado.
O isolamento está redobrado, mesmo assim, o vírus tem chegado aos apenados e também aos agentes penitenciários, que precisam se mobilizar de suas casas para as unidades e vice e versa. Igualmente as unidades sócio educativas de nosso estado também estão atingidas pelo vírus.


6 de junho de 2020

RACIMO É CRIME



06/06/2020
PE BOSCO
Nos Estados Unidos manifestantes estão nas ruas todos os dias e cada vez mais aumenta a participação do povo. Esse povo até arrisca a própria vida se expondo à violência, mas a causa é muito nobre.
Em via publica, diante de câmeras, um policial branco matou um negro deixando-o sem respirar até à morte com o joelho em seu pescoço. Esse fato reacendeu o sofrimento que os negros sofrem por lá e pelo mundo a fora com a discriminação racial.
A manifestação é justa e muito significativa. A união desse povo para chamar a atenção e manifestar indignação. Que país desenvolvido é esse? Que mundo é esse que vivemos? Como destruir, matar o outro, o próprio semelhante por causa da cor da pele?
Bom não esquecer de que no Brasil, 46,5 por cento se declaram pardos e 9,3, por cento se declaram negros. Essa população sofre com a discriminação. Nas unidades prisionais, grande maioria é de jovens negros, como também são que mais morrem vítimas da violência estatal.
Em lugar nenhum do mundo se é melhor por causa da cor. A expressão: “negro de alma branca” é uma aberração, pois não se defina a alma pela cor. O racismo mata, o racismo é criminoso.
A pessoa humana não se define pela cor, mas pelo comportamento e pelos valores que defende; pela sua capacidade de amar e pela sensibilidade do seu coração.
No site bbc. com, encontra-se um texto com o título: “Negros e negras brasileiros que deveriam ser mais estudados nas escolas”. Texto que mostra a contribuição  de homens e mulheres na nossa história brasileira.
A questão é de que a nossa história foi sempre contada a partir dos brancos portugueses que aqui chegaram. A leitura oficial que aliena a nossa juventude. Como sabemos, o processo de colonização do Brasil dizimou muitas vidas, a cultura indígena ainda hoje sendo destruída e massacrada, como também a cultura negra escravizada no Brasil, ainda hoje carregando as marcas de tempos remotos.
É impossível e inadmissível que ainda hoje convivamos com essa barbárie praticada com a população negra, sobretudo por ser pobre. Estamos muito distante ainda de uma mentalidade humanitária por causa do preconceito que carregamos dentro de nós. Porque o preto é valorizado até nas vestes, inclusive, a clerical e se torna tão desprezível e humilhada na carne humana?
 O próprio Jesus, sendo Galileu,  poderia ter olhos de europeu?

4 de junho de 2020

TRINDADE


04/06/2020
PE BOSCO
Estamos para celebrar a festa da Santíssima Trindade. No credo professamos a nossa fé em Deus Pai todo poderoso criador do céu e da terra. Estamos habituados a pensar o poder como dominação, escravidão e opressão. Talvez alguém possa imaginar essa experiência a partir de Deus, como assim acontece na vida. O que significaria na vida das pessoas pensarem um Deus todo poderoso?
Professamos também a fé em Jesus Cristo seu único Filho nosso Senhor. Em seguida o credo descreve a condição do Filho e o que lhe aconteceu: Paixão, Morte e Ressurreição. Em seguida cremos no Espírito Santo, na santa igreja católica, na comunhão dos santos na ressurreição dos mortos e na vida eterna.
A nossa fé é trinitária, um Deus uno e trino. Nunca só o Pai eterno, só Jesus ou só o Espírito. Corremos o risco de em nome das nossas espiritualidades fazermos reducionismos que descaracterizam a ação de Deus em nossas vidas.
Já sabemos que na criação, como na redenção e na santificação, a Trindade santa age conjuntamente. Deus no seu mistério de amor não se separa. Deus é a mais perfeita e melhor comunidade guiada pelo amor. Deus amou tanto o mundo que nos deu seu próprio filho. João 3,16.
O conceito de Deus na vida das pessoas e das comunidades faz toda diferença.  Se Deus para nós é alguém muito estranho e distante, a nossa forma de viver a fé assim também será como também as relações com a comunidade serão diferentes.
Não podemos fazer Deus à nossa imagem e semelhança, mas o contrário, pois assim ele nos fez por amor e sem mérito nenhum de nossa parte. Ao enviar o Filho, o verbo, a palavra presente na criação e que se fez carne, podemos assim conhecê-lo. Como disse Jesus, que Ele e Pai são um só e quem consegue vê-lo, verá também o Pai. João 10,30. João 14.
Assim, a cada ano podemos celebrar a festa da Trindade Santa na certeza de que Deus não é um ausente e despreocupado, mas aquele que pela ação trinitária nos acompanha em todos os momentos de nossa vida, e muito mais presente do que aquelas pessoas que as consideramos como mais íntimas. Deus é o mais íntimo de todos nós por fazer em nós a sua morada.
Ao iniciar a nossa oração em nome da Santíssima Trindade, tenhamos a consciência de que estamos diante da mais profunda verdade de nossa fé. Temos um Deus que se manifesta cheio de amor e bondade.

  


3 de junho de 2020

MÊS DE JUNHO



03/06/2020
PE BOSCO

Estamos no mês de junho, um tempo de muita alegria para o povo do nordeste. Como o carnaval em outros estados, mas também em parte do nordeste, junho é momento de encontro das famílias. Os que se encontram distantes, como Rio, São Paulo, ou outros lugares, conseguem férias e chegam à terrinha para o encontro junino com sua família.
Neste ano, com total excepcionalidade, começamos o mês sem perspectivas de que os encontros aconteçam. O nosso país está se encontra numa dolorosa curva ascendente com mortes freqüentes, mais de mil pessoas por dia. De forma inesperada o mundo está passando por essa terrível situação, de tanta dor para tantas famílias. Não bastasse a dor da perda, existe a dor do isolamento.
Nestes dias uma médica com o pai na UTI me informou que a família não tem acesso ao hospital e depende do contato da assistente social para receber notícias. É impossível imaginar algo semelhante.
Em todo caso, cada família está convidada a viver esse tempo festivo na anormalidade e sem o clima da alegria. Há recomendação de que nem as fogueiras sejam feitas. Alem da fumaça elas aglomeram também as pessoas. A chamada quarentena passou a ser um tempo longo, restringindo a vida da população.
O nosso país continua sem ministro da saúde. Aquele que faz as vezes, interinamente, caminha na provisoriedade o que é considerado muito grave em meio a algo tão grave como jamais se poderia imaginar.
O nascimento de João Batista foi motivo de muita alegria para o povo do seu tempo que esperava o messias. João foi o precursor e preparou os caminhos para a chegada do Salvador.
Vamos celebrar esse momento também esperando que pela intercessão de São João Batista, o maior entre os nascidos, segundo Jesus, nossas preces sejam atendidas para possa chegar uma solução definitiva para esta situação.
Nós cristãos vivemos da fé e da esperança. Estamos também nesta semana celebrando a trezena de Santo Antônio, grande padroeiro de muitas paróquias e dioceses. Milagroso Antônio, nosso padroeiro, encha de saúde e alegria o Brasil inteiro.
Assim vamos tocando, rezar e cuidar para que a normalidade com a graça de Deus possa voltar a fazer parte de nossa vida.

30 de maio de 2020

PARA PENSAR



29/05/2020
PE BOSCO

Procurar  valorizar mais a própria vida.

Valorizar a vida dos seus irmãos e irmãs.

Dar mais importância á própria família.

Perder tempo com os pais e com os filhos.

Valorizar os momentos de convivência familiar.

Rezar juntos e meditar a palavra de Deus.

Relativizar na própria vida situações que não sejam de fundamental importância.

Viver a experiência da caridade e da atenção ao próximo.

Ser solícito para com a outra pessoa em suas necessidades.

Ter paciência para atitude da escuta do seu semelhante.

Viver intensamente cada momento que a vida nos oferece.

PENTECOSTES



30/05/2020
PE BOSCO

Amanhã dia 31 de maio. Um dia cheio de muita importância na vida de nossas paróquias e comunidades.  Durante o mês se reza o terço seguindo a tradicional devoção a Nossa Senhora. Além do terço, da ladainha e da consagração se acrescenta a meditação da palavra de Deus.
A devoção já não é a mesma, mas ainda se reza em todas as noites em capelas, na matriz, mas também nas famílias até a noite da coroação que conta com a presença de muitas pessoas. Muitas senhoras, quando crianças, participaram da coroação e querem que filhas e netas também participem hoje.
No magnificat Maria diz que todas as gerações a chamarão de mulher abençoada ou bendita. Essa profecia se realiza, em todos os tempos, através das novas gerações e das aparições, claro, aquelas reconhecidas pela igreja.  Cresce, na verdade, cada vez mais a importância da mãe de Jesus, e nossa, ao longo da história.
Numa feliz coincidência, acontece na mesma data a festa de Pentecostes. Maria concebeu seu filho na força do divino Espírito Santo, como também, estava presente em Pentecostes no cenáculo com os apóstolos reunidos, por isso, faz muito sentido que assim celebramos esse momento singular que coincide neste ano.
Cheia do Espírito Santo, cheia de graça, isto é, cheia de Deus, Maria se, pôs a caminho para servir. Esse é o sentido também de Pentecostes; quem recebe o Espírito Santo abre as portas como aconteceu aos apóstolos e transmite a mensagem. A vinda do Espírito é para encaminhar aqueles ainda medrosos e trancados, para a missão. Ali começou a se propagar pelo mundo o evangelho através da pregação e do testemunho como no relata os Atos dos Apóstolos.  
O “IDE” de Jesus começou a ser posto em prática naquela ocasião e aos nossos dias, o apelo continua. A igreja, povo de batizados, deve se sentir a cada dia sempre mais interpelado. O Espírito de Deus é o mesmo e doador dos mesmos dons. A nossa atitude deve ser de acolhida e de vivência do mesmo mistério, como disse Maria ao anjo: “faça-se em mim segundo a tua palavra”. Lucas 1,38. Receber o Espírito é assumir essa mesma servidão para a missão como aconteceu a Jesus na sinagoga de Nazaré em Lucas 4, 18.
Assim, com estes sentimentos de confiança vivenciamos pela celebração da Eucaristia, a festa de Pentecostes e com ela a coroação de Maria, aquela que disse Sim a Deus e acolheu Jesus pela força do Espírito Santo.


29 de maio de 2020

CONVERSÃO



29/05/2020
PE BOSCO

Em tempos de pandemia temos as orientações suficientes para as medidas de proteção, mas, como acontece com todas as situações, cada pessoa é livre para fazer o que acha melhor ou pior para si. Costuma-se dizer que se é dona ou dono do nariz. Assim cada pessoa faz a sua escolha para o bem ou para o mal. Quando se arrepende em tempo consegue reverter situações, quando é tarde, não consegue mais refazer a vida acaba no prejuízo. Assim é a vida.
Na vida cristã não basta professar a fé, sem membro de uma igreja, estar ligado a esse ou aquele grupo.  Não é suficiente ter essa ou aquela função para se sentir numa boa condição na igreja. Algo mais exigente deve acontecer para que a vida cristã seja conforme a vontade de Deus.
No primeiro capítulo de Marcos, Jesus começa a sua missão. A primeira mensagem é um apelo para a conversão porque o reino está próximo. Ao longo de sua trajetória, a mensagem vai sempre seguida de um apelo à mudança, a transformação da mente e do coração. Arrependimento e conversão aparecem juntos tanto na bíblia como no sacramento da confissão e na teologia do sacramento da penitência.
A conversão não pode ser um simples sentimento, mas uma atitude radical que gera uma mudança de caminho. No livro de Joel capítulo dois está escrito: Rasguem o coração e não as roupas.
Rasgar pode ser destruir, desfazer ou abandonar, no entanto, aqui, rasgar tem o sentido de transformar para ter no coração sentimentos de uma vida verdadeiramente cristã.
O problema está na aceitação e na disciplina. Não se pode viver uma vida nova sem a mudança das atitudes, sem um novo plano. Dizem que o mundo não será o mesmo depois da pandemia. Poderá e não poderá. Vai depender de como cada pessoa está avaliando e percebendo a sua vida; se tiver se dando conta do que não deveria continuar, com ou sem pandemia.
Abandonar os velhos costumes não é fácil, trata-se de um grande desafio. As mudanças não acontecem por causa dos nossos apegos ao passado, aos nossos hábitos e costumes. Sempre vivi assim; ou sou assim; eu não consigo.
Conversão significa viver um processo diferente. São Paulo chegou a dizer, “Já não vivo eu, Cristo vive em mim”.  Gálatas 2,20. A conversão só será possível nesse processo. Enquanto se pensa em fazer aquilo que apenas se quer será impossível um processo de conversão.


27 de maio de 2020

UNIDADE CRISTÃ



27/05/2020
PE BOSCO

Estamos celebrando a semana de oração pela unidade dos cristãos. De modo geral, essa semana não tem muita repercussão nas comunidades menores.  Falta-lhes a consciência da importância desse tema tão desejado pelo próprio Cristo conforme o texto joanino no capitulo 17.
Em nossas comunidades existem muitos sinais de vida e de ressurreição, partilha e solidariedade. Mesmo assim, como acontece com o joio e o trigo, as divisões são muito freqüentes entre grupos e comunidades também. A falta de unidade e comunhão se tornam grave pecado contra  o desejo de Jesus.
Rezando pela unidade, que não anula a identidade de nenhum grupo, o desejo é de que todos trabalhem na cooperação missionária para a expansão do reino de Deus.
O desejo de Jesus é de que todos sejam um, João 17,21, de tal modo seja a comunhão e a possibilidade de trabalho em comum, cada pessoa com a sua peculiaridade e diferença, no entanto, todos colaborando com a mesma finalidade, sem disputas e indiferenças. Esse na verdade é o grande desafio do ser igreja hoje. Em nome da autonomia e da manutenção de interesses de grupos, prevalece o particular em detrimento da unidade e da comunhão eclesial.
Na festa de Pentecostes, celebramos a vinda do Espírito Santo sobre a igreja. Ele é o advogado prometido por Jesus para que se tenha a compreensão da missão apresentada como a alma da igreja. Alma quer dizer animo; sem alma não se tem vida. A igreja sem o Espírito será um corpo sem vida e jamais terá a possibilidade da unidade.
Na carta de Paulo, a primeira aos coríntios, capítulo 12, o apóstolo chama a nossa atenção sobre os diferentes dons, mas tudo provém do mesmo espírito. Isso significa que ninguém pode atribuir a si próprio os dons, mas precisa reconhecer que são provenientes do espírito.
São Paulo ainda acrescenta que o Espírito concede a cada pessoa o seu dom para o bem e crescimento da comunidade cristã. Assim é pelo espírito de Deus que devemos ser conduzidos. Como São Paulo em gálatas 5, 16 nos diz: “Deixem que o Espírito de Deus dirija a vida de vocês..”
Celebrando a festa dele, do Divino, tenhamos essa consciência de que a continuidade da missão passa por Ele que nos fará compreender todas as coisas. João 14,26.




26 de maio de 2020

TUDO EM COMUM




26/05/2020
PE BOSCO

Na comunidade dos Atos dos Apóstolos havia todas as dificuldades presentes também hoje em nossas comunidades e grupos. O apóstolo Paulo, que difundiu o cristianismo e fundou-as, precisou muitas vezes chamar a atenção das mesmas para o essencial, que será sempre o amou.
No império romano o cristianismo era perseguido, mas causava admiração a convivência entre eles. A partilha e a vida em comum, Atos 2, 42-47. Amor será em todos os tempos uma experiência, uma prática de vida. Os outros devem identificar em nossa vida, tanto pessoal como comunitária, quando foi que manifestamos de fato o nosso amor. Em que momento, fomos capazes de amar.
Jesus fala de amor aos inimigos. Trata-se do amor mais verdadeiro e mais cristão. Nada fácil é claro porém muito mais necessário. Em Lucas capítulo 6, 27, encontramos expressões assim: “Amem os inimigos, façam o bem, desejem o bem, dê sempre, façam aos outros a mesma coisa que desejam.” Aqui a palavra de Jesus aponta sempre para algo muito concreto, para o agir e um agir completamente diferenciado.
Mais adiante o mesmo faz um paralelo, entre a vida cristã e os agem de má fama.  Aqueles considerados de má fama amam os que lhes fazem o bem; emprestam a quem devolve; façam o contrário. Fazer como Deus que é bom para os ingratos e maus.
Por não termos esses mesmos sentimentos do próprio Cristo, como nos interpela Paulo, apóstolo em Filipenses capítulo 2, é que temos tantos desafios e problemas de  convivência: nos falta o verdadeiro sentido do amor cristão que brota do coração e da vida do nosso mestre e Senhor.   
 Nossas comunidades, nossos grupos, a igreja na sua estrutura como um todo, só cumprirá a sua missão, quando todo o seu agir evangelizador e mantenedor da disciplina, for motivada e guiada pelo amor.
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. João 13. Não podemos fazer de outra forma, não podemos agir diferente, até o fim, por mais difícil que possa ser. Mais difícil foi carregar a cruz, literalmente falando e nele ser pregado com total confiança. O amor que o levou a uma morte dolorosa ao extremo.
O amor se canta em prosa e verso, mas o amor se deve viver até o fim. Não existe prova de amor sem a doação da vida.

25 de maio de 2020

EUCARISTIA



25/05/2020
PE BOSCO

A eucaristia é um grande dom para a igreja. Jesus chamou e formou os seus discípulos.  Antes de sua morte, faz a celebração pascal, na qual, tomou o pão, como se fazia costumeiramente. Porém, desta vez surpreendeu os seus discípulos dizendo: “Isto é meu corpo”. Acrescentando: “Tomai e comei”. Assim ele oferece seu corpo e sangue.
A eucaristia é o maior dom. Nenhum outro sacramento é tão precioso, mesmo que todos sejam igualmente importantes. De todos os sacramentos, só na eucaristia nós podemos nele nos alimentar, tomar parte na ceia, banquete da vida divina.
Sem mérito de nossa parte, o Jesus nos presenteia todos os dias no mundo inteiro, através do ministério ordenado que é também dádiva de Deus e não merecimento do ministro.
Esse dom tão precioso é também um grande compromisso. Jesus também nos disse: “Fazei isto em memória de mim”. Essa expressão pode ser compreendida apenas como repetir o gesto na celebração, no entanto, se trata de algo muito maior. O que ele fazia era a entrega de sua vida para redimir a humanidade toda.
A eucaristia é feita de um grande compromisso. Podemos entender a eucaristia como um ato estritamente individual, como devoção espiritual. Pode-se ter comunhão diária sem ter uma vida eucarística, ou seja, voltada para o verdadeiro sentido da comunhão. O Cristo vivo da hóstia não se distancia do Cristo presente em cada pessoa, sobretudo naquela que não queremos enxergá-lo de tão desfigurado, sem vida.
Faz sentido a comunhão na mesa eucarística quando essa mesma comunhão se realiza com o todo, com os que sofrem. A comunhão deve nos levar a uma vida sem ódio, sem violência, sem brigas, sem desavenças, sem egoísmos, sem interesses e práticas desonestas.
Que adianta tanta devoção no domingo cheio e piedade para explorar o seu irmão que também participou da mesma mesa eucarística? Como recebo o corpo do Senhor partilhado, se a minha vida é tomada o tempo inteiro pela ganância?
Comunhão é vida plena para todos. Quem deseja a morte do seu semelhante, a pena de morte,  se encontra fora da comunhão como aqueles que mataram o Senhor.

23 de maio de 2020

ASCENÇAO DO SENHOR


23/05/2020.
PE BOSCO
O dia 24 de maio,  domingo da ascensão do Senhor. A sua volta para o Pai não é um ausentar-se ou um abandono do mundo e daqueles que ele chamou para estarem com ele. Muito pelo contrário, a sua presença permanece. 
A palavra marcante em Mateus 28 nesse momento de ascensão é: “Eis que estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo”. Ascensão, portanto, não tem a ver com uma volta ao pai como se ele simplesmente retornasse após cumprir uma tarefa. A sua presença será permanente, todos os dias, até que estejamos presentes neste mundo.
Jesus dá aos seus essa garantia depois que os envia. “Ide e fazei discípulos”. A igreja em saída, propagada pelo papa Francisco está aqui. Jesus fez discípulos e pede que a missão dele seja continuada nessa direção. Nossa missão cristã mais do que realizar tantas tarefas é ajudar as pessoas a descobrirem a sua identidade de discípulos e discípulas de Jesus.
Talvez seja necessário, à luz da festa de hoje, pensar um pouco como estamos cumprindo esse papel e também com nossos grupos, fazê-los pensar se conseguem se sentir assim.
Jesus recomenda O BATISMO, O ENSINAMENTO E OBSERVÂNCIA. O batismo tem sido realizado ao longo da história, de forma ampla desde que o cristianismo se tornou religião oficial no império romano.  O ensinamento tem deixado ainda a desejar. Estamos tentando retomar a catequese de estilo catecumenal, mas o caminho é longo e feito com paciência. As mudanças vão se dando de forma gradual. A vivência cristã depende da assimilação de cada pessoa e de seu testemunho. Claro que existem muitos gestos bonitos anônimos. O reino de Deus se manifesta sem que o percebamos, mas  a nossa parte sempre precisa acontecer.
A missão se dá pelo testemunho como Jesus nos ensinou e viveu. Aprendam de mim, como ele nos disse, porque sou manso e humilde, Mateus 11, 28-30. Pessoas enviadas, educadas nessa escola, serão capazes de comunicar aos outros, essa mesma mansidão e humildade, como virtudes evangélicas.
Um tema presente no dia de hoje que deve ser aprofundado é o das Comunicações Sociais. A igreja, por 54 anos seguidos, lança para o dia da ascensão, um tema para refletir. A comunicação está relacionada com o envio para a missão.  A mensagem do papa Francisco para este ano traz um tema muito significativo: “Para que contes a teus filhos e netos. A vida se faz história”.
Este tema retoma as origens do povo de Deus, da tradição oral e a necessidade do diálogo para os dias atuais, como também como está sendo a comunicação na igreja e na sociedade.

22 de maio de 2020

DOM E COMPROMISSO



22/05/2020
PE BOSCO
 “Dom e compromisso” é o tema do Congresso Eucarístico Nacional adiado para o próximo ano por conta da pandemia. Dom e compromisso, duas grandes mensagens para a vida da igreja e da humanidade.
A vida é um dom. Tenho repetido esse princípio fundamental de que a vida não nos pertence.  Deus nos presenteou e cada dia nos concede essa graça de viver.  A consciência de que a vida não depende de nós, mesmo sabendo que muitas escolhas dependem de nós. Apesar disso, não há domínio de nossa parte sobre a vida. Quantas vezes escutamos dizer: “A vida é minha, faço o que quiser”.
A vida é um dom, a vida como um todo. Não sejamos egoístas, pensando em nós, apenas. O cosmos, como um todo; toda obra criada, e, sobretudo, a sacralidade da vida humana. Numa cultura de morte, assimilada por muitas mentes, a pessoa humana perdeu o seu valor para o que é nocivo, desumano e anticristão.
A natureza está sendo destruída. A Amazônia, pelas notícias, nunca foi tão devastada como nos últimos anos. A destruição da natureza, fauna e flora, significa também a destruição da vida humana.  Como o ser humano destrói o que não lhe pertence? Mesmo se pertencesse, ele se autodestrói.
Na concepção do papa Francisco, a vida humana não está separada do ambiente. Usar a expressão meio ambiente, já não é mais expressão correta.  Meio ambiente nos trazia uma idéia de que as pessoas estariam separadas do mundo em que vivem. Na verdade uma dicotomia.
O papa concebe uma ecologia integral, como podemos identificar na narrativa da criação. Ao criar, Deus a cada dia, vai pela sua palavra realizando a sua obra até chegar ao ser humano que recebe a tarefa de cuidar da natureza. A natureza depende da ação humana e a pessoa humana depende da natureza. São de fato realidades que não se separam.
Ao criar Deus pensa na vida de todos os seres, cada um tendo as condições necessárias para sobreviver e se reproduzir, e não só, mas promover o equilíbrio natural. “E Deus viu que tudo era bom”. Gênesis 1.
O único culpado pela destruição da natureza e de si próprio é o ser humano. O lucro, a exploração, a ganância, o ser grande, igual a Deus, foram sentimentos que levaram e continuam nos levando ao pecado.
A vida é um dom de Deus; com a nossa liberdade, temos nos desviado do caminho e tirado o que de mais belo Deus nos concede. Deus se revela pela beleza da vida.