25 de fevereiro de 2013

Mentiras do cárcere

Publicado em 12/02/2013 às 08:00h por Rubens Nóbrega
Vejo pela primeira vez, como vi ontem em escrito irretocável, um militante da causa dos direitos humanos (Padre Bosco Nascimento, da Pastoral Carcerária) desmontar convincentemente a mentira segundo a qual uma pessoa presa custa em torno de R$ 1.200 ao cidadão de bem que sustenta com seus impostos um sistema prisional reconhecido e referenciado como um dos piores do mundo.
R$ 1.200 é o preço por cabeça, não por pessoa, eis o primeiro esclarecimento a ser feito. Significa que o governo soma todos os gastos penitenciários (manutenção, reformas, ampliações, segurança e até construção de novas unidades) e divide pelo número de encarcerados. Não inclui, portanto, apenas alimentação, como alguns obtusos, mal informados ou de má fé costumam afirmar ou induzir, principalmente quando dispõem de telas, câmeras e microfones para dizer bobagens, cometer maldades, achaques ou insultar a inteligência de quem não lhes compra a peçonha ou a palavra.
Mesmo assim, muitos deles continuam convencendo os incautos, que aderem à tese segundo a qual “bandido bom é bandido morto” (mas só se o bandido for pobre, claro) ou ao absurdo de que cumprir pena de reclusão na Paraíba seria como viver em um hotel cinco estrelas. Diante de besteiras assim, lembro no ato do poeta Lulu Santos: não desejamos mal a quase ninguém, mas adoraria ver um bacana desses hospedado em um desses ‘luxuosos’ estabelecimentos. Aí o sujeito ia ver o que é bom pra tosse!

Diga aí, Padre Bosco
“Nunca encontrei nesses 20 anos de visita a pessoas presas alguém vivendo como se estivesse em um hotel. Nunca encontrei alguém de classe média cumprindo pena. Tenho encontrado pessoas suspeitas, provisórias, aguardando a boa vontade do Estado; tenho encontrado lixo, doentes, falta de espaço, tiros, muitas balas espalhadas pelos corredores, reclamações da comida, ausência da Defensoria Publica etc.”, revela Padre Bosco em seu artigo, que tem como título ‘Quanto custa uma pessoa presa?’.
Além das condições subumanas e atrocidades características da situação em nossos presídios, atualmente cenários de rebeliões quase semanais, Padre Bosco garante que o Estado pode até receber R$ 1.200 por cada preso, mas o que gasta de fato com o apenado em si é uma miséria, porque sequer papel higiênico (epa, olha ele aí de novo!) compraria para os seus ‘hóspedes’.
“A pessoa presa não tem culpa alguma em relação a essa despesa e o que lhe chega é o mínimo possível. O Estado não fornece roupa, não fornece material higiênico... Quando alguém tem uma alimentação especial por causa da doença, a família quando próxima leva todos os dias a alimentação. Presenciei nesta semana esta realidade da alimentação por determinação judicial”, denuncia Padre Bosco.
E arremata: “A sociedade precisa ser esclarecida e não repetir o que é informado de modo incompleto pelo Estado e pela imprensa. Uma pessoa presa jamais vai receber o dinheiro gasto em nome dela. Quem imagina que a prisão é um hotel cinco estrelas, peça uma autorização ao juiz para passar um final de semana por lá na mesma condição de quem está recolhido nas celas”.

Diga aí, Ministro
Padre Bosco diz ainda uma coisa muito preocupante sobre o que se passa no interior dos cárceres do Estado. “Não existe uma prisão na Paraíba que atenda ao que recomenda a Lei de Execução Penal”, afirma. É muitíssimo grave, porque significa um conluio de omissões e prevaricações entre a Justiça que manda prender e o governo que prende e se responsabiliza por fazer valer a prisão.
Pior é o tanto de gente presa em caráter provisório pagando sentença como se fosse definitiva, como chama a atenção o ministro Gilmar Mendes, do STF, em artigo que li ontem no Consultor Jurídico (conjur.com.br). “Do total de presos no país (549 mil, até junho de 2012), 191 mil aguardam julgamento, muitas deles amontoados em unidades prisionais superlotadas e sem as mínimas condições de higiene, como se constatou nos mutirões carcerários realizados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sem contar que mais de 40 mil presos encontram-se irregularmente detidos em delegacias de polícia, muitos inclusive já sentenciados”, escreveu Sua Excelência para o Observatório Constitucional, sob o título ‘É preciso repensar o modelo cautelar no processo penal’.
Pra fechar, outro trecho interessante do Doutor Gilmar: “Os mutirões carcerários coordenados pelo CNJ demonstraram que a falência do sistema prisional não pode ser dissociada das sérias deficiências do sistema de justiça criminal. A par dos inúmeros casos de prisões provisórias com prazo alongado, sem conclusão da instrução e sem sentença de primeiro grau, dois exemplos parecem ilustrar o quadro de abuso eloquente: no Espírito Santo encontrou-se acusado preso provisoriamente há 11 anos; no Ceará, verificou-se um quadro ainda mais grave, uma pessoa presa há mais de 14 anos em caráter provisório”.

João Pessoa, PB- Presídio do Roger.


Comecei a visitar o Presídio do Roger em 1996 como agente de pastoral carcerária. Desde então existem dificuldades naquela unidade prisional. A mesma já se tornou referência negativa em todas as instâncias brasileiras, por exemplo, o CNJ. Em 1997 aconteceu uma chacina onde foram trucidados oito presos, sem que ninguém fosse responsabilizado na justiça. Depois, ouvimos de um Secretário de Estado da SEAP que teria sido maior o numero de vitimas e o Estado teria omitido os dados para que o escândalo não fosse maior. Qualquer pesquisa simples na internet apresenta um histórico perverso sobre o Roger.
O diretor tem reclamado bastante da falta de apoio do Estado para atender as demandas. De fato, na maior crise que se vive, não há uma presença efetiva do Estado para tirar aquela unidade do caos.
Este ano já aconteceram mortes, pessoas feridas e o clima é tenso, permanentemente. A polícia tem sido chamada com frequência para intervir e fazer operações de segurança, o que se chama de pente fino, que não estão servindo para manter a segurança uma vez que a insegurança faz parte da natureza daquela unidade.
Já escrevi várias vezes sobre o Roger. Desta vez é para fazer o seguinte registro: o que de grave existe pode se agravar mais e as autoridades estão avisadas a respeito da situação.
As ações de contensão estão sendo extremamente violentas: com permanentes disparos de arma de fogo e, dizem os presos, sem nenhum diálogo. As marcas dos tiros estão presentes dentro das celas. Os presos precisam ficar escondidos para se protegerem. Não sei qual é a ressocialização anunciada pelo estado. Não sei em que consiste trabalhar com o respeito aos direitos humanos dispensando esse tratamento a quem o estado deve proteger.
Não concordamos com a violência; não concordamos com a impunidade; não concordamos com a insegurança no sistema, mas também não concordamos com a truculência que se implanta em nome da segurança.
O diretor da unidade tem me relatado com frequência o amontoado de lixo, a presença de muitos ratos, a falta de apoio da SEAP para tratamento de saúde... No amontoado de presos estão os doentes: portadores de HIV, tuberculosos, um deficiente visual, preso com colostomia. É um clamor humano que se escuta ao entrar naquela unidade prisional. Marinho Mendes, Promotor de Justiça escreveu: “Estive no inferno.” Referindo-se ao Roger.
Os isolados e reconhecimentos estão mais do que cheios: não recebem visita e não vão para o banho de sol. As reclamações nos chegam com muita frequência através de familiares.
Uma medida para ontem deve ser não receber mais nenhum preso. No entanto, continuam depositando mais presos ali.  A outra medida é fazer um mutirão para rever processos como também fazer transferências para comarcas de origem. É urgente diminuir o número de presos no Roger. Por ser um presídio, em princípio para preso provisório que de provisório não tem nada, pois há depoimentos de presos com três anos sem sentença; o Ministério Público e o Poder Judiciário silenciam na fiscalização. Afinal, o preso provisório é de todo mundo e não é de ninguém.
Estou enviando este relato para as autoridades do nosso Estado como também para o CNJ, para o DEPEN, para o CNPCP e para a Ouvidora Nacional do Sistema Penitenciário. Se não houver uma força tarefa, ficará a omissão como resposta a uma grave situação que vivemos na Paraíba.

 

João Bosco Francisco do Nascimento.

Coordenação Estadual da Pastoral Carcerária

Presidente do CEDH_PB

 

 

 

 

 

Quanto Custa uma Pessoa Presa?

 

Os estados divulgam como também a imprensa, que cada preso no país, custa em torno de 1.200,00 ao mês. Em presídios federais é mais caro o custo, segundo as informações disponibilizadas na internet.
Estes dados assustam as pessoas que naturalmente não dispõem de todas as informações. Perguntas feitas: (Como é possível? Quem trabalha vive de um salário mínimo e para quem pratica crime o estado trata diferente? Por isso, essas pessoas preferem ficar presas. É mais vantagem). Há também quem assegure que a prisão é um hotel cinco estrelas. Olhando de fora e com as informações de que se dispõe, realmente não há como entender.
Algumas considerações:
Conheço por dentro os presídios de nosso Estado. Costuma-se justificar que em todos os lugares a situação prisional é a mesma e até mais grave ainda, para dizer que a nossa realidade é das piores. Assim sendo, posso lhes assegurar que nunca encontrei uma prisão que esteja cumprindo a Lei de Execução Penal. Isso quer dizer que o estado brasileiro não tem moral para pedir bom comportamento das pessoas presas. Ele mesmo dá um péssimo exemplo, como instituição que desrespeita a própria lei. Direitos e Deveres devem ser para todos, sobretudo na tensa área prisional. Se o estado vai alegar que não tem condições de cumprir a lei, muito mais vezes, infinitas vezes, a pessoa presa tem condições, pois as mesmas lhes são tiradas.
Nunca encontrei nesses 20 anos de visita a pessoas presas, alguém vivendo como se estivesse em um hotel. Nunca encontrei alguém de classe média cumprindo pena. Tenho encontrado pessoas suspeitas, provisórias, aguardando a boa vontade do estado, para ir ao encontro das mesmas; tenho encontrado lixo, doentes, falta de espaço, tiros, muitas balas despalhadas pelos corredores das unidades, reclamações da comida, ausência da Defensoria Publica, etc.
Pergunto: uma família com cinco pessoas, recebendo, recebendo seis mil reais como viveria?
Se o estado brasileiro gasta 1,200,00 por cada pessoa presa é porque tem disponibilizado esse dinheiro. Assim, onde estão 500 pessoas presas, o estado recebe 600,000,00 por mês. Porque quais motivos as prisões vivem na miséria e sem condições de funcionar segundo a lei?
 Não existe uma prisão na Paraíba que atende ao que recomenda a Lei de Execução Penal.
É claro que a despesa não é com a pessoa presa no sentido de que ela gaste aquela importância, mas com toda a estrutura que o estado tem na relação com aquela prisão. Afinal, a pessoa presa não recebe dinheiro algum, a não ser que esteja trabalhando. Mesmo assim, seu pagamento, creio eu, já é oriundo de outra fonte.
A pessoa presa não tem culpa alguma em relação a essa despesa e o que lhe chega é o mínimo possível. O estado não fornece roupa, não fornece material higiênico... Quando alguém tem uma alimentação especial por causa da doença, a família quando próxima leva todos os dias a alimentação. Presenciei nesta semana esta realidade da alimentação por determinação judicial.
A sociedade precisa ser esclarecida e não repetir o que é informado de modo incompleto pelo estado e pela imprensa.
Uma pessoa presa jamais vai receber o dinheiro gasto em nome dela.
Quem imagina que a prisão é um hotel Cinco estrelas, peça uma autorização ao juiz para um final de semana por lá na mesma condição de quem está recolhido nas celas.
Quem dá Assistência às Vitimas?


É muito comum pessoas perguntarem à Pastoral Carcerária: porque vocês não trabalham com as vitimas da violência? Não sei se as mesmas, sem nenhum julgamento, estão realmente preocupadas com as vitimas ou querem apenas que outros se preocupem. A essas pessoas devemos também perguntar: você realmente acha importante trabalhar com as vitimas? O que você escolheria: A pastoral carcerária ou as vitimas? Certamente a resposta seria pela vitimas. Então, a essas pessoas devemos responder que façam a sua parte e organizem um serviço samaritano para apoiar as vitimas que a nossa sociedade produz. É bom não esquecer que a ação mais importante diante de Deus é a solidariedade com quem precisa e não a oração sem ação. Muitos estão rezando por ai, mas não pensam no outro e em suas necessidades.
A pastoral da igreja, no seu todo tem o papel de acompanhar e apoiar todas as vítimas da violência. Acontece que não se pode fazer tudo. Por isso, na igreja existem as diversas pastorais, cada uma com a sua especificidade e seu campo de atuação.
A questão é saber de qual vitima se está falando, pois, a pessoa presa que permanece na prisão ela é vitima também de outra violência.
Na sua grande maioria, as pessoas detidas são vitimas da falta de estudo, da falta de trabalho, da falta de moradia, de saúde. Vitimas da violência domestica e de policiais. Vitimas da justiça que os esquece, e vitimas da estrutura prisional marcada por todas as formas de violência física, moral e psicológica.
A prisão existe para ajudar o ser humano a superar suas deficiências e não mais voltar a causar danos à sociedade. A prisão é para transformar quem passa por ela. Hoje essa transformação é uma deformação. É impossível que uma pessoa saia melhor do que quando entrou na prisão. Para o resto da vida, que normalmente é muito curta, ser humano será um ser doente. As marcas perversas e negativas do tempo de cadeia jamais serão esquecidas. O medo de morrer está presente a cada momento com a falta de segurança, inimigos, rebeliões, disparos frequentes, mortes. As famílias carregam o mesmo medo. Vive-se, portanto, um clima de terror.
 Só realmente conhece o sistema prisional é quem passa por ele: a pessoa presa e a família quando visita. Nada mais degradante. É comum ouvir de familiares: “meu filho é culpado, mas ele não merece o que ele está passando”. Realmente não merece, pois a prisão não é para isso. Aliás, ela não serve, a não ser para fazer aumentar a violência e as mazelas para a nossa sociedade. Ela representa o que de mais atrasado existe na sociedade que se diz moderna e avançada. Ela mantem a escravidão e a degradação da vida humana. Ela é detestável a Deus e ao Reino. Ela é ofensa a Deus. Ela é a vitimização das vitimas de todas as mazelas.
 Assim, não digam que não trabalhamos com as vitimas. É que elas são tantas que não temos como atendê-las. Foram vitimas e continuam sendo. Trabalhamos com seres humanos que a sociedade os tem como bandidos só porque lhes falta o colarinho branco. Os de colarinho branco, muitos deles agem em bando, formando quadrilhas que desviam, com classe, o nosso dinheiro e continuam sendo votados para continuarem colocando a mão no nosso bolso.

Seca e Prisão.

 

Duas questões estão em pauta em nosso Estado: a água e as prisões.

A ausência da água nas torneiras, e também fora delas, tem sido sentida em praticamente todos os estados do Nordeste. Se houver uma pesquisa sobre as causas, a resposta será: as chuvas foram poucas. Na realidade as chuvas foram muito escassas. Esta, no entanto, não é a causa principal. Há outras regiões pelo mundo afora, que chove bem menos do que em nosso Nordeste.
Não podemos nos esquecer de outros fenômenos que colaboram com a nossa falta de agua. O primeiro deles é a falta de responsabilidade e de investimento de nossos gestores. O Sertão, por exemplo, que sempre foi mais seco do o nosso Brejo, tem mais agua do que por aqui. Existem grandes açudes que abastem a população. Não é por acaso que encontramos verdadeiros paraísos em pleno sertão.  A seca, portanto, não é apenas ausência de agua, mas de investimento e de politica publica voltada para os açudes e barragens. Nossos administradores são sem visão nesta área. O que conseguem fazer é insignificante. A seca, portanto, não é castigo de Deus como se chega a pensar, mas é fruto da irresponsabilidade de quem governa. Se agua é vida, o descuido com ela é descuido com a vida. Cada vez que chove, como é do nosso conhecimento, toda a agua se perde por falta de reservatórios para acumulá-la.
A outra questão não está relacionada com quem governa, mas com quem consome a agua. Depois que a agua chegou às torneiras, se tem um consumo exagerado da mesma. Deixa-se a pia e os chuveiros abertos. A mangueira jorra agua para lavar as calçadas, os carros, as motos, etc. Se alguém reclamar, chamar a atenção vem logo a resposta: “Quem paga sou eu”, como se fosse uma questão de dinheiro. Como se em nome do meu dinheiro eu pudesse desperdiçar a agua.
As previsões para o futuro é de que cada vez mais teremos menos agua no planeta. Recentemente uma manchete dizia que uma população inteira no Chile ficou sem agua potável. Não sei precisar se foi algo momentâneo, provavelmente que sim, mas é verdade que existe uma real situação sobre a agua. São inúmeras pessoas que não dispõem de agua potável.
A situação das prisões se torna cada vez mais preocupantes. Duas unidades: Guarabira e Roger estão em estado de calamidade pública. É necessário identificar de forma rigorosa as causas das mesmas. Nada acontece por acaso. Visitei em Guarabira a Penitenciaria Joao Bosco Carneiro. É um caos a situação. Pelo que ouvi e pela experiência que tenho já tenho ideia do que terias ocasionando a destruição. Em presidio se deve conciliar a disciplina com tratamento humano. Isso nem sempre se sabe fazer, por isso, a falta de habilidade leva ao caos. A humanização não pode ser um discurso, como também não deve algo a ser inventado, mas trata-se de um comportamento que deve ser cultivado no dia a dia. Nenhum ser humano quer ser tratado com desrespeito por quem quer que seja. Um tratamento desrespeitoso só traz revolta.
No dia das visitas de familiares em unidades prisionais o trato dispensado aos familiares é de fundamental importância. Se ele for desumano, o próprio sistema está alterando a vida da cadeia. Ouvem-se relatos de familiares que entram chorando nas unidades, pela forma como são tratados ao adentrarem nas unidades, por exemplo, como são submetidas à revista íntima, sobretudo senhoras idosas.
Em muitas circunstancias quem faz com que as rebeliões aconteçam é o próprio Estado através da gestão que realiza.

 

 

22 de janeiro de 2013

MISTICA DA PCR


Pastoral Carcerária.

 

A mística

 

A mística da PCR e de quem quer ser Agente da mesma é a convicção profunda de ter sido chamado (a) por Deus. Não se pode ir ao cárcere sem ter feito a experiência do amor de Deus que nos chama. Somos amados por Deus, sempre, quando não somos merecedores desse amor, amados como somos e nos sabemos fracos e pecadores: de má qualidade.

Na mística cristã devemos partir de nossa pobreza e do Deus das misericórdias. Como um artista, Deus aproveita o que em nós existe: defeitos e impurezas, para nos aprimorar, como se faz com a escultura em pedra ou bronze.

Assim acontece com as faltas de nossos irmãos encarcerados. A oferta a Deus de nossas experiências negativas e de nossa historia de pecado é riquíssima, porque exalta a misericórdia de Deus extensiva a toda humanidade.

A mística da PCr é a consciência profunda de sermos amados e queridos por Deus. Isso provoca no coração uma grande gratidão a Deus e aos irmãos. Nessa relação profunda de amor vamos percebendo que o amor de Deus nos chega através de gestos muito concretos: somos vistos, tocados, amados, abraçados, levantados em nossas quedas. No contato com os encarcerados podemos ver o nosso próprio rosto, nossa fragilidade, pecados, mas com a consciência que fomos por Deus enviados  a eles para sermos ali a presença de Jesus e da igreja em um lugar de sofrimentos e, em nossa experiência de sermos amados apesar de nossos pecados, pobreza e miséria, fazê-los descobrir que eles são também amados por Deus.

Faz parte da mística da PCR ir ao cárcere com o sentimento profundo de gratidão e não de lamentação, independentemente dos resultados que conseguimos. Como dizia Santa Teresinha: “Se eu não estive preso não estive preso não foi por meus méritos, foi pela grande misericórdia que Deus me teve”.

Vou ao cárcere em primeiro lugar por gratidão a Deus; em segundo lugar, porque lá tenho irmãos e irmãs e sou responsável para que façam a experiência de se sentirem amados por Deus. Sou responsável pelo meu irmão, ao contrario de Caim. Genesis 3. Todos os que estão nas prisões já foram vitimas de muitas injustiças e sofrimentos e no cárcere os pobres passam por inúmeros sofrimentos.

A grande esperança para o cárcere é que Deus escute os clamores e se ofereça como libertador, como Deus agiu com os escravizados no Egito. Trata-se do Deus enamorado de seu Povo e a ele Fiel.

Em nossa mística devemos ir ao cárcere sem medo, sem fazer julgamentos e com grande esperança e confiança com a certeza de que Deus já trabalha em cada coração  e que o cárcere não é só um lugar de trevas mas um lugar de ressurreição.

Jesus morreu por todos e em especial por aquelas pessoas detidas. Além disso, Jesus escolheu a prisão como lugar privilegiado de sua presença. Antes de entrar na casa do Pai Jesus escolheu a prisão como sua ultima morada. Por isso cremos que na prisão existe uma presença especial de Deus. Ali, como encarcerado, Jesus salva a humanidade. Jesus faz o ato mais importante de sua vida que é entregar-se por todos nós, estando preso. Jesus vive todo o processo judicial desses irmãos privados de liberdade. Jesus é denunciado, traído, arrastado, coroado de espinhos, julgado, condenado e executado Jesus viveu tudo o que vive o preso de nossos dias. Há uma identidade e semelhança muito fortes entre Jesus e nossos condenados de hoje.

Certamente é por isso que ao visitarmos uma unidade prisional, por mais sofrida que seja a realidade encontrada, saímos diferentes de como entramos, em virtude de nosso encontro com Jesus. Uma hora de cárcere é uma hora de adoração.

Na prisão os cristãos não só escutam a Palavra de Deus, mas também podem perceber o que Deus deseja como também o concreto pedido de Deus para que se responda a Ele. Responder é assumir-se como instrumento de Deus e de sua Palavra, isto é, se tornar instrumento de proximidade e de reconciliação entre as pessoas encarceradas.

A nossa mística consiste em assimilar o projeto Libertador de Jesus:

·         Levar a Boa Nova aos pobres;

·         Anunciar a liberdade a presos;

·         Libertar os que estão sendo oprimidos;

·         Dar vista aos cegos. Lucas 4, 18-19.

A nossa mística consiste em assumirmos a dimensão da pobreza e do aniquilamento para nos enriquecermos com a graça de Deus. Filipenses 2.

 

Na vivencia de nossa mística devemos responder a estas perguntas:

 

·         O que quer o Senhor da pessoa presa?

·         O que quer o Senhor de cada voluntario diante do desafio das prisões?

·         O que quer o Senhor de toda a sua Igreja diante do encarceramento?

·         O que quer o Senhor de nossos povos diante da realidade do cárcere?

 

 

A oração.

Nossa oração como agentes de PCR tem que ser cheia de confiança, persistente, concreta e precisa, comprometida com a problemática das pessoas presas. A figura que mais vai nos inspirar é o próprio Jesus que juntava de forma perfeita a oração com a prática de sua vida.

Jesus vivia na oração a experiência do deserto e do silencio. Muitas vezes pessoas presas ficam por trinta dias e mais em celas solitárias não por opção, mas como castigo. Temos nos unir no silencio da nossa oração a esses momentos que se repetem nas prisões do mundo. Como diz São Paulo, devemos nos lembrar dos presos como se estivéssemos presos com eles. Lembrar significa visitar, mas também viver a comunhão através do deserto e da oração. Afastar-se para ver melhor é uma necessidade de nossos dias e uma exigência evangélica para nós agentes de pastoral.

 

Oração Confiante:

A confiança na oração deve se basear na confiança daqueles que carregaram o paralitico até a presença de Jesus, colocando-o por cima do telhado. Imaginemos que Jesus não desse a mínima para aqueles homens. A ação dos mesmos é seguida de uma imensa certeza de que seriam atendidos e, de fato, foram plenamente atendidos. Vendo a fé deles, Jesus se dirigiu ao homem que foi duplamente curado, uma libertação integral, livre da prisão do leito e do pecado. Trata-se de rezar com a certeza de sermos escutados. Marcos 2, 1-12.

 

Oração Persistente

Uma oração persistente como a do cego Bartimeu que mesmo sendo obrigado a se calar, grita mais alto até ser atendido por Jesus. Não só na oração, mas em nossas ações devemos gritar, como gritam os presos, como condição para serem escutados. De fato, ninguém quer escutar o grito de um pobre, cego, mesmo que o seu desejo seja dos melhores: enxergar. Contra a vontade dos próprios discípulos, Jesus o escuta e manda chamá-lo. Temos que ser persistentes como aqueles que não encontram outro caminho, a não ser a persistência. Marcos 10,46-52.

 

Oração Precisa

Uma oração precisa nós encontramos em Jairo que pede a Jesus para impor as mãos em sua filha para que fique curada. Marcos 5, 23. Também a  mulher com hemorragia tem objetivos muito claros na sua oração: tocar na veste de Jesus é a certeza de ficar curada. São objetivos concretos e pontuais, sem ambiguidades e imprecisões. Como agentes de pastoral carcerária temos que ser precisos em nossas orações diante das necessidades de nossos irmãos. O que estamos rezando? O que estamos pedindo a Deus?

 

 

Dimensões da nossa mística e do nosso ministério pastoral:

 

1.      Vinculação entre Deus e a pessoa presa. Necessidade de Deus na prisão. A pessoa presa é sai imagem, sua obra perfeita, é um produto do seu amor, amado antes da própria existência. (Salmo 138). Não há, para Deus, criatura superior a esta pessoa presa.

2.      Vinculação de Deus com a(o) agente de pastoral. (Oração-Envio). Trata-se do encontro entre Jesus de Nazaré encarcerado e o agente de pastoral. Devemos falar a Cristo a respeito do irmão encarcerado.

3.      Vinculação do (a) agente de pastoral com a sociedade. (Historia e sentido). Mostrar a todos a presença de Jesus em todas as pessoas presas e a pessoa presa que vive em Jesus.

4.      Vinculação do (a) agente de pastoral com a pessoa presa (Kerigma-Resurreição). Importa visão que a pessoa presa tenha de si mesma desde a perspectiva de Jesus de Nazaré que o prepara para uma nova vida.

5.      Visão do encarcerado com a sociedade. (Reconciliação). Estabelecer laços de proximidade.

6.      Vinculação será uma relação sempre nova sempre querida por Deus: Dele com seu povo como Pai e como Filhos.

 

 

 

Pe. Bosco

Out. 2012.

 

Fonte de Pesquisa:

V Encontro Latinoamericano e do Caribe, 2004

ACABAR COM A MISERIA

Na última campanha eleitoral para a Presidência da Republica, a candidata Dilma, apresentou como uma das metas de governo acabar com a miséria. Dois anos depois, recentemente, volta o mesmo tema.
Para mim, soa de modo muito desagradável ao ouvidos essa mensagem. O significa acabar com a miséria?
Naturalmente significa fazer com que a corrupção não seja predominante nas esferas do poder. Como o poder se manteria sem corrupção? Não sei se haveria essa grande corrida para as esferas do poder, se não houvesse a facilidade de manipular o dinheiro, desviando-o de seus destinos. A miséria do país não seria uma consequência dessa situação?
Por exemplo, a notícia que vai circulando é que muitos prefeitos (as) deixaram os funcionários sem os salários porque limparam os cofres das prefeituras.
Acabar a miséria significa criar as mesmas condições de emprego, de salário, de educação e de saúde para todas as pessoas. Como fazer isso em uma sociedade que mantém privilégios e benesses para uns em detrimento da miséria dos outros?
Acabar com a miséria significa acabar com a desigualdade social e isso nenhum governo tem coragem de pautar para não contrariar os grandes interesses da elite brasileira. Acabar com a miséria é propaganda antecipada das eleições para 2014.
No governo Lula, que ninguém duvida das melhores condições de vida trazidas país, uma das grandes bandeiras foi a transposição do rio São Francisco. O assunto se tornou manchete por todos os recantos do país e envolveu muitas pessoas na discussão. A igreja católica, em seus membros, se dividiu. O Nordeste parecia ser salvo com a chegada das aguas. Em que melhorou a situação do povo do Nordeste a ideia da transposição?
Os estudos indicam que o dinheiro empregado até agora já foi em grande parte perdido, pois a obra está paralisada e não só, destruída. Isto é, o dinheiro do povo brasileiro jogado fora. O valor da obra se torna cada vez mais caro se a mesma for levada adiante. Os estudos ainda indicam um grande dano ao meio ambiente e a certeza de que o projeto vai atender a fazendas e plantações de grandes donos de terra. O que chegar para as famílias nordestinas será para o mínimo de pessoas.
Outra conclusão dos estudos feitos é que se o dinheiro gasto na obra fosse aplicado em barragens nos estados e ou regiões o resultado seria completamente diferente. A iniciativa não mataria o velho Chico e de fato melhoraria as condições hidrográficas do povo nordestino.
Porque a discussão sobre a miséria não trata desta questão? Existe miséria maior, ao lado da falta de comida, do que a questão da ausência da agua? Os animais estão morrendo. Eles fazem parte da sobrevivência do povo nordestino. O povo está consumindo água de péssima qualidade: isso trará péssimas condições para a saúde da população. A mesma é obrigada a mendigar um atendimento medico nas filas dos hospitais.
Qual é de fato a miséria que a Presidente Dilma quer acabar? Pensem e ajudem a responder.
PeBosco

13 de janeiro de 2013

VIDA


O valor da Vida.


A violência sempre esteve presente, acompanhando a historia da humanidade. O livro da Bíblia, que não é História nem Ciência, mas leitura teológica, narra a cena de Caim, que por inveja, matou o seu irmão. O relato é um reflexo dos acontecimentos de todos os tempos relacionados com a violência.
Tantas mortes são apenas resposta à violência e consequência dela. Assim, como se sabe, toda ação supõe uma reação, portanto, todo violência é geradora de mais violência. Outras são simplesmente queimas de arquivo, como também, gestos de crueldade, pois quem mata a outra pessoa mata a si próprio.
A violência tem se alargado em grande escala. Os Meios de Comunicação quando informam as novas modalidades da violência também ensinam as técnicas utilizadas. Todos nós estamos expostos à violência. A segurança não é apenas uma questão de policia, mas de cultura de paz em uma cultura de morte que nos persegue.
As vítimas da violência em todos os lugares do nosso país, mesmo que de certa forma atinja a todos, são os pobres das periferias, as pessoas negras, mulheres e homossexuais, em sua maioria, jovens. Nosso estado tem aparecido nas estatísticas com o assassinato de pessoas negras, mulheres, entre outros. A droga tem sido a vilã para justificar até a não abertura de inquérito policial e, se aberto é um faz de conta. Não se chega a nada porque não interessa chegar e nem é importante. Afinal saiu de circulação “uma alma sebosa”.  
Somos contra a violência desde que ela não nos atinja. Se ela vem ao encontro dos outros não é problema nosso. Esta postura que parte de pessoas tidas como  de bem, e de bens, normalmente cristãs, é um comportamento inteiramente e totalmente pagão. A vida é sagrada desde o ventre até a hora derradeira, como canta Pe. Zezinho, ou não é. Nessa lógica, a nossa prática cristã consiste na defesa radical a favor da vida de toda natureza, mas acima de tudo, da pessoa humana que é a obra suprema da criação.
Tratando deste contexto, a Presidente Dilma vetou o Projeto de Lei sobre porte de arma, após ouvir o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos. Vejamos parte da matéria: “A presidente Dilma Rousseff vetou” integralmente, “por contrariedade do interesse público”, o Projeto de Lei 87/2011, que alterava o Estatuto do Desarmamento autorizando porte de arma, mesmo fora de serviço, a agentes e guardas prisionais, a integrantes das escoltas de presos e guardas portuários. O veto foi publicado nessa quinta-feira no Diário Oficial da União. A presidente justifica que a ampliação do porte de arma fora de serviço “implica maior quantidade de armas de fogo em circulação, na contramão da política nacional de combate à violência”. http://www.em.com.br/
A medida foi altamente acertada e as entidades estão dirigindo os parabéns à Presidente pela atitude exatamente porque a medida protege mais do que traz segurança. Quanto menos armas mais segurança nós teremos. A arma é sempre para matar e, inúmeras vezes, a pessoa é vitima da própria arma.
A primeira condição para a Paz é o desarmamento. Se a outra pessoa está armada, mais armada a outra vai ao seu encontro. Nessa dinâmica teremos um mundo cada vez mais marcado pela violência. Os massacres de pessoas inocentes, a exemplo dos Estados Unidos se dão exatamente por causa da facilidade da aquisição de armas através das circulam enormes quantidades de dinheiro que promove o mundo do crime.

5 de janeiro de 2013


Nossa Realidade Brasileira.


Em termos de legislação, inclusive como base a Constituição Federal, somos um país que prima pelos direitos e pela igualdade entre todas/os. No entanto, como sabemos, a realidade determina todo um comportamento diferente e contrário.
Vivemos o país da desigualdade e do descaso. Os mais pobres são as vitimas da fome, da seca, da violência, das catástrofes, etc.
No momento, o Nordeste está sendo vítima da seca. Como as enchentes, a seca passa a ser muito importante para desviar recursos. É algo que chega para os governadores dos estados administrarem e, os mesmos, como sempre, acabam tirando proveito da situação. Para o estado brasileiro é importante que haja secas e enchentes.
É sabido por todos nós que não se combate à seca. Ela é um fenômeno da nossa região, como também de outras partes do Brasil e do mundo, sobretudo por causa do aquecimento global. Ela sempre existiu e existirá. A transposição é uma farsa para beneficiar mais uma vez os grandes, donos do poder, do dinheiro, das propriedades, etc. Ela foi cavalo de batalha para as campanhas eleitorais e, certamente voltará a ser.
A respeito da seca, o que se deve fazer é criar condições para se conviver com ela, a partir de pequenos núcleos e não grandes projetos que não atingem a base das camadas esquecidas, afastadas e pobres. Essa medida não interessa, pois ela traz certa autonomia dos pobres com seus poços, cisternas, etc. Aos que governam, interessa a mendicância e a dependência para que diante delas eles apareçam, mesmo que não cumpram com o dever de casa.
Outra realidade que deixa a desejar é a atividade politica. Estamos com nova legislatura nas prefeituras e nas câmaras municipais. Ser politico passou a ser um emprego fácil com salario que toda pessoa do nosso país mereceria ter. Uma pessoa que exerce cargo politico nunca deveria reclamar do seu salário. Basta comparar o salario mínimo do Brasil onde a pessoa empregada é obrigada a cumprir uma carga horaria com o salario do politico sem carga horaria. Muitas vezes os mesmos faltam até as sessões de trabalho e permanecem todas as regalias e as verbas extras. Onde o país mais gasta, entre outras demandas, é claro, é com deputados, senadores, etc.
Ao lado dos gastos tidos “legais ou naturais”, a corrupção tem cadeira cativa nos ambientes políticos em todas as esperas. Um vereador de uma cidade pobre do nosso estado pode custar 100 mil reais para deixar de ser oposição e se tornar situação. Isso acontece com a maior tranquilidade. Todos ficam sabendo a se não acham interessante todos silenciam.
A corrupção e o desvio de verbas em todas as esferas do nosso país é um escândalo sem precedentes. Ouviu-se noticiar que a CPI do Cachoeira foi arquivada para que o mar de lama não inundasse os gabinetes dos parlamentares em Brasília.
A compra de voto só é proibida na legislação, mas na pratica ela está presente em todas as campanhas como sempre esteve. Parece-me ainda mais ousada. O que se ouve é que nunca se gastou tanto dinheiro com compra de voto.
Em tempos de eleição, todos os candidatos chegam com cara de ANJOS. São lobos vestidos com peles de ovelhas, para usar uma expressão do evangelho. Na verdade, o interesse é pessoal e não comunitário e social.
O povo é enganado e vota para permanecer na miséria e na enrolação dos eleitos.
Estamos em um Novo Ano.
Mais um ano já foi iniciado. O ano não acabou como se tinha previsto. Mais um em nossa vida e menos um na existência de cada ser humano. Na liturgia católica, o ano começa com o Dia mundial da Paz. Como sabemos todos nós, a paz é dom de Deus e também conquista nossa. Ela só existe onde as pessoas, pela sua convivência a tornam uma realidade. Uma pessoa em uma família ou em uma comunidade já é suficiente para deixar muitas pessoas na intranquilidade.
“Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações agitação. Derivada do latim Pacem = Absentia Belli, pode referir-se à ausência de violência ou guerra. Neste sentido, a paz entre nações, e dentro delas, é o objetivo assumido de muitas organizações, designadamente a ONU.
No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, desconfiança e de um modo geral todos os sentimentos negativos. Assim, ela é desejada por cada pessoa para si própria e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja contigo) e um objetivo de vida. A paz é mundialmente representada pelo pombo e pela bandeira branca”. Wikipédia.
A paz em toda tradição cristã é muito mais do que um sentimento de serenidade. É uma vida de realizações e de plenitude. Vida plena.
Chama a atenção na liturgia cristã no dia primeiro de janeiro, a presença dos pastores, que avisados pelo anjo vão às pressas ao encontro do recém-nascido Jesus. Os pastores não eram bem vistos pela sociedade, mas foram comunicados a respeito de Jesus.
Se nós queremos um ano de felicidade e de paz, devemos ir ao encontro de Jesus. Podemos encontra-lo nos cultos e celebrações, na Palavra de Deus, nos doentes e presos, etc. Vale salientar que ele também vem ao nosso encontro. Como se canta, Ele sempre chega em qualquer irmão. Muitas vezes se trata de uma presença indesejada pelo fato de não o reconhecermos na pessoa que chega.
Portanto, devemos buscá-lo, pois só Ele é a realização e a plenitude dos nossos desejos. Ele nos garantiu que sem Ele nada poderemos fazer. Deve ser prioridade de 2013 o encontro com Deus através do seu Filho. Se tivermos alguma pressa na vida deve ser na busca e no encontro com o absoluto.
Outro aspecto a observar em nossa vida neste novo ano é a atitude de Maria, que mesmo não compreendendo todos os acontecimentos meditava sobre eles no coração. Devemos resgatar a atitude do silencio e da meditação. Vivemos em nossa sociedade em uma corrida desenfreada, sem refletir o antes e o depois. Isso tem se transformado em resultados maléficos para todos.
Esperamos sempre um ano melhor quando estamos às portas de um ano novo. Em todas as prefeituras estamos com novos gestores/as. Espera-se sempre que algo novo aconteça, mas na politica infelizmente as velhas práticas se repetem. Os acordos esdrúxulos vão acontecendo. Para não perder poder, dinheiro e prestigio, “se vende a alma ao diabo”. Ficar distante de quem está no poder ninguém quer. Não existe oposição neste nosso país. Cada pessoa quer se manter em seus privilégios

16 de novembro de 2012

SITUAÇAO DAS PRISOES.



A Pastoral Carcerária de todo Brasil vem acompanhando por longos anos a realidade prisional. É visível, para quem quer enxergar, que a situação só tem se tornado mais grave. Não se trata de ser profeta da desgraça, pois a desgraça já se estabeleceu por muito tempo. Enquanto as pessoas presas são acusadas de não cumprirem a Lei e por isso são condenadas, o nosso país também é descumpridor de leis, sem punição. O estado brasileiro fechou os olhos para a Segurança Pública e o Sistema Penitenciário Nacional. Quem trabalha no sistema, digo, na cúpula, defende o estado e justifica a situação. A conversa é sempre a mesma: “existem situações piores que a nossa”.  Os que estão no dia a dia e querem fazer um trabalho sério, demonstram muitas insatisfações pela forma como também são tratados pelo estado.
Tudo o que atrapalha e não deveria acontecer dentro do sistema, acontece e o torna mais vulnerável e desumano: violência, mortes, crimes, drogas, armas, celular, corrupção, tortura e tantos outros males. Quem conhece o sistema, não tem duvida que ele é de fato a escola do crime e de uma economia paralela.
Quanto mais pessoas presas, melhor para os cofres do estado e mais insegura estará a sociedade. Quem não conhece, pensa o contrário.
Outra grave situação do sistema penitenciário é que ele existe para a punição dos pobres e negros. A igualdade social só existe na nossa Constituição Cidadã, nas letras. Quando o ministro da Justiça diz que a prisão é um inferno, não traz nenhuma novidade. A Pastoral Carcerária vive não só dizendo, mas convivendo e constatando que esse inferno existe. A grande diferença é esta: é a palavra do Ministro. Talvez jamais se esperasse dele esta manifestação. É o poder do estado brasileiro mostrando a sua incompetência ou seu desinteresse pela situação. O que foi feito nos últimos 20 anos, só para colocar duas décadas, para melhorar a situação do sistema prisional no seu todo?
Quando o Ministro da Justiça diz que preferia morrer a ser preso, é verdade! A prisão é para os pobres que lá estão morrendo de muitos modos. A prisão extermina o ser humano, é uma pena de morte que se arrasta pelo resto da vida, que quase sempre é muito curta. Ela contém tudo o que Deus não deseja para o ser humano. Para cada pessoa presa há uma família presa com ela. Devemos multiplicar os mais de 500 mil pessoas por mais 5 e teremos uma multidão que é penalizada, castiga, condenada, estigmatizada pela sociedade e pela estrutura prisional.
Parece que não se percebe ou não se deseja tomar consciência da gravidade da situação.
A condenação dos envolvidos no mensalão culpados ou não, serviu para levantar a discussão sobre o sistema. Onde os mesmos vão cumprir suas penas? Se realmente chegarem a isso, não será jamais na mesma condição dos pobres. O jeito brasileiro funciona muito bem e ninguém tem duvida sobre isso.
Costumo dizer que MALDITA É A PESSOA POBRE QUE VAI PARA A CADEIA. Ela é condenada pela policia logo no inquérito, pelo advogado de porta de delegacia, pela sociedade, às vezes pela família, pela justiça, pelo sistema penitenciário, enfim, todos estão contra ele. A sociedade toda condena o agressor e a vitima. A imensa maioria de presos provisórios no Brasil é uma condenação injusta por parte do estado que não lhes dá condições de ser tratado conforme a Lei.
Do ponto de vista social, ir a uma prisão é realmente aceitar as condições de entrar no inferno. Do ponto de vista da fé é se encontrar com Jesus no inferno. Ele desceu à mansão dos mortos para ressuscitar.
Para que o Brasil possa crescer e se desenvolver tem a obrigação legal, social e moral de rever o tratamento que está dispensando às pessoas presas e seus familiares.

Pebosco

16 de nov 2012