24 de setembro de 2021

 

PE BOSCO

24/09/2021

 

Em meio a uma das maiores crises da humanidade, o ano de 2021 caminha para o seu término. Estamos vivendo as Diretrizes da Ação Evangelizadora: PALAVRA, PÃO, CARIDADE E AÇÃO MISSIONARIA.  Tudo acontecendo em meio a uma realidade de apreensão e insegurança, num país sem comando.

A CNBB tem mantido suas orientações e sua palavra profética e de encorajamento ao povo de Deus. O ano de palavra tem sido presente em nossas reflexões e nas celebrações para lembrar aos fieis a importância da oração a partir da palavra que Deus nos fala através das situações e acontecimentos da vida, ma, de modo especial, através dos evangelhos.

Em momentos tão difíceis e de desolação como é saber que Jesus nos convida: Venham a mim todos vos que estais cansados. Na verdade todos estão realmente cansados diante do quadro em que vivemos.

Como é bom numa situação de abandono do nosso povo escutar Jesus nos dizendo que é o nosso pastor que cuida e que tem compaixão porque o rebanho está como ovelhas sem pastor.

Como é gratificante escutar por muitas vezes Jesus nos dizer, não tenham medo, sou Eu, coragem!

Neste ano da Palavra fica um grande incentivo para que tanto individualmente, como em família e em pequenos grupos e comunidades possamos aproveitar da palavra que sempre alimentou a caminhada de fé ao longo da historia.

Antes da apresentação dos mandamentos no Antigo Testamento encontramos o grande apelo: Escuta Israel! É pela capacidade de silenciar que nos aproximaremos de Deus cada vez mais. Deus nos fala sempre que tenhamos a disponibilidade de ouvir a sua palavra.

21 de setembro de 2021

 São Mateus 


21/09/2021

PE BOSCO


Hoje é dia de São Mateus. Um comprador de impostos, considerado pecador mas foi chamado por Jesus para ser seu discípulo. Diante do convite o mesmo não hesitou: deixou tudo e seguiu.

Jesus causava insatisfações por convidar e conviver com pecadores. Era um absurdo para as tradições. Comer com pecadores significava se igualar aos mesmos. Jesus participa da refeição na casa de Mateus para causar maior insatisfação ainda.

Uma palavra surpreendente de Jesus como resposta aos questionadores: "Quero misericórdia e não sacrifícios". De fato, a relação com Deus acontecia através de sacrifícios. Ainda hoje se acentua a prática de sacrifícios não seguidos da misericórdia. Pode acontecer que os mais defensores dos sacrifícios sejam os mais incompreensíveis para com os pecadores.

Como Jesus foi duramente contestado e até assassinado, quem procura seguir seu modelo também passa a ser acusado de seguir bandidos.

Quem se mistura com porcos farelo come, diz o ditado popular para alimentar a segregação social e a estratificação social.

Jesus, no entanto, permaneceu do lado dos pobres e marginalizados. Quem deseja ser seguidor/a não terá outro caminho. A assistência á pessoa necessitada é instrumento de salvação. 


12 de setembro de 2021

 7 de Setembro

Pe Bosco



SETE DE SETEMBRO


07/09/2021

PE BOSCO


Hoje dia 7 de setembro está se recordando a independência do Brasil. Uma data na história oficial do país que na verdade nunca aconteceu.

Vivemos no país da escravidão e da morte em todos os tempos. Os índios em toda história a partir da invasão dos portugueses são vítimas de violência e de morte. Os negros que foram trazidos da África como escravos viveram os piores horrores que se possa imaginar até o presente momento. As antigas construções foram erguidas com o sangue dos negros escravizados.

A escravidão continua! Os pobres estão aí cada vez mais presentes em nosso país: mulheres, negros, indígenas, moradores de rua, migrantes, ex presidiários, etc. Podemos falar de independência com essa triste realidade?

Vivemos num sistema econômico que explora os pobres com um salário insignificante; vivemos num sistema político que nega os direitos dos pobres; vivemos numa crise das instituições brasileiras nunca vista, provocada pelo presidente da República, sem que se ponha limites a uma postura de promoção da morte por ocasião da Covid 19.

Que realidade dolorosa estamos vivendo. Precisamos cantar: Vem Senhor, Vem Senhor, Vem Salvar o Teu Povo!

11 de setembro de 2021

 GRITO DOS EXCLUÍDOS/AS.

 

PE BOSCO

11/09/2021


Estamos celebrando, em comunhão com a igreja do Brasil, o grito dos excluídos e excluídas. A vida em primeiro lugar é o tema de todos os anos. Nos passos de Jesus que disse ter vindo para todos terem vida e vida plena, tanto na terra como no céu.

Um cego pedindo esmola também grita por Jesus ao saber que ele passava naquele lugar. Ele foi pressionado para se falar mas gritava ainda mais forte. Ninguém pode ser impedido de gritar, por isso, o grito dos excluídos.

Deus é aquele que escuta o clamor dos pobres, dos órgãos e das viúvas.

No salmo 33 rezamos:

Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido. Deus é o aliado do pobre quando no Êxodo desce para libertar seu povo da escravidão.

A igreja tem o dever, no seu pastoreio, de apoiar e gritar também sendo a voz dos mais excluídos da sociedade.

28 de agosto de 2021

MISSÃO

                                            

   PE BOSCO

28/08/2021





Missão é compreendida como atividade e não como atitude. Uma atividade externa.

A missão é compreendida como proselitista, fazer adeptos,  salvar os outros, converter. Salvar as almas.

A missão é compreendida como tarefa. Sem compromisso efetivo. Só quando for a vez do nosso grupo ou da pessoa. A missão presa ao calendário.

A missão  compreendida como tarefa do padre, frei Damião, do Comipa, Comidi, Comire e não como tarefa batismal.

A missão compreendida apenas como atividade interna. Ad intra. Cada grupo reunindo no seu canto por anos seguidos como um grupo que não tem o que fazer e se encontra apenas para conversar de forma espontânea.

A Missão é Ad gentes, além fronteiras, no mundo. Não significa um mundo distante mas onde estão os afastados das condições de vida.

Missão não é convencer o outro, imposição. 

É Fazer o caminho, ser presença, é o cuidado com o outro, a preocupação. Como isso está acontecendo entre nós?

O que está substituindo as reclamações, as broncas de quem coordena a missão?

A missão não deve estar apenas na cabeça, na racionalidade mas no coração e na vida.

Se a missão não estiver no coração, se o coração não arde, a missão não acontece.

 Quem está tomado pelo  desânimo e pelo temor não consegue ser missão.

VIDA PLENA

 PE BOSCO

SETEMBRO 2021

Vivemos na cultura do descartável, do passageiro, do provisório. O individualismo cresce e a cultura do ódio junto com o negacionismo se expandem. Tudo isso nada tem a vê com um país que se apresenta como católico mas sem princípios cristãos.

Defende-se a céu aberto nas redes sociais a cultura da discriminação e da morte contra pobres e negros, índios e moradores de rua. A humanidade em processo de desumanidade. Ao invés de amar ao próximo como a si mesmo o assassina ao defender a violência.

A igreja segue com a bandeira da vida mesmo sendo apedrejada. Quem faz essa defesa enquanto pessoa também passa pela perseguição sempre presente na história da profecia.

O papa Francisco tem insistido nos três Ts: Terra, Teto e Trabalho; tema que vendendo muito discutido pelas pastorais sociais com o apoio da CNBB.

Tema fundamental para que se tenha vida digna. O trabalho com o salário justo, a moradia digna e a terra para a produção dos alimentos.

Há quem diga que essa não deve ser a  missão da igreja:são os preocupados com a alma, em salvar a alma.

Jesus veio para que ninguém se perca, começando por ter vida em plenitude, na terra como no céu.

STO AGOSTONHO

PE BOSCO

28/08/2021

 Hoje celebramos Santo Agostinho. Um filho rebelde que necessitou de 30 anos de oração de sua mãe Mônica para que pudesse se converter. 

Percebemos que a conversão é um processo para a vida toda. Que a conversão do acontece num grande encontro com Deus. Agostinho no livro das confissões afirma que procurava Deus fora dele então o encontrava porque Deus se encontrava dentro dele. Encontrar a Deus em si mesmo, no irmão e na obra da criação .

A conversão de Agostinho transforma totalmente a sua vida e o torna um grande santo. Batismo com os demais sacramentos, padre e bispo.

Mônica a sua mae se torna santa pela fidelidade na oração e na confiança. Acha que já rezou muito? Já desistiu de rezar por não se sentir contemplada ou atendida?

Olhe para a mãe de Agostinho. Ela faleceu logo depois e não acompanhou a vida do filho.

Santo Agostinho e Santa Mônica intercedam a Deus por nós e pela conversão da Humanidade.

OS TALENTOS

PE BOSCO

SETEMBRO 2021

 Hoje somos contemplados com a parábola dos talentos. É uma parábola na qual cada pessoa precisa se sentir presente, personagem. Cada pessoa recebe o seu talento, dom ou capacidades como queiramos chamar. O fato é que ninguém é desprovido, como acontece na sociedade. Deus é o doador dos dons e não nos deixa sem nada.

O problema está em cada pessoa. A pessoa ativa vai colocar em prática o seu talento; a pessoa inerte e cheia de preguiça deixa de lado a atividade e enterra o seu Dom.

Quem desenvolve as capacidades recebe mais. Como disse Jesus: quem é fiel no pouco será fiel nas grandes coisas. Quem nada produz perde o que recebeu e ainda recebe o castigo.

Muita gente se sente inútil porque não descobriu o dom de Deus em sua vida. Outros sabem de seus dons mas não conseguem por preguiça colocarem em prática suas habilidades.

Como está a minha experiência diante do que o Senhor me concedeu ?  Mt 25.

27 de agosto de 2021

O VÍRUS

PE BOSCO

SETEMBRO 2021

Final de 2019 começou a surgir a ideia do vírus que atingiria o mundo. Vírus sempre existiu mas não fazia parte do nosso vocabulário de forma tão ampla.

Hoje estamos em 2021 e o mesmo vírus continua fazendo vítimas no mundo todo. A vacina no oitavo mês de sua aplicação continua lenta no Brasil para a segunda dose sobretudo. Em relação a primeira nem chegamos a avançar como deveríamos.  A situação está mais amena porém sem nenhuma garantia. 

O número de doentes continua ainda grande a cada dia infelizmente no país o que significa riscos para a saúde da população.

O povo descarta os cuidados necessários e, quem confiou que se tratava apenas de  uma  gripezinha tem morrido e perdido familiares.

VOCAÇÃO

 PE BOSCO

AGOSTO 2021

Agosto é mês vocacional. Vocação é chamado. Deus nos chama á vida humana e á vida cristã. Nascemos para vivermos numa família com pais e irmãos e irmãs e também nascemos para uma comunidade cristã. 

Cada pessoa pode viver a sua vocação como pessoa dedicada á sua profissão.

O mais importante é que possamos servir com muito amor ao nosso semelhante para cumprir as demandas do nosso chamado. E ao servir sejamos muito felizes. Servir na alegria para se realizar como ser humano.

 

O NOIVO

 PE BOSCO

SETEMBRO 2021


O noivo está chegando, ide ao seu encontro. A citação é de Mateus 25. Ela introduz a parábola das virgens prudentes e imprudentes. 
A parábola reflete a nossa situação que em tantos momentos não temos nenhuma preocupação com a nossa vida e com o que deixamos de fazer. 
A vida cristã deve ser vigilante e de preparação para o encontro com o Senhor que sobre o qual realmente nada sabemos nem o dia e nem a hora.
De última hora não será possível recuperar o tempo. O noivo chega e ao entrar para o banquete fecha a porta e não mais a abrirá. Não deixar passar o tempo da graça de Deus em vão.
Como fazer a vigilância: oração, silêncio, meditação da Palavra,  caridade paciente, uma visita a um doente e a um pobre, etc. Uma abertura decoração para Deus.

13 de agosto de 2020

SANTA DULCE



13/08/2020
PE BOSCO
Hoje dia 13 de agosto, celebramos o dia de santa Dulce dos pobres. Era o anjo bom da Bahia, e agora, o anjo bom do Brasil. Uma Irmã muito frágil fisicamente com uma grande força. Ninguém podia imaginar a sua força; na verdade, a força da santidade que é própria de Deus.
Não é por acaso Jesus compara o reino como uma semente de mostarda. Quem não entende, não é capaz de imaginar o que pode acontecer. O mesmo acontecer com o agir de Deus na vida das pessoas que se abrem para a graça de Deus com total confiança.
A Irmã Dulce foi essa pessoa capaz de compreender que não se pode viver a vida consagrada, sem o compromisso com os que sofrem e morrem por falta de acolhida. Essa experiência precisa questionar a igreja e as congregações com suas estruturas fechadas para o próximo.
Nem suas irmãs conseguiram compreendê-la quando a mesma acabou com o galinheiro do convento para acolher pobres ali. É assim mesmo! Não se consegue compreender o agir de Deus no ser humano quando segue uma vida santa. Não será o dinheiro nem grandes iniciativas que transformará o mundo sem corações convertidos e dedicados ao próximo a exemplo de Santa Dulce.
Até mesmo em casa, na família religiosa, ela enfrentou dificuldades e, certamente, na sociedade, mas ao mesmo tempo contou com a generosidade e pode construir um império, não para si mesma, mas tudo para os outros, os mais abandonados, doentes e pobres.
Na santidade cristã mais autêntica encontramos estas características fundamentais de um grande amor apaixonado a Deus que se confunde também com o amor ao próximo sofrido “objeto” do amor de Deus, como o pobre, o órfão e a viúva.
Os grandes santos e santas puderam se destacar exatamente na linha da caridade, de modo particular para com os doentes como santa Dulce, do mesmo modo como Jesus cuidou dos doentes de forma dedicada.
Sempre nos lembramos do nosso anjo da guarda e a ele rezamos, por isso, não podemos nos esquecer de que devemos ser anjo também para o socorro e proteção dos desfavorecidos como tantos homens e mulheres na história e também de forma anônima, foram no seu tempo.
Santa Dulce dos pobres interceda a Deus, para não nos esquecermos dos mais necessitados. Cada pobre é a imagem e a semelhança de Deus para nós.

PANDEMIA EM ALTA




13/08/2020
PE BOSCO
Por quase um semestre estamos mergulhados na pandemia. Recordamos quando foi anunciado o primeiro caso. O anúncio foi no dia 2 de abril conforme o G1. Não se tinha ideia do que poderia acontecer. Daqui a pouco completaremos um semestre e só tem crescido o número de mortos e de infectados.
 O Brasil já passou dos 100 mil mortos e no Brasil não aconteceu isolamento social, apenas ensaios. Nenhum estado do Brasil atingiu a meta recomendada.
Quanto maior tem sido a prática de aglomerações e maior a possibilidade de contágio. Nos estados são raros os municípios que estão isentos. Isso reflete o grau de contágio da doença. É como se o vírus fosse levado pelo vento.
A Paraíba já foi atingida. No dia 15 de julho se noticiava que apenas os municípios de Ouro Velho e São Domingos não registraram casos da doença. Os demais, 221 estavam comprometidos.
O município de Guarabira, cidade pólo da região chamada do brejo, ocupa o terceiro lugar no estado em número de pessoas infectadas. O comércio nunca fechou. As aglomerações na feira e nos bancos são rotineiras.  Não existe preocupação das autoridades locais como também da população. As únicas medidas viáveis deixam de ser observadas aqui e alhures.
O Brasil, com mais de 100 mil pessoas mortas a partir dos dados oficiais continua com secretário interino no ministério da saúde. Sem uma atuação clara, visível, diante da realidade.
Os dados repassados pela rede globo diariamente, parece não refletirem a realidade. De um dia para o outro mudam os dados nos estados. Oscilam os números diariamente.
A esperança sobre o uso de vacina continua. São muitas pesquisas, mas isso levará ainda um tempo para chegar a algo científico. Até lá a situação vai se prolongando com muitas vidas perdidas entre todas as idades.
De fato, o mundo se deparou diante de uma situação inesperada e inusitada. Em um mundo que se considera pós moderno está dominado por essa pandemia, contando também com a indiferença dos que governam e dão prioridade às questões econômicas em detrimento da vida humana.
As leis do capitalismo estão acima da Lei da vida e da dignidade, destruindo vidas a cada segundo. No reino de Deus anunciado por Jesus prevalece a vida acima do capital. Hoje a acusação feita a Jesus seria de comunista e vermelho. 


12 de agosto de 2020

PROFECIA SEMPRE




PE BOSCO
01/08/2020
Em torno de 37 bispos espalhados pelo Brasil começaram um diálogo a respeito da situação no nosso país, a partir das preocupações sobre a saúde do povo brasileiro, esquecer que em situações de crise, os mais pobres são que são mais penalizados.
Esse diálogo muito justo e muito necessário, levou às necessidade de escrever uma carta dirigida ao povo de Deus. O diálogo foi se ampliando de tal modo que a carta chegou a ser apoiada por mais bispos e arcebispos e um cardeal, chegando a 152 signatários, certamente chegando a mais adesões.
É bom recordar que cada bispo tem o direito de escrever cartas pastorais dirigidas ao povo de sua diocese, como o papa escreve suas cartas e encíclicas, dirigidas ao mundo, abordando as situações do mundo que põem em risco a vida das pessoas.
Quando foi publicado no Nordeste o documento “Eu ouvi os clamores do meu povo”, de fundamental importância para denunciar as questões do Nordeste, um pequeno grupo assumiu a autoria: treze bispos e cinco religiosos.
Os bispos que hoje assinaram a carta ao povo de Deus, apenas nos apresentaram a realidade em que vivemos no Brasil, tão visível e tão real que não tem como ser escondida.  
A missão da igreja, como a missão de Jesus, terá que partir sempre da realidade da vida de mulheres e homens. Será impossível evangelizar sem tocar a situação da pessoa a ser evangelizada.
Basta olhar as falas de Jesus e como ele falou da situação vivida por ele e por seus contemporâneos. Falou de semente, de mar, de rede, de fermento, de fome, de pão, flores, aves do céu, de riqueza, de pobreza, das leis que desprezavam a vida, viúva, juiz, estrangeiro, etc.
Os pastores do povo de Deus não poderão cuidar do rebanho, sem olhar e acompanhar a quantas anda a vida do rebanho. Os pais não falam apenas de Deus para os filhos mas com eles devem falar com Deus e com tudo o que tem a ver com suas necessidades: da mesma forma a nossa igreja, nossa mas através dos nossos pastores mas através de todas as pessoas batizadas.
Pastoreio e evangelização não podem andar sem a profecia, (anúncio do reino e denúncia do anti reino). De fato, o que está posto em pauta na carta dos bispos, deve ser uma prática constante.
Depois da carta dos bispos, padres de todo Brasil, já passando de 1.500 adesões, também publicaram um carta de apoio aos bispos. Sim, isso é preocupação pela vida do povo de Deus. Não ter esse olhar atento é negar o pastoreio, é ser ladrão e assaltante como disse Jesus em João capítulo 10.
Muitas notas de apoio estão sendo feitas por pastorais, serviços, leigos e leigas, religiosas, diáconos, etc. o povo de Deus traz consigo a missão profética.  Somos a mesma igreja e, por isso, devemos nos sentir juntos não só no culto, mas na defesa intransigente da vida da humanidade.
As reações contrárias não vão deixar de existir. Isso faz parte da missão, como aconteceu com o próprio Jesus. A verdadeira religião não comunga com ódio, mas os religiosos do tempo de Jesus foram tomados pelo ódio e o mataram, a vida, no entanto venceu a morte e mais derrotadas ainda ficaram as autoridades do seu tempo.
As críticas vão fazer crescer a profecia. Na crise e na injustiça surge a profecia. O sangue dos mártires era como semente na igreja primitiva como sabemos. Vamos adiante, sempre, avançando para águas mais profundas, como nos disse o nosso mestre. 

22 de julho de 2020

RELIGAR



22/07/2020
PE BOSCO

Religião vem de uma palavra latina ligada ao verbo religare, no sentido de religar o ser humano ao seu Deus. Se olharmos hoje para as inúmeras expressões ligadas à religião, fica a dúvida da sua finalidade.
Já no tempo de Jesus o grande conflito se dava por causa da forma como a vida religiosa acontecia para o judaísmo. É do nosso conhecimento o apego presente na prática dos escribas, sacerdotes, fariseus e saduceus, com a dimensão exterior e de apego à exterioridade da lei.
Não resta dúvida de que Jesus caminhava na direção religiosa, se assim podemos falar, de religar-se com Deus, enquanto o sistema religioso do momento seguia outra direção. Por isso aconteceram tantos conflitos em tão pouco tempo e, por eles, Jesus foi condenado à morte.
Um fato muito visível é o culto no templo, tomado pelos cambistas e todos os tipos de animais para serem vendidos para os sacrifícios. Nos evangelhos com todas as narrativas a respeito de Jesus, esse é o único momento que podemos dizer que Jesus usou da força e derrubou mesas e expulsou os vendilhões do templo. Imagino que o texto pretenda ressaltar a insatisfação de Jesus. Não resta dúvidas de que se trata de uma lição para todos os tempos sobre o sentido do culto, do templo e do papel da religião.
A casa do Pai, que deve ser o lugar de religar-se com Deus se tornou apenas um ambiente de troca de coisas que rendessem moeda financeira. Essa preocupação precisa estar presente na nossa missão. Precisamos hoje de recursos para a manutenção da missão, mas podemos enfatizar a todo o momento essa necessidade. Também não se aproveitar do culto como oportunidade para arrecadar fundos.
Hoje ouvi um convite para empreendedores. Uma missa exclusiva para eles. Longe de julgar as intenções, mas não deveríamos reduzir a celebração que deve sempre ser comunitária e, portanto aberta a todos, a grupos fechados, o que parece contrário à comunhão.
Os momentos de cultos devem ser momentos de profunda oração, de silêncio, de ação de graças, de celebração da vida vivida e também ponto de partida para a missão. Rezar e pedir a Deus pela humanidade e pelas nossas reais necessidades e nunca buscar benefício próprio, numa negociata com Deus, ou rezar por causa do padre como se houvesse diferença do mistério celebrado por um ou por outro. Isso acontece com freqüência e distorce o sentido profundo da graça de Deus em nossa vida.

Religião não é estereótipo, ritualismo bonito, teatro ou algo parecido. Isso se pode encontrar com muito mais qualidade em outros ambientes. Isso não significa tirar o zelo e a beleza da liturgia, no entanto, religar-se a Deus pela cruz de Jesus e pela sua ressurreição é o essencial da vida cristã. Se isso conseguirmos já estamos no mais essencial da prática cristã.  


O VERBO SE FEZ CARNE



21/07/2020
PE BOSCO
Os evangelhos de Mateus e Lucas relatam o nascimento de Jesus, no entanto, antes desse importante relato, encontros aqueles acontecimentos que prepararam o acontecimento mais importante. Encontramos a anunciação do anjo, Isabel e Zacarias, a visita de Maria a Isabel e o nascimento de João Batista.
O messias esperado por todo Israel chega a nascer de forma inesperada e misteriosa. Chega a Belém e não encontra lugar numa hospedaria e passa a ocupar uma estrebaria. As palavras até são parecidas, mas muito diferenciadas.
Costumo dizer que por mais pobre que seja não se notícia de que uma criança tenha nascido numa cocheira. Numa noite escura, sem presença, além de José e sua mãe, Jesus se faz presente na terra, nascendo como um retirante. Jose cumpre com Maria a obrigação de participar do recenseamento.
Os pastores, pobres que passavam a noite cuidando do rebanho, talvez os únicos que naquele momento estavam acordados vigiando o rebanho, foram avisados do que havia sido anunciado pelo anjo.  A notícia é boa. Tem a ver com a salvação. Eles vão checar a notícia e ficam muito alegres por encontrarem Maria e a criança conforme a notícia do anjo.
Depois dos pastores, odiados pelos donos das plantações porque seguiam o rebanho durante a noite, é vez dos magos que chegam do Oriente, guiados por uma estrela, perguntando onde havia nascido o rei dos judeus. Eles viram a sua estrela e estavam à sua procura para adorar o menino. Aqui encontramos Herodes que fica assombrado com a notícia e os magos que prostrados oferecem seus presentes: ouro, incenso e mirra. Os presentes já simbolizam divindade, reinado e humanidade.
Herodes que participou da conversa dos magos espera um retorno dos magos, mas depois do encontro com Jesus seguiram por outro caminho. Quem se encontra com Jesus não permanece no mesmo caminho, sobretudo para reencontrar o tirano que queria matar o menino Jesus.
Sentindo-se traído pelos magos, Herodes ordena a matança dos inocentes, os meninos de dois anos para baixo, na tentativa de matar o próprio Jesus. Deus, através do anjo, fala com José em sonhos. Jose, o justo que pensou abandonar Maria em segredo por ocasião da gravidez e foi convencido pelo anjo a não desprezar Maria, agora, mais uma vez é advertido para pegar Maria e a  criança e fugir para o Egito. Na prontidão de José e na sua obediência, o menino Jesus tem a salvar a sua vida.
Vale a pena meditar esse mistério da vida de Jesus mergulhado num drama profundamente humano e conflitivo.



21 de julho de 2020

NA ESPERANÇA



PE BOSCO
21/07/2020
Na Paraíba estamos por um período de quatro meses convivendo com a pandemia – COVID 19. Pelo Brasil afora os estados estão sendo apresentados em estágios diferentes. Número de mortes em alta, estabilidade no número de mortes e em queda.
A nossa Paraíba oscila entre estabilidade e em alta. Isso significa que estamos tendo muitas mortes ainda. Em quatro meses tem se elevado o número de infectados também. O Brasil não conseguiu fazer isolamento social. Pelo que se pode acompanhar nenhuma cidade realmente chegou a manter um grande número da população em casa. Da mesma forma não se conseguiu o distanciamento e o uso de máscaras que são medidas de contenção do vírus.
Hoje se fala no novo normal. Na verdade se trata de nova realidade e por isso não normal. Por mais que se queira imaginar que o comércio está abrindo não há normalidade nessa etapa da vida social.
Novas etapas do vírus estão chegando a lugares que se pretendeu retomar a vida até mesmo em países de estrutura social de primeiro mundo. O nosso Brasil tem alcançado os altos índices de mortes em todos os estados.
A vida já é incerta por natureza. Por esse motivo Jesus recomenda a vigiar; nesse momento, mais incerta ainda vai ficando a vida e a convivência e presença neste mundo, até que se chegue a uma vacina e a alternativas outras  trabalhadas pela  ciência e pela medicina.
É tempo de refletir adequadamente sobre o mundo e como nele estamos nos conduzindo; quais estão sendo nossas prioridades e ocupações; qual o lugar que estamos dando a Deus e ao nosso próximo; qual o tempo que estamos dedicando a nós mesmos como momentos de oração pessoal e em família ou pequenos grupos da comunidade.
Não haverá um novo normal, mas poderá haver uma nova forma de viver e conviver nesse mundo marcado por uma situação que não passa em pouco tempo.   Aquele ritmo de vida que parecia insubstituível que quase que obrigava a todas as pessoas a correrem a todo custo, talvez não nos retorne com os mesmos moldes.
Por isso se faz necessário organizar um novo modo de ser para uma nova forma de convivência.
O Brasil já ultrapassou 80 mil pessoas mortas. É algo que não podíamos imaginar e por isso nos assusta em pouquíssimo tempo. É claro que além da gravidade da situação existe a gravidade da política de saúde do nosso país.

PARÁBOLAS DA ESPERANÇA


PE BOSCO
21/07/2020 

A semente exige apenas que seja semeada. Muitas sementes brotam até mesmo sem serem semeadas.
Como se trata da Palavra de Deus, devemos semeá-la. Não se esquecer da condição do terreno.
Quem deseja produzir frutos que é o destino da semente, deve ter atenção ao terreno do coração. Pedras, espinhos, terreno duro, não produzirão. A terra boa garante a reprodução da semente.
Não esquecer que o semeador precisa cumprir seu papel sem desistir enquanto o mesmo deve ser também terreno. Só tem semente para semear quem produz e guarda a semente.
O reino dos céus é comparado por Jesus com o movimento das sementes mesmo sendo pequenas caídas na terra, devem produzir bons frutos, na bondade da terra e na calmaria do tempo e da chuva.
A nossa dificuldade reside no nosso coração intranqüilo e preocupado com muita exterioridade, sem da a devida atenção à semente da palavra que Deus tem semeado em nosso coração.
 As parábolas nos remetem a um ambiente de esperança. Em tantos grãos semeados e perdidos, um deles poderá fazer a diferença e produzir frutos para a manutenção da semente.
Jesus conta essas parábolas em um momento de crise na sua própria missão. Seus ouvintes representavam essa realidade de terrenos diversos. Ao contar as parábolas Jesus nos assegura que mesmo diante da crise, é possível a semente fazer o seu caminho.
Semear, cuidar, colher, guardar, para repetir a semeadura. Nesse movimento que se repete, a semente morre para nascer e fazer crescer o reino dos céus no coração do mundo.
Bendito seja Deus que nos torna semeadores / semeadoras e terreno para que o reino dos céus aconteça.
Feliz daquelas pessoas que permanecem fiéis semeando, mesmo que não colham os frutos; os mesmos são para Deus.





18 de julho de 2020

ALIMENTAR A MÍSTICA


15/07/2020
PE BOSCO 


O nosso Plano Diocesano de Pastoral 2020 a 2023 traz como tema: “Alimentar-se da Palavra e do Pão para viver a Caridade na Missão.”
O povo de Deus espera sempre da Igreja e seus ministros uma ação missionária, tanto em tempos serenidade como em tempos adversos.
A Igreja sempre se reinventou, mantendo-se fiel à mesma missão.
Nestes tempos atípicos de pandemia, não podemos perder a mística e o ardor da nossa identidade.
Temos a missão de rezar pelo nosso povo, motivar a oração em família, com orientação clara, viável, objetiva, incentivando a oração e a meditação da Palavra em pequenos grupos, como também nas famílias.
Neste tempo, muitas pessoas precisam ser escutadas, com seus dramas pessoais e familiares. Para isso, devemos usar as mídias para o serviço da escuta. Temos que manter a presença na vida daqueles que colaboram conosco, para que não se sintam esquecidos. 
O serviço da partilha do pão por causa da fome tem sido uma constante em muitos lugares e deve, ainda mais, ser motivado.
A Igreja nunca deixou de ser instrumento da caridade.
Nosso Plano Diocesano de Pastoral para este ano prevê seis ações pastorais.
  • Instituir Ministros da Palavra;
  • Organizar o Setor Diocesano de Liturgia;
  • Assumir de forma mais intensa o Hinário Litúrgico; 
  • Resgatar a centralidade da Eucaristia nas comunidades; 
  • Estudar o diretório diocesano de liturgia; 
  • Entronizar o Santíssimo com sacrário nas comunidades das paróquias.  
É claro que fomos tomados de surpresa com a pandemia e fomos forçados a sair da normalidade, e estamos nos adaptando a outro ritmo; no entanto, temos condições de nos manter focados no nosso Plano Diocesano de Pastoral, através das nossas celebrações, programas de rádio, lives, mensagens, serviço das pascons, pequenos textos divulgados, etc.
Lembrar da criatividade de Jesus, que sempre tinha compaixão ativa pelo seu povo.
Hoje, essa mesma compaixão de Jesus deve estar sempre presente em todos nós.

4 de julho de 2020

ORAÇÃO DE LOUVOR



 04/07/2020
PE BOSCO


Eu te louvo Ó Pai. Estas palavras fazem parte de uma oração de Jesus.  Os evangelhos registram muitos momentos nos quais Jesus rezou, mesmo que não apresente o seu conteúdo. O evangelho, sobretudo de Lucas tem uma atenção especial para a atitude Orante de Jesus.

Esta oração de louvor tem uma finalidade muito clara, por se tratar da gratidão a Deus por ter concedido aos pobres a compreensão da mensagem divina, enquanto esconde isso aos sábios e entendidos.   É por isso que Jesus louva ao Pai. Jesus reconhece que isso foi do agrado do Pai. Ainda em nossos dias são ao mais humildes que mais colocam em Deus suas esperanças.

Na verdade, os pobres estavam sempre afastados da religião, como também, da vida social, econômica e política. Só em Jesus os mesmos puderam compreender que o mesmo veio para trazer-lhes uma boa notícia; os pobres puderam entender que Deus também os amava. Os pobres aqui são os despossuídos, por causa da injustiça e que depositam em Deus a sua total confiança.

Depois dessa oração de gratidão, Jesus nos faz dois grandes apelos que não podemos esquecer e nem recusar. Na verdade, um grande convite: Vinde a mim! Como nós precisamos atender a esse apelo por causa de nossas necessidades. O convite é feito a todos, mas, sobretudo, para os que estão cansados e sobrecarregados com seus pesados fardos.

Quem de nós não se sentiria ou se sentirá cansado diante dos desafios que a vida impõe?  Por muitas vezes deixamos de ir a ele, ou não? Quantas pessoas cansadas por causa das doenças, da fome, do medo, da insegurança, do desemprego?

Outro convite irrecusável é para que aprendamos com ele que é manso e humilde de coração. De fato, só com ele podemos aprender. Ele é o verdadeiro exemplo.

 Diante da realidade do mundo em que vivemos, é urgente esse aprendizado. Estamos guiados por um mundo de total indiferença e tantos egoísmos que nos enche o coração de indiferenças que nos afastam da real vida cristã.