16 de outubro de 2010

O sistema e as eleições



Na atual conjuntura eleitoral, não ouvi em nenhum lugar, os candidatos e candidatas colocarem a grave situação do sistema prisional dos estados e do país. A conclusão a que chego: os nossos governantes não querem enfrentar a realidade social em que vivemos a cada momento, cheia de dificuldades. O que é mais grave, não há um estado sequer que viva tranqüilo com o sistema penitenciário. Os nossos governantes, na realidade, governam para si, para os seus e para os ricos. A única proposta para os pobres e familiares de presos é dar uma bolsa com vários nomes com a mesma merreca.
Ninguém sugere uma política para emprego, escola, moradia, saúde, reforma política, reforma agrária, etc. Nestas áreas o Brasil está patinando. Nisso não se pensa e isso não se faz porque promove os pobres e devolve aos mesmos, dignidade e cidadania. Sobre estes temas ninguém reclama. Onde estão as igrejas que se colocam como defensoras da vida se permanecem caladas? A profecia deixou de ser bíblica? A questão partidária, assumida por setores da igreja é menor que a realidade social que tem tirado a vida de muitos pobres. Quais dos nossos pastores já levantaram alguma bandeira sobre a violência, pedindo providencias urgentes, aos que governam? A vida está sendo eliminada a cada momento.
O sistema penal não é prioridade em nenhum estado do Brasil. Lá estão homens e mulheres eleitores e eleitoras quando provisórios. Os seus familiares também votam. Mesmo se não votassem, o estado tem a obrigação de tê-los como pessoas, como gente e de tratá-los com dignidade. Pelo contrario, o estado os trata como bandidos e como irrecuperáveis. Bandidos que devem ser mortos. Diretores de unidades prisionais que vivem para tratar com violência aqueles que deveriam ser por eles ajudados a se recuperarem.
Quando uma unidade penitenciaria vem dá  certo, não é pela política do estado(que não existe), mas por pessoas vocacionadas, que assumem o trabalho como uma missão. Nosso estado tem um plano diretor que não sai do papel. Reflexo da inércia e da falta de iniciativas para colocá-lo em pratica. Felizmente temos algumas experiências exitosas, como o Instituto de Psiquiatria Forense onde celebrei recentemente para os internos. Aquela casa recebe até ajuda de religiosas para mantê-la como vem sendo mantida e o esforço da direção da casa.
Lendo esta reflexão talvez alguém chegue a pensar que este colunista é contra o sistema. O sistema é necessário e constitucional. Ninguém é contra ele em si, mas contra a forma de realizá-lo, muitas vezes de forma criminosa. Ninguém combate o crime com outro.
Vejam leitores e leitoras, que vivemos uma realidade muito complexa, no mundo da política, da economia, da segurança publica, do trafico de drogas, da fragilidade das instituições, etc.
O que fazer? De que necessitamos hoje? Creio que necessitamos de lideranças corajosas, vocacionadas, capazes, voltadas realmente para os dramas humanos e dispostas a fazerem acontecer o novo. Até agora tem nos faltado líderes.

12 de outubro de 2010

Muitas vozes.


Como vamos nos comportar?
Neste momento político da historia do Brasil, muitas vozes estão gritando, inclusive setores das igrejas. Ninguém grita sem algum interesse.
Qual deve ser o nosso procedimento?
Escutar é o primeiro passo, pois cada pessoa tem o direito de falar.
Não devemos levar em conta as falas que são interesseiras, preconceituosas, tendenciosas e discriminatórias.
Não é quem fala que devemos levar em conta, mas qual é a fala: qual sua consistência?
Devemos analisar a pessoa que fala e se existe coerência em seus posicionamentos. Se não existe, descarte as posições levantadas.
Na urna não devemos seguir os critérios dos outros mas a nossa consciência deve ser a norma absoluta da nossa decisão. Ninguém tem satisfação a dar a ninguém na hora do voto.
Você, diante de Deus e diante do seu Eu mais profundo vai colaborar na decisão dos destinos da vida do seu país e do seu estado.

PeBosco.








10 de outubro de 2010

Prática Religiosa


     Nos últimos tempos temos vivido uma efervescência religiosa muito grande. As igrejas parecem disputar a presença de fieis como em uma campanha que se faz, diminuindo a outra igreja, com a finalidade de ganhar a outra pessoa. É a pratica do famoso proselitismo. Neste esquema adotado, não temos o que de mais importante deve existir na religião que é a gratuidade. Neste esquema, as religiões vão ao encontro das pessoas pensando no crescimento delas e não no bem estar do outro.
Neste fenômeno religioso do nosso tempo convivemos com uma pratica quase totalmente exteriorizada, não recomendada por Jesus. A satisfação das religiões passa pela quantidade e não pela qualidade.  Os lideres religiosos ficam felizes quando conseguem encher os ginásios para um momento de manifestação mais emocional do que de fé. Esquecem eles que o momento de massa é até necessário, mas estes momentos não sustentam a fé e a caminhada das respectivas igrejas pelo fato de não trazerem nenhum comprometimento para a comunidade. Jesus até condena as praticas exteriores, pois elas serem muitas vezes para um exibicionismo, para mostrar que estamos prestando serviços relevantes na comunidade. Na realidade, é o testemunho fiel do dia a dia que vai manifestar a qualidade do nosso serviço.
Gritar nas praças para chamar a atenção dos outros como se vende um produto não é do agrado do Senhor. A religião não é um negocio a ser vendido, como ela tem se manifestado nos últimos tempos, mas é uma proposta de vida.
Qual é a melhor religião? Certamente esta é uma pergunta difícil diante do pluralismo religioso que vivemos, mas podemos buscar alguns indicativos para esta questão. São Tiago em sua carta nos dá uma referencia no capitulo 1,26-27, mostrando o que é fundamental para uma verdadeira pratica religiosa:
“Se alguém julga ser religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo: a sua religiosidade é vazia. Religião pura e sem mancha diante do Deus e Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas dificuldades e guardar-se livre da corrupção do mundo”.
Na pratica religiosa de hoje, voltou muito a experiência de uma religião do medo, que ameaça os fieis, ao invés de anunciar a esperança. Evangelizar é levar uma boa noticia. O inferno passou a ser instrumento para ameaçar as pessoas sem formação.
O papel da verdadeira religião não é amedrontar e ameaçar, mas oferecer os caminhos da caridade, como Jesus nos apresenta. Para ele, muitas pessoas serão salvas sem ter pertencido a nenhuma igreja. Quem viveu na caridade é convidado a fazer parte do reino. Vinde benditos de meu pai. Mateus 25.
Nenhuma experiência religiosa é validade, se ela não conduzir os seus fieis a uma pratica de caridade. “Estava nu, presos, doente, com fome e vocês cuidaram de mim”.
Quem viver a caridade em toda sua plenitude, fora dos esquemas religiosos, pela falta de oportunidade, será acolhido no reino do céu. Quem está ligado a uma comunidade religiosa, é claro, tem muito mais obrigação de viver a caridade, pois a fé sem as obras é morta, conforme São Tiago.
É bom que haja as múltiplas experiências religiosas, desde que não sejam farisaicas e hipócritas, mas no seguimento real do enviado do Pai, Jesus!
Nenhuma religião se mede pelo discurso ou pelo estereótipo mas pela vida de caridade, de acolhida e de perdão.
Pebosco.

9 de outubro de 2010

Eleições

Estamos diante de mais um processo eleitoral para o qual todas as pessoas são chamadas a participar. É um direito e um momento democrático extensivo a toda população.
Vez por outra se faz confusão na relação entre a igreja católica e a política. Não podemos perder de vista o seguinte princípio:
A igreja é a comunidade de todos os fieis, cada um com seu respectivo partido. Sua missão é congregar e criar a comunhão, a união e a participação de todo o povo de Deus. Exatamente por esta missão a igreja não pode assumir uma posição partidária. O partido tem por finalidade natural a divisão, pois é daí que nasce a escolha democrática.
Quando um membro da igreja faz uma opção partidária, é claro que ele é um representante da igreja, mas a opção não é da igreja, e sim uma opção pessoal. E sua opção não pode contar com o apoio da igreja.
A orientação da igreja é a liberdade da consciência de cada cidadão e de cada cidadã. Ninguém pode se deixar pressionar e impressionar por ninguém.
A respeito do ato de votar:
Nunca se deve deixar de votar.
Não se vota em alguém para pagar favores ou para pagar uma caridade recebida.
Vota-se na pessoa que tem melhor condição de prestar serviço à comunidade como um todo.

Não se deve votar em pessoas:
Que perseguem;
Que não dialogam;
Que não apresentam propostas concretas para administrar;
Que são contra os movimentos sociais;
Que reprimem e massacram pobres em suas reivindicações;
Que defendem e protegem os corruptos;
Que são preconceituosas;
Que não defendem a vida;
Que defendem o latifúndio e o interesse dos grandes.
Estas pessoas não devem estar entre as nossas prioridades. Temos que votar diante de nossa consciência. O voto é secreto. Você não tem satisfações a dar a ninguém diante do seu voto.

Nunca se deve dizer:
Nada presta, por isso, vou votar em qualquer um.
Meu voto não vale nada.
A política não presta mesmo!
O problema é da política ou da pratica dos nossos representantes?
Muito pelo contrario, seu voto vai contribuir com o crescimento da população. Muita coisa vai depende da sua escolha na hora de votar.
Ficar reclamando depois de quem administra não adianta se você fez a escolha errada. Por isso se diz: “o povo tem o governo que merece”, pois não escolheu bem.

Pebosco.

1 de outubro de 2010

Situação do Brasil.

Muito se tem propagado sobre o crescimento do Brasil. É verdade que aconteceram grandes mudanças nos últimos anos não só no nosso país, mas no mundo e, em conseqüência, também por aqui. Também é verdade que as grandes e necessárias mudanças não acontecem. O Brasil precisa de uma ampla reforma na área política, na área social, na questão fundiária e na área judicial. Agora se discute o limite da propriedade em meio a uma grande reação da classe rica por que jamais abrirá mão do seu patrimônio.
Por que estas mudanças não acontecem? O jornalista Hamilton Otavio de Souza lembra: “os projetos de lei que ampliam direitos, reduzem as desigualdades e aperfeiçoam o sistema democrático são congelados ou derrubados por deputados e senadores”. Isso acontece pelo fato de estarem em jogo os interesses da burguesia da qual fazem parte os nossos representantes. Não podemos também nos esquecer que os nossos representantes votam com urgências seus interesses e interesses da burguesia. Nós temos na maioria o que existe de mais reacionário no país. Por isso, precisamos acabar a falsa ilusão de que o Brasil está numa das melhores situações.
Nas ultimas eleições de 2010, escutamos um discurso orquestrado sobre bolsa família, bolsa Natal, etc. por que isso? Exatamente pelo fato de serem doações que não comprometem o estado. Trata-se na realidade de uma esmola do estado para os pobres num momento de festa. Assim, o gestor passa-se por bonzinho para o povo. O emprego, o salário e a educação vão tornando o povo mais esclarecido e independente e isso não são interessantes para quem governa. O mesmo também acontece com os períodos de seca e enchentes. Nenhum estado vai criar estruturas para resolver estas situações. Temos a indústria da seca e das enchentes para arrecadar fundos que não são aplicados devidamente
Discute-se a liberdade de imprensa que tem um papel de fundamental importância na vida social, mas infelizmente a imprensa não é livre. Como ela está sempre ligada a grupos e empresas, o profissional da imprensa se tem uma ideologia própria não pode manifestá-la. Ele é obrigado a manter a ideologia do sistema do qual faz parte como condição para lá permanecer. Isso é muito comum em nossa realidade. O profissional hora está em um veiculo e hora em outro por causa daquilo que cada veiculo vai defendendo.
Outro fato que mostra a falta de abertura e de espírito democrático em nosso país foi por ocasião do Plano Nacional de Direitos Humanos 3 sobre a ditadura dos anos 64-85. O plano previa uma investigação e punição aos torturadores. A reação fez com que o presidente da Republica não enfrentasse o problema. Lucia Rodrigues, da Revista Caros Amigos faz a seguinte observação: “Vários integrantes dos órgãos de repressão da ditadura militar ocupam cargos públicos atualmente”. Para Lucia, alem da impunidade, a repressão continua e se apresenta de varias formas como também o serviço de infiltração de agentes policiais nos movimentos sociais é uma pratica comum.
Tem sido muito comum aparecerem os que foram torturados e até tiram proveito da situação por estarem também em lugar de destaque nos serviços estatais. Por outro lado o próprio estado mantém e esconde os torturadores.
Assim podemos perceber o quanto precisamos crescer. O que fere profundamente a vida do nosso país é a desigualdade e a distancia entre pobres e ricos.

pebosco

30 de setembro de 2010

Não matarás. (Deuteronômio 5,17)


Não matarás. (Deuteronômio 5,17)

As igrejas fiéis a Jesus, em nenhuma circunstancia, podem estar a favor da morte. “Não Matarás” é um indicativo claro a ser seguido na preservação da dignidade da vida humana. É inacreditável, pois, a vida de qualquer animal na natureza é mais importante do que a vida de um ser humano, mesmo o ser humano tendo a primazia sobre toda obra criada.
É muito comum ouvir nas conversas informais e também nos debates e nos programas de rádio, sobretudo os que tratam da questão criminal, aparecer alguém que se declara a favor da pena de morte. Por trás da mentalidade destas pessoas está a idéia de que o ser humano não se recupera. Ainda mais grave é pensar que devemos matar os incapazes de fazer um processo de recuperação. Na fala emocional dessas pessoas está esquecido um componente muito grave: ela mesma, através de familiares seus poderá ser vitima de tamanha violência.
A pena de morte não contribui para diminuir a criminalidade, alem de ser o que de mais atrasado existe ainda em alguns países. Vocês já imaginaram uma lei que executa seus patrícios? Afinal o nacionalismo no bom sentido deve fazer parte de todas as nações.
Na nossa realidade só falta a sentença institucionalizada, pois a vida já é tirada sem nenhum problema. Em 2008 a policia do Rio de Janeiro matou 1.137 pessoas. Isso é pena de morte, diante da qual, qualquer pessoa está sujeita. O que aconteceu diante destes crimes? Certamente nada! O motivo da morte é sempre este: resistência à prisão. Sabe-se que esse argumento não se sustenta. Muitas vezes o tiro é realmente para matar independente de reagir ou não. Já apareceram muitos vídeos aonde policiais aparecem agindo com requinte de crueldade e matando sem nenhuma reação por parte das vitimas.
A leitura que se faz diante dos assassinatos é esta: morreram tantos bandidos; era uma alma sebosa; pode ser que aquela pessoa nunca agiu em bando; quem mata também tem uma alma sebosa. Verão a Deus só os puro de coração. Se aquela pessoa cuja vida foi tirada, muitas vezes por engano fosse de sua família, você defenderia a matança da mesma maneira, ou teria outro procedimento? Não se pode usar dois pesos e duas medidas. Lembre-se que podemos brincar com a vida dos outros, mas com Deus não vamos poder brincar. Deus é o Deus da vida. Tirar a vida é o ato mais grave praticado contra o criador.
A pena de morte não cabe em nenhuma reflexão humana. Escutei nesses dias o que de mais absurdo e de mais ignorante se podia ouvir sobre a bíblia em um programa de radio quando se usava dois textos para justificar a pena de morte. É claro que se pode fazer a leitura da bíblia que se quiser. O que difere é isso: o que leio e interpreto não é o que diz a bíblia. A bíblia pelo contrario condena qualquer gesto que seja uma ofensa à vida. (Veja: São Mateus 5,21) “Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar deverá responder no tribunal’.
Portanto, quem defende o mal para a humanidade defende também para si próprio, pois não são somente os outros que estão sujeitos às leis do país, mas todo ser humano, capaz de praticar o erro, que também será devidamente punido quando comprovada a sua culpa.
pebosco

Seja otimista.


   
Não diga que a culpa é do outros, pois em nossa sociedade, existem pessoas mais culpadas do que outras, mas, na verdade, todos nós temos parcela de culpa pelo que acontece em nossa sociedade. Muitas vezes a outra pessoa poderia deixar o erro a partir da nossa colaboração. Não cobre só do outro. Procure se perguntar onde faltou a sua participação. Culpar a outra pessoa é muito fácil. É, como se diz, “encontrar o bode expiatório”. Quando se identifica a culpa na pessoa culpada todas as outras se tornam isentas. Muitas vezes pessoas são obrigadas, ou se obrigam a assumir crimes exatamente com essa finalidade.
Não diga que tudo está perdido. Existem muitas pessoas pessimistas que nada conseguem enxergar de positivo neste mundo. É claro que o outro extremo não pode ser seguido, assim seriamos todos alienados. Não podemos nunca perder a esperança. Ela nunca deve morrer. As pessoas sem otimismo vivem sem motivações para viver verdadeiramente. É verdade que o mal muitas vezes se manifesta mais, mas temos que reconhecer o bem que existe por todos os recantos do mundo. O mundo será salvo pela pratica do bem. O mal não terá a ultima palavra sobre o mundo. O reinado de Deus já está presente, por mais invisível que seja.
Não diga que as pessoas não mudam. Em cada pessoa, por mais tendenciosa que pareça para o mal carrega dentro de si a semente do bem. O ser humano nunca será a mesma pessoa, nem fisicamente.  Quando você sentir a tentação de querer mudar os outros, não esqueça: é você quem deve mudar. Os outros não mudam com as nossas exigências e reclamações, mas com o nosso exemplo. Os outros precisam perceber que nós estamos mudando. Com certeza eles seguirão o nosso exemplo. Nunca condene o outro pelo seu passado. O comportamento do momento é a referencia para avaliar a outra pessoa. Não a desmotive. Acredite e ajude a outra pessoa a se erguer.
Não diga que é uma pessoa inútil.  Cada pessoa presente no mundo é dotada de muitas qualidades. O que deve acontecer é a descoberta destes talentos. Os carismas e dons são os mais diversos exatamente para que haja a complementaridade. Por mais autônoma que a pessoa se sinta ela necessita da colaboração de todos os outros. Todos nós dependemos das habilidades uns dos outros.
Não diga que não acredita. Temos que sempre acreditar que algo novo é possível. Acreditar nas capacidades e na inteligência do ser humano. Acreditar na pratica do bem e nas pessoas de boa vontade. Acreditar na força da união. Acreditar em Deus presente em tudo e em cada pessoa. Sem a fé não é possível conquistar objetivos.

25 de setembro de 2010

Pós- eleições.

Passadas as eleições, teremos um período de dois anos e mais uma vez se retoma a campanha para o pleito municipal onde o clima é sempre mais apimentado. Após este período, as figuras eleitas ganham a estabilidade de quatro anos e depois tentarão reeleição, se puderem. A disputa para cargos eletivos é realmente uma busca pelo prestigio, pelo poder e pelo dinheiro. Quem está para servir é exceção. O serviço não aparece, aparecem as conseqüências de uma pratica errada sobre o poder. Alguém tem duvida?
Em períodos eleitoreiros o povo se torna importante. Os pobres são lembrados, visitados e enganados pelas promessas.
O povo é esquecido só depois das eleições. Já morei num bairro simples que nunca foi visitado por “autoridades” exceto no período eleitoral. Todos os que pleiteiam funções se fazem amigos do povo e oferecem qualquer coisa em troca do voto. Esta situação nos faz lembrar o profeta Amós no capitulo 8 que condena os que compram o fraco com dinheiro e o indigente por um par de sandálias, pratica muito comum em nossa sociedade.
O poder transforma as pessoas e mentalidade de todos. Ninguém vale pelo que é, mas pelo que possui e pelo poder que detém como também é verdade que o poder não conduz para a pratica do serviço, mas para o autoritarismo. Até se diz normalmente: ”triste do poder que não pode”. A moral da historia é mais ou menos esta: o poder dever fazer o que quiser. Já ouvi uma narrativa sobre alguém que em sua cidade não tinha nenhum reconhecimento por viver de maneira muito simples. Um dia tendo-se afastado de sua cidade após a oportunidade de se tornar uma pessoa famosa chega a ser recebido com honras para um banquete. Ao lembrar-se como era tratado e como estava sendo tratado no momento, só por causa dos títulos que tinha, ele dizia, “Come casaca”, simulando colocar comida no paletó, com a consciência que a homenagem não era feita a ele enquanto pessoa. Infelizmente esta é a mentalidade de nossa sociedade. Assim sendo, há pessoas que sabiamente se aproveitam das situações para estarem na crista da onda.
Por mais duradouro que seja o pode, pelo bem ou pelo mal que ele pode causar, chega o momento do seu fim e até o fim de quem o exerce. Seria bom pensar que vivemos um eterno provisório em nossa caminhada.
Não é por acaso que há uma passagem interessante a este respeito no livro do Eclesiastes 3,1-11 que começa com a seguinte expressão: “Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo que acontece debaixo do céu”. É verdade também que fazemos a hora, como diz a canção, mas não fazemos tudo. A dinâmica da vida, como a dinâmica da semente, já contem situações que são inevitáveis.
Assim acontece com todos e com todas as coisas da natureza. O lamentável é que nos esquecemos desta realidade ao pensarmos que podemos tudo pelo poder que os outros nos concederam. Se o poder demanda do povo, como a pessoa delegada pode tudo? Quem assume o poder mandando, pode chegar o tempo de ser mandado; quem usa do poder para ofender pode chegar o tempo de ser ofendido. É assim que se expressa o texto supracitado para mostrar que todo começo tem também um fim em todas as coisas.

pebosco

Como lidar com os outros

Não podemos viver neste mundo para fazer o mal, somos chamados a fazer o bem. Fomos criados por amor e somos chamados a amar. O mal nunca deve ser pago com o mal, mas o mal com o bem. O ser humano é muito complexo em todas as suas dimensões, por isso, é propenso ao mal.
Infelizmente o mal se faz presente em todos os lugares e assume proporções grandes no mundo pelo fato de nos deixarmos levar pelas más inclinações e, sobretudo, por pagarmos o mal com o mal.
Pelo fato de sermos uma comunidade cristã no sentido mais amplo da palavra, feita de pessoas que tem cristo como referencia, não significa que somos uma comunidade seguidora do mestre Jesus quando não defendemos as suas convicções e princípios de justiça, fraternidade, amor, perdão, reconciliação.
A violência que reclamamos por nos meter medo de sermos vitimas dela, somo também como sociedade, responsáveis pela sua existência. Não construímos uma cultura de paz quando somos a favor dos massacres e das torturas.
No nosso país, TORTURA é crime. Existem muitas pessoas que torturam e outras que defendem a pratica da tortura. Como nós queremos uma sociedade sem violência e sem crime quando nós defendemos uma pratica criminosa?
Quando alguns policiais prendem uma pessoa e, já dominada, entregue, ela é torturada e submetida a tratamento cruel e desumano, aqueles policiais estão tendo uma pratica criminosa, ao invés de prestarem um bom serviço à sociedade. A mesma coisa quando em uma casa de detenção os responsáveis submetem as pessoas ali reclusas a tratamento desumano, numa situação em que a pessoa não pode reagir nem se defender, é crime. É o crime da covardia.
Nunca uma sociedade superará a violência, estando de acordo com ela. Quem pratica a violência, de alguma maneira acaba sendo vitima dela. Aquela velha observação: “quem bate, esquece, quem apanha leva as marcas para o resto da vida.” A vingança nunca deveria acontecer, mas, a falta de consciência cristã faz com que muitos atos violentos aconteçam por causa disso.
Por isso, numa sociedade de humanos, a prática deverá um dia ser outra baseada nas orientações e nas praticas de Jesus para que nunca de utilizem os instrumentos de violência, de tortura e de mortes em nenhuma situação e para nenhuma finalidade.
Quem julga também é julgado; quem condena, também é condenado; como medimos os outros também seremos medidos. Vejam que devemos buscar toda outra maneira de lidarmos, sobretudo com aquelas pessoas que mais culpadas ou menos culpadas são rotuladas para o resto da vida. Sejam elas as culpadas ou não os crimes a elas são atribuídos.
Nas questões criticas da nossa sociedade, parece que não temos mais racionalidade e tudo é trabalhado e discutido no plano da emoção que sozinha não é capaz de construir conceitos e opiniões que incluam todas as dimensões necessárias para a questão ou a pessoa em pauta.
O nosso falar e o nosso agir precisa ser claro, mas cauteloso e prudente. Todos os seres humanos são fracos e, portanto, sujeitos a todo e qualquer erro. Daí que não devemos ter tanta segurança. Como diz a sabedoria do apostolo Paulo: “quem estiver de pé, tenha cuidado para não cair. (I Coríntios 10,12)”.

23 de setembro de 2010

Sistema Prisional.

Quem conhece o sistema penitenciário através das informações de determinados setores da imprensa, tem a concepção de que lá a prisão é um hotel cinco estrelas. Que a vida nunca lhe proporcione a oportunidade daquele hotel. O estado é também culpado por essa concepção ao divulgar gastos sem dizer como é aplicado o dinheiro.
Por isso a impressão que fica é como se o preso fosse beneficiado com a referida importância. No estado de Sergipe, por exemplo, a despesa está em torno de 1.581,00. Com esse valor multiplicado pelo numero de presos são pagos os funcionários da Secretaria de Administração Penitenciaria. Vejam, então, que a despesa não é com o preso em si, mas com toda estrutura da Secretaria.
Na verdade, a única coisa que chega diariamente para o preso é a alimentação. O estado não mantém o que se prevê nas regras mínimas para tratamento de presos nem o que determina a Lei de Execuções Penais a respeito das outras necessidades humanas.
A culpa pelos gastos, portanto, não é do preso em si, mas do estado que na sua estrutura atrasada e burocratizada não consegue, não sabe, não pode ou não quer fazer outra coisa. Parece claro também que sem o preso o estado precisaria de outra fonte para pagar a sua estrutura. É bom para o estado que tenho o preso.
A prisão que tem como finalidade recuperar o ser humano para retornar ao seio da sociedade capaz de viver diferente é lugar do tratamento cruel e desumano. Em nenhum outro lugar da sociedade a pessoa é mais humilhada e mal tratada do que na prisão. O inferno, como é imaginado no universo popular, se chama presídio.
Alem do mais, a despesa na sua finalidade primeira passa a ser um dinheiro até certo ponto perdido pelo fato de não atender ao seu objetivo: recuperar o ser humano. A velha máxima de que a prisão é a universidade do crime, infelizmente é verdade. Esta universidade é proporcionada pela maneira como é organizada a prisão. É claro que existem situações nas quais a prisão é mais humana. Depende de quem dirige a unidade prisional. O estado faz a prisão que quer dependendo de quem a organiza.
Como se percebe, é hora de buscar caminhos alternativos para que o preso possa pagar a sua pena, prestando serviço, aprendendo uma profissão e trabalhando, mas ninguém tem coragem de enfrentar o novo.
Quando o preso está no regime semi - aberto é necessário oferecer-lhe a possibilidade de trabalho. Se ele volta para a prisão, estamos colaborando para que o estado tenha a mesma despesa. A sociedade como um todo precisa colaborar. Reclamar e condenar não é difícil. Lidar e colaborar não é fácil e, muitas vezes, ninguém se dispõe. É verdade também que o estado não se abre para a colaboração da sociedade.
Vivemos um país que se apresenta em processo de desenvolvimento, mas mantém a pratica mais atrasada possível em termos de segurança e sistema penal. Um estado que não consegue nem sequer separar os apenados com seus respectivos crimes e até provisórios e condenados, mostra a sua fragilidade ou o seu desinteresse para lidar com a situação.

18 de setembro de 2010

Oração

Hoje, na sociedade em que vivemos, estamos diante de um grande desafio: A oração. A tradição da igreja católica recomenda uma prática de oração silenciosa. O  próprio Jesus, mestre  da oração, recomenda não multiplicar as palavras. Depois que é batizado no jordão, por João, Jesus é conduzido para o deserto e lá permanece por 40 dias. O deserto é o lugar da provação e do silencio.
Hoje nós perdemos a importancia do silencio e a necessidade de vivenciá-lo. Muitas vezes as adorações em nossas comunidades, durante uma hora, acontecem sem nenhum momento de recolhimento. Na realidade, são momentos de pregação e de louvor, sem a adoração. Na verdade, precisamos colocar os nomes certos nos momentos corretos. É certo que nas adorações se fala demais. Parece até que Jesus não sabe da nossa necessidade. Ele nos garantiu que antes de pronunciarmos a nossa necessidade Ele já sabe o que vamos pedir. Portanto, Deus nos fala sobretudo através do silêncio. è preferível meia hora de silêncio do que duas horas de barulho que não leva a nada.

17 de setembro de 2010

O Estado e a Saúde.

Onde estão fixadas as promessas das campanhas eleitorais? Saúde, Educação e Segurança. São três palavras mágicas, sempre mal utilizadas pelos que governam e também pelos que fazem sua campanha eleitoral. Em nenhum estado do país esses três itens estão deficientes.
Tive oportunidade de acompanhar o funcionamento de um atendimento do SUS que a partir de sete horas os pacientes já estão aguardando o atendimento. Uma medica chegou as Nove e trinta horas e começou a atender era mais de 10 horas. As pessoas provenientes de vários lugares do estado, muitos cirurgiados ou para marcar as cirurgias aguardando sem nada poderem fazer.
Na realidade, o ser humano deixou de ser pessoa para ser tratado por um numero ou uma ficha. Nos atendimentos, muitas vezes, a pessoa é apenas um número pelo qual ela é chamada.
Vivemos um momento de nossa historia sem líderes políticos e sem bons profissionais dedicados. Parece que passou o tempo em que a medicina era considerada um sacerdócio. Hoje, na realidade, temos um negócio rentável para as clinicas, os laboratórios e os hospitais. Além do mais tem se multiplicados os erros médicos em procedimentos com seus pacientes. As vitimas são muitas. Vivemos também a época da superficialidade. Já não se estuda como antes.
No jornal contraponto de 10 a 16 de setembro de 2010 encontro uma matéria: ”Questão Hospitalar na PB vira calamidade pública”. Não é necessário nenhum esforço para constatar esta realidade. Basta chegar a qualquer atendimento de saúde que você verá a situação. Como entender um profissional de saúde no seu plantão com horário para dormir? Isso é possível. Ele só será chamado se alguém chegar morrendo.
Recebi nestes dias uma mensagem que se refere aos dez mandamentos dos médicos do SUS:
1 - Se você não sabe o que tem, dá VOLTAREN;

2 - Se você não entende o que viu, dá BENZETACIL;

3 - Apertou a barriga e fez 'ahhnnn', dá BUSCOPAN;

4 - Caiu e passou mal, dá GARDENAL;

5 - Tá com uma dor bem grandona? Dá DIPIRONA;

6 - Se você não sabe o que é bom, dá DECADRON;

7 - Vomitou tudo o que ingeriu, dá PLASIL;

8 - Se a pressão subiu, dá CAPTOPRIL;

9 - Se a pressão deu mais uma grande subida, dá FUROSEMIDA!

10 - Chegou morrendo de choro, ponha no SORO.

...e mais... Arritmia doidona, dá AMIODARONA...

Pelo não, pelo sim, dá ROCEFIN.

...e SE NADA DER CERTO, NÃO TEM NEUROSE...

...DIGA QUE: É SÓ ESSA NOVA VIROSE! Parece brincadeira, mas... É verdade!

Esta é a nossa saúde e esta é a assistência que recebemos dos nossos estados e dos nossos planos de saúde. É claro que aqui não estão contemplados os sérios e dedicados profissionais da saúde que assumem seu trabalho por vocação e não simplesmente como profissão.
pebosco

11 de setembro de 2010

Presídio de Cajazeiras.

Na minha ultima participação neste jornal, fiz referencia à situação do presídio de Cajazeiras. Felizmente, estava desinformado. Depois de longo tempo de sofrimento e castigo para os presos, o Estado consegue inaugurar o presídio regional. Veja: No site patosonline.com, nesta data (24/08/2010) anuncia a transferência dos 186 presos para a nova unidade prisional.
Por varias vezes fiz referencia a Cajazeiras pelo fato de ter passado por lá e contatar uma gravíssima situação.
Veja o que diz o site patosonline.com no ano próximo passado. A denúncia revela a real situação vivida que se arrastou por muito tempo.
“Agentes penitenciários são acusados de maus tratos na cadeia de Cajazeiras
Mais uma grave denuncia tem mudado a rotina da cadeia publica de Cajazeiras, alem da superlotação, onde em um espaço que acomodaria 60 apenados, estão cerca de 200 presos, familiares dos apenados denunciaram a Associação dos Familiares dos apenados do Estado da Paraíba, que os presos estão sendo vitimas de maus tratos, tanto pelos agentes penitenciários, como pela direção.
Segundo a denúncia os agentes ao entregar a comida, estão jogando no chão, pisoteando e depois entregando aos presos para que eles possam se alimentar.
O presidente da Associação dos Familiares dos apenados do Estado da Paraíba, pastor Silva Neto, afirmou que vai levar a denuncia a Secretaria de Cidadania e Administração Penitenciária, coronel Maurício Souza de Lima para que seja apurado e os culpados sejam punidos. Não admitimos que quem já está sendo punido pelos erros praticados, possa ser mau tratado, humilhado e espancado, isso é inadmissível, Frisou.
Pastor Silva Neto, afirmou ainda que os apenados estão em situação desumana, a cadeia superlotada e a população presidiária reclama das péssimas condições da cadeia publica de Cajazeiras.
A denuncia dos familiares dos apenados de Cajazeiras, está sendo levada ao Conselho Nacional de Direitos Humanos, como forma de pedir a agilidade na entrega do novo presídio de Cajazeiras, que está a mais de 7 anos inacabado, causando transtorno a população carcerária”.
No site está uma fotografia que você pode visualizar a situação das nossas prisões, sempre superlotadas. Elas manifestam a realidade de um casamento que ainda não deu certo entre Estado, Justiça, Ministério Público, Defensoria Publica, etc. Até que me provem o contrario, não há interesse de desafogar o sistema. Os casos se repetem a respeito de presos que cumprem a pena alem da pena por falta de atenção de que tem a responsabilidade de fazer a lei acontecer. A injustiça é visível por demais para os pobres.
Pebosco

10 de setembro de 2010

As boas novas para o sistema carcerário

Fui perguntado sobre o que mudaria no sistema penitenciário a partir da nova conjuntura das eleições. Praticamente não se espera quase nenhuma mudança. Quando muda, muda a conjuntura, mas a estrutura é a mesma, com os mesmos vícios. A área de segurança publica não é prioridade para os governos do nosso país. A segurança publica na verdade funciona como fachada, sem nenhuma política de segurança para a população. O mesmo se diga para o sistema penitenciário. O único investimento que tem sido feito até no plano federal tem sido a construção de novas unidades que são necessárias ate certo ponto, mas que não resolvem o problema. Até porque, quando construídas, não chegam a ser concluídas, como vergonhosamente acontece conosco em Cajazeiras. Temos lá a verba federal até agora perdida.
No lugar das prisões o estado deveria investir na saúde e na educação que são duas necessidades básicas para a população. Infelizmente ainda temos comunidades compostas de analfabetos. (Relato de Dom Lucena em visita a uma comunidade de sua diocese).
É lamentável! Estas duas necessidades básicas estão em perfeito estado, mas só no guia eleitoral onde aparecem as fachadas das escolas e dos hospitais. Chegue lá e, in loco, veja como se dá o funcionamento das atividades.
Ninguém precisa mais dizer que a prisão é o pior caos da nossa organização social. Só o estado, e quem estão a serviço dele, vai dizer que o sistema está funcionando bem. Quem não proceder assim, perde a função e o espaço que ocupa na instituição. Até quem vem de Brasília, chega aqui, sem saber da real situação da Paraíba, irresponsavelmente, faz a bela figura ao dizer que aqui a situação é boa em relação ao sistema prisional.
Quem acompanha o sistema, com quem tenho contato, como juízes e promotores, sabem da verdadeira situação onde acontece de tudo: o que imaginamos e o que nem chegamos a cogitar.
No momento, vivemos a maravilha e a bondade da propaganda eleitoral. O povo está sendo visitado nas cidades e nos sítios: é uma visita interesseira, eleitoreira. O político faz a bela figura, precisa do voto de todos para assumir o poder, depois... Já sabemos o que acontece. As promessas são as mesmas, só feitas, nunca cumpridas plenamente. O povo vota, na sua maioria, só por obrigação, pois não acredita no político que vota. Sabe que não existe sinceridade, seriedade, verdade, compromisso, honestidade, estas, prerrogativas para que se delegue poderes a quem nos representa. O povo já sabe que as promessas são falsas e mentirosas. Depois, tudo continua como estava. São praticamente os mesmos fatos que se repetem na historia. Se alguém tem elementos novos, por gentileza, me apresente.
É claro que nunca podemos perder a esperança. Temos que olhar de forma critica para a realidade sem perder o horizonte de dias melhores, infelizmente, os nossos representantes não nos permitem olhar os nossos horizontes na expectativa da esperança.
 
 
pebosco

14 de agosto de 2010

Grandeza

Uma grande Alegria:UNIR-SE A DEUS;

Uma Grande tristeza: DISTANCIAR-SE DELE;

A maior Esperança: A ETERNIDADE;

A pior descrença: PERDER A FÉ;

A maior Dor: A PRESENÇA DA MORTE;

A maior Caridade: DAR A VIDA;

Uma angustia: SENTIR-SE UM PESO, INÚTIL, DESPREZADO;

A  maior certeza: DEUS;

2 de agosto de 2010

A questão dos Bens.

A riqueza já foi vista como sinal da benção de Deus. Em Jesus a riqueza pode ser um grande empecilho para a vida cristã, dependendo da maneira como a pessoa se coloca diante dela. O evangelho está cheio de exemplos. Os exemplos mostram que o problema não é a riqueza em si. Também a questão não é como ainda se pensa que os ricos estão fora da proposta da salvação. Lembro-me muito que nos anos idos esta questão era muito colocada. Tudo, na verdade, depende da opção que se faz em relação ao caminho que se vai seguir. Já diz o Antigo Testamento: “Diante de ti ponho a vida e ponho a morte.”.
Um texto clássico, conhecido, mostra que tomamos o rumo das nossas escolhas. Trata-se da cena do Rico e Lazaro. Lucas 16,20-31.
O texto, na verdade, apresenta o abismo existente ainda hoje entre ricos e pobres. Vejam: Se abordamos pouco hoje esta questão, não é porque a mesma não exista. Ela é tão real como narrada por Jesus.
De um lado está Lazaro próximo do rico. Costumava sentar-se junto à porta do rico. Estava próximo. Lazaro é um mendigo: Exposto, doente, faminto, ferido. Conta apenas com a presença dos cães para lamber-lhe as feridas. Lazaro tinha vontade de comer. Percebe-se que não era uma pessoa doente, mas tornada doente pela sua situação de abandono. Poderia ser restabelecida a sua vida. As migalhas da casa do rico lhe saciaria a fome. Lazaro está morrendo pela fome diante do banquete celebrado todos os dias. Além de exibir-se com a beleza da roupa o rico, que nem nome tem, por re3presentar a todas as pessoas que não olham para o próximo, ”Constantemente organizava festas com banquetes”. Mas nada chegava para saciar a fome de Lázaro.
O que temos de diferente hoje? Nem sempre Lazaro está à nossa porta. Hoje Lazaro está ao lado do nosso edifício, escondido no barraco que cai na beira do córrego. No nosso prédio tem um muro, um vigia, uma cerca elétrica. Lázaro fica mais isolado. Sabemos que ele está por ali, mas queremos distancia. A polícia deve nos vigiar para que Lázaro não avance contra nós. Lázaro nos ameaça. Devemos ter cuidado com Lázaro. Muitas vezes Lázaro só quer uma roupa e um pouco de comida.
Lázaro não pode entrar em nossas casas, em nossas festas, em nossas confraternizações, em nossas celebrações. Se entrar há alguma pessoa encarregada de retirá-lo dali. Um parêntese:
Você se lembra da raiva do fariseu quando a mulher entrou em sua casa para lavar os pés de Jesus? Ele queria que Jesus tivesse a mesma reação e acabou levando uma lição de moral do mestre.
Lázaro morre. O rico também morre. A riqueza não devolve a vida. Nisso somos iguais. A família do rico ainda tenta ser diferente, mas a condição é a mesma. O que acontece de diferente é a inversão da situação. Quem teve tudo, nada terá; quem nada teve agora tem. Lazaro fica no céu, que é a comunhão com Deus e o rico, no inferno, que é a ausência de Deus.
Lázaro precisava do pão do rico; agora o rico precisa de uma gota de água de Lazaro para refrescar a língua. O rico poderia ter feito; Lázaro agora não pode. O abismo que existia entre os dois na terra, era superável; agora é intransponível. Um não pode mais chegar ao outro. Passou o tempo, acabou-se a oportunidade.
O rico quer se servir de Lázaro para se comunicar com os seus irmãos. Está preocupado com o futuro deles. O espirito de Lázaro poderá convencê-los. Ainda hoje se prefere acreditar na mensagem dos espíritos: que nunca se comunicaram com ninguém. Alguém aceitar enganar a alguém que também aceita ser enganado. Os seus irmãos precisam ouvir os profetas. Mas eles não aceitam os vivos, os que falam, questionam, denunciam. Quem vai ouvir a igreja? Isso tudo é mentira. A bíblia foram os homens que inventaram. Não tem nada com Deus. Deus é meu dinheiro.
O relato deste Lázaro e deste rico é o relato da nossa vida na relação entre os bens e o próximo. Os bens são mais importantes que o próximo, mas é o próximo quem é mais importante que os bens. Os bens passam, não passam de bens, são apenas bens, o próximo se eterniza, pois o próximo é Imago Dei.
Outro importante texto nos coloca qual a finalidade dos bens. Lucas 12,13-21.
A imagem de um homem que tem uma grande colheita que não sabe o que fazer com ela. Depois de muito meditar sobre a sua safra, resolve derrubar os depósitos, pequenos para aquela colheita e faze-los grandes para abrigar toda a colheita e ainda os seus bens.
Esta mentalidade reflete o nosso egoísmo. Ele poderia ter pensado em partilhar já que todos os anos é momento para uma nova colheita. Prefere guardar, acumular, da mesma maneira que acontece hoje. A humanidade está sendo atendendo à tentação do deserto vencida por Jesus em não aceitar transformar pedras em pães. Só assim, ele é capaz de se sentir seguro, feliz, mas sua vida pode se encerrar naquela noite. Para quem ficará os bens acumulados? A tentação de imaginar os bens, como fonte de segurança é muito grande. As pessoas vivem sonhando em ganhar na loteria como se o dinheiro fosse símbolo da realização humana.
O erro grave desta cena é dar ao pão uma função que não lhe é própria. O pão é sempre para ser partido, distribuído, comido. Pão guardado é pão estragado.
Jesus até adverte antes de contar a parábola, contra toda ganancia, pois a vida de uma pessoa não depende de suas riquezas. Isto é, a vida é uma coisa totalmente diferente dos bens. Para Deus ninguém vale pelo que tem, mas pelo que é. Esta é a grande verdade da nossa vida.



Pe Bosco