II.) COMO IMPLANTAR A PASTORAL CARCERÁRIA?
1.) Não desanimar com a oposição de familiares ou membros da comunidade. Nem de seus padres ou freiras.
2.) Quatro ou cinco pessoas é um bom grupo inicial. A Equipe deve ser mista porque se não houver homens juntos, é praticamente impossível um carcereiro deixar a Equipe entrar dento das grades, no pátio do sol dos presos e até nas celas, onde a Pastoral tem que estar para poder trabalhar.
3.) Combinar as coisas com os responsáveis na comunidade / paróquia e/ou diocese, para haver o respaldo da Igreja. A Equipe vai até a cadeia em nome da Igreja, não em nome próprio ou em nome de um movimento qualquer. Carta do Bispo ajuda muito. Não podem ser “franco-atiradores”. Tem que ser “equipe”. A comunicação é essencial.
4.) Conversar com os delegados e carcereiros, explicar a que vieram, etc. Estar preparados para autoritarismo, desconfiança, sarcasmo por parte deles. Eles não acham que preso vale a pena ser visitado pela Igreja. Por isso, colocam todo tipo de obstáculo no início. Dirão um monte de coisas e colocarão um monte de restrições e impecilhos. Não desanimem.
5.) Saber que os presos tem necessidade de assistência religiosa e direito a mesma. Esta não pode ser negada ou dificultada por qualquer autoridade, porque é Lei do País garantida na Constituição.
6.) Procurar ser irmão, amigo dos presos. Respeita-los, como Jesus na sua conversa com a Mulher Samaritana (Jo 4, 5-42), que é texto modelo para a Pastoral Carcerária. Jesus sabia da vida atrapalhada dela. Mas só comentou o assunto quando ela abril o jogo com Ele. E Ele a tratou com muita compreensão e carinho. Não lhe deu sermão. Teve compreensão e respeito. Jesus nunca teve problema em ser amigo dos marginalizados.
7.) Não levar a Bíblia na mão, mas, sim, no coração.
8.) Começar assim. Aos poucos, as coisas vão acontecendo e a Igreja conseguirá marcar a sua presença misericordiosa e cheia de esperança, no meio daquele inferno que é a cadeia.
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III.) HÁ 3 PONTOS – TECLAS ESSENCIAIS PARA UMA PASTORAL CARCERÁRIA
Há três condições básicas e essenciais, que tem que ser colocadas diante das Igrejas locais e seguidas por elas
1) LER A BÍBLIA – o CRISTÃO TEM QUE LER A Bíblia todos os dias, seguindo as leituras diárias recomendadas pelo Diretório Litúrgico e não naquela ingenuidade de abri-la em qualquer lugar e prontamente ficar todo embananado.
Cheiro da Bíblia – O cristão que vai visitar as cadeias, precisa ter o cheiro d Deus,
o cheiro do evangelho em sua vida, para interagir com o cheiro do preso, o cheiro
da cadeia. Bíblia debaixo do braço não é tão importante ou interessante junto
aos presos... Evangelho no coração é Jesus no coração e na vida. Bíblia na mão,
qualquer um faz. Evangelho no coração, cheiro e jeito de Deus em sua vida, poucos
tem. E o preso sabe ler os corações muito bem mesmo!
O leigo é “sacerdote” (profeta, animador) pelo Batismo... Então, levante a cabeça e
VÁ! Levante a cabeça e ande! Não ficar esperando todos os outros se converterem
aos presos e pobres para começar um trabalho PCR.
2) TRABALHAR EM EQUIPE – Nada de “franco-atiradores” ou impor qualquer “movimento” em cima dos presos ou outros membros da equipe. Se a gente pertence a algum movimento (RCC, ECC, Legião de Maria, Apostolado da Oração, Vicentinos), então que bom! É bom mesmo! O seu movimento é para ajudar você a ficar de pé e forte, não é para jogar a forçar o seu movimento em cima dos presos! Quem vai a cadeia visitar presos, vai como CRISTÃO, membro de uma Igreja local e não como movimenteiro.
Visitar semanalmente – Visitar a cadeia uma vez por semana, ao menos. Visitar
para conhecer e ser conhecido. Pela Bíblia, sabemos que Deus salva e liberta
através de “visitas”. Visitar cadeia sempre, para se solidarizar, para aprender com
o preso, para se indignar com o seu sofrimento desumano.
Conselho de Comunidade – Temos que insistir na criação do Conselho de
Comunidade local (Lei de Execuções Penais 7210, artigo 80) se não existir, ou na
reformulação do mesmo se já existe no papel. A idéia do Conselho de Comunidade
foi na época de 84, grande conquista da própria Igreja e Equipes de Pastoral
Carcerária.
3.) ACOMPANHAR OS PRESOS HUMANAMENTE – O membro de Pastoral
Carcerária, precisa acompanhar o preso “humanamente”, isto é, ele como pessoa humana
e você também como pessoa humana... sem estar jogando “religião” ou “devoção” em
cima dele a toda hora! Aliás, “religião” não é o “problema número um” dos presos. A sua
liberdade o é. “Religião” costuma ser o problema número um de Pastorais Carcerárias
tradicionais ou dos Movimentos Católicos de leigos. A maioria dos presos tem Deus e
religião, de alguma maneira, não a nossa maneira, mas, sim, à sua maneira, que tem que
ser respeitada e reverenciada, porque é dom de Deus para ele.
Pe. R. Francisco Reardon, OMI
Coordenador Nacional da Pastoal Carcerária CNBB