6 de maio de 2012



 
Passado para muitas pessoas o feriadão, agora estamos no tempo da pascoa que tem a duração de 50 dias. Neste período, a presença do senhor Ressuscitado é muito intensa e forte. Como dizia Dom Helder Câmara, depois que Jesus ressuscitou ninguém pode viver sem esperança. A vida, por mais difícil que se nos apresente, devemos confiar em dias melhores e que o diferencial é possível.
No sistema penitenciário brasileiro não podemos perder a confiança mas a realidade é das mais perversas. Em relação ao estado brasileiro, vive-se um total descaso com a situação. Enquanto o déficit de vagas é alarmante, existem países que alugam as prisões para outras pelo fato de não ter pessoas detidas.
Temos nos esquecido que há mais de meio milhão de pessoas reclusas que não recuperadas retornam para o seio da sociedade. É consenso de que o Brasil prende muito e prende em péssimas condições.
A prisão que tem por finalidade fazer a pessoa rever a sua culpa a torna muito mais criminosa e revoltada pelo sofrimento que o próprio estado lhe causa.
Quando será que teremos melhores prisões, sobretudo no Brasil. Quando o sistema de justiça foi coerente e mais ágil. Uma grande novidade da situação prisional brasileira é a superlotação das unidade com quase metade populacional composta da metade de presos provisórios sem condenação e sem absolvição. Além de gravidade da injustiça que é cometida com os provisórios mais ainda com os já condenados sem os direitos atendidos.
A pastoral carcerária de São Paulo divulgou de uma melhor que ficou 8 meses detida e foi posta em liberdade atreves de um habeas corpus. Causa da prisão é que ela tentou roubar de um supermercado alguns objetos para criança na linha de mamadeiras e outros produtos que impostaria em 70,00. O fato não aconteceu pois a mesma foi identificada pelo segurança. Mesmo assim teve que ficar na prisão por quase um ano.
As situações de injustiça pelo Brasil a fora são inúmeros e a injustiça é galopante. Os pobres, sem duvida, são as vitimas da situação.
Somos um País em desenvolvimento mas em total atraso no tratamento com os excluídos, sobretudo aqueles que estão na pratica do crime.
No sistema penal temos um grave desrespeito à dignidade da pessoa humana. O Brasil está sempre chamado a atenção por este desrespeito praticado em larga escala.
A postura da sociedade civil organizada, dos grupos religiosos, das pastorais e movimentos é fazer um trabalho de conscientização justo aos agentes do estado para que não usem da violência, pois eles também se tornarão vitimas da violência. Além disso, a função da sociedade é fazer um trabalho de monitoramento da situação para que tenhamos uma sociedade melhor, com menos prisões, mais escola, mais saúde, mais educação, mais dignidade e mais vida para todos. Que ao menos as pessoas reclusas sejam tratadas como pessoas dignas do respeito e do direito de seres humanos.
Que a justiça seja justo não só para alguns mas para todos. Assim, a pascoa seja a nossa esperança de transformação e nossa força para dias melhores.

 



1 de abril de 2012

Pascoa.

Estamos vivenciando a tradicional semana santa. Qual o sentido deste tempo? Para muitas pessoas é um momento para um feriadão: viagem, bebida, praia, descanso, brigas, etc. nesta nossa sociedade, tudo é relativo e tudo está à mercê de nossas vontades e desejos. Feriadões são também oportunidades mesmo não desejadas, para violências e mortes.
A semana santa continua sendo a mesma para a igreja desde suas origens. É um tempo especial, chamada de semana maior pelo fato de nela celebrarmos o maior acontecimento da historia da humanidade em todos os tempos e em todas as dimensões.
Domingo de Ramos, abertura da semana, nos lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, sendo aclamado como Rei, montado em um jumentinho. Para qualquer pessoa que reflete um pouquinho e conhece a estrutura social, já sabe que se trata de um rei e de um reinado completamente destoante dos reinados convencionais. Jamais um rei entraria de forma triunfal em uma cidade montado em um jumentinho.
A partir de então, o desenrolar dos acontecimentos lembrará que o reinado de Jesus não passa pela ordem, pelo poder, pelo dinheiro, mas pelo serviço.
Na quinta feira santa, pelo final do dia, em todas as paroquias, basílicas e catedrais, se celebra a Ceia do Senhor com o lava-pés. Não há gesto mais profundo do que este, no qual Jesus sai da mesa, se cinge com uma toalha e se abaixa para lavar os pés de seus discípulos. Com esta atitude o Senhor assume o lugar do escravo que na casa do patrão lavava os pés da visita que ali era recepcionada. Exatamente por este motivo é que o apostolo Pedro reage para que o mestre não lhe lave os pés.
Em muitas de suas falas Jesus deixou muito claro, que veio para servir e não para ser servido. Veio para dar a sua vida para salvar a todos. Assim Jesus deixa claro, na santa ceia, que se temos alguma função na igreja, não deve ser o status, o prestigio, o titulo, a fama, o paparico, mas a tarefa de lavar os pés uns dos outros, que traduzindo, significa estar a serviço diante dos apelos e necessidades de irmãos e irmãs. Como dizem: “quem não vive para servir, não serve para viver”. Assim, celebrar a ceia é fazer tudo o que Ele fez: “Façam isto em memoria de mim”.
A sexta feira é o dia do silencio, o dia da entrega. Quando uma pessoa é assassinada não dizemos que a mesma morreu, mas que a vida lhe foi tirada. Jesus também não morreu simplesmente, mas as autoridades resolveram que o matariam. Assim aconteceu! Jesus, por fidelidade à sua missão, não abriu mão de seu projeto para a construção do reinado e permaneceu fiel até o fim. Ama quem é capaz de dar a vida até o fim. Morrer com Jesus é uma necessidade e uma virtude cristã.
Morre-se com Jesus no dia a dia como também pela graça do martírio. Só se vive que se morre. Salvar a pele, proteger a imagem, não se queimar, ficar do lado dos grandes para ser bajulado significa perder a vida. Celebrar a paixão é percebê-la acontecendo todos os dias no sofrimento das pessoas abandonadas e se solidarizar com elas, mas que isso signifique desonra e desprestigio para nós. Que o nosso desejo humano de aparecer não nos tires da cruz que nos salva. A paixão de Jesus está cada vez mais presente na humanidade humilhada e injustiçada. De maneira mais evidente o Senhor nos diz que tudo o que fizermos aos outros é a Ele que estamos fazendo. Chorar diante do crucifixo e não chorar diante dos crucificados, para tomar o partido deles é ampliar o sofrimento de Jesus.
Celebrar o sábado santo é acolher o dom da vida. Os que pensaram derrotar Jesus e sua missão foram derrotados para sempre. O sepulcro se tornou vazio, isto é, não temos mais a derrota da humanidade, mas a sim da vida que nos vem pela ressurreição. A igreja proclama que Jesus é o Senhor. Lembrando Dom Helder Câmara “depois da ressurreição ninguém mais pode viver sem esperança.” Jesus é a própria esperança. Ninguém mais pode ser contra nós, nem contra vida, pois Ele está conosco, em nosso favor e a favor da vida.
Por favor, você já comprou os ovos de páscoa, porem, não esqueça que a pascoa não é mais uma festa de comes e bebes, mas uma pessoa, a mais especial de todas, divina, o próprio Deus, o verbo que armou a sua tenda em nosso meio, para sempre. O mesmo estará conosco até o fim dos tempos. Nesta logica, Feliz Pascoa!

Nossas práticas Injustas.

José (nome fictício) mas a situação é real. Rapaz com 22 anos, com experiências de trabalho, estudante, de boa índole e com uma família, sua mãe, de extrema responsabilidade. Um colega seu de infância, estava envolvido com a questão da droga e o mesmo não sabia. Um belo dia
Jose foi ao seu encontro, pois lhe tinha prometido um empréstimo de 200 reais para que o mesmo comprasse uma moto. O mesmo não tinha noção de que ali se tratava de uma boca de fumo ou algo semelhante. Por azar, a polícia chega naquela hora e o José é detido como se fizesse parte de uma quadrilha. Moral da historia, o rapaz se encontra em uma unidade prisional por 8 meses sem ser condenado nem absolvido. Em uma audiência, se esperava que o mesmo pudesse sair, mas não foi possível concluir a audiência que foi remarcada para continuar a quase dois meses para frente. O rapaz está com o segundo advogado porque o primeiro só fez comer dinheiro, expressão da família.
É importante ressaltar que são inúmeras as situações semelhantes a esta que fazem com que o sistema carcerário seja a pior experiência para o ser humano. A pessoa não é culpada pela situação, mesmo assim é condenada na hora em que vai levada até a uma delegacia. Em seguida é condenada a uma prisão de 8 meses sem que a justiça lhe diga se ela é culpada ou inocente. Sinceramente, nós construímos um sistema de profunda injustiça que, além disso, destrói totalmente a vida de seres humanos.
A mãe de José, com que conversei, todos os domingos vai lhe levar um pouco de comida. Como reage ele? Chora muito e se lamenta que aquela situação esteja sendo causa de sofrimento e de trabalho para a sua mãe.
No alto dos meus quase 20 anos de conhecedor e observador do sistema penal, não tenho duvidas que ali resida uma grave injustiça cometida pelo estado em suas diversas estancias.
A situação do rapaz é tão transparente que um ex-patrão seu se ofereceu como testemunha para o caso e, além do mais, vai aceita-lo para novamente trabalhar naquela conceituada empresa.
Como se pode vislumbrar tudo gira em torno de um sistema de punição por punição, sem que se olhe com mais profundidade a condição de cada ser humano em cada circunstancia.
Não é mera coincidência que com frequência aparecem casos de profunda injustiça da justiça que condena que não deve ter condenação por não culpa.
O nosso país já recebeu inúmeras reprimendas internacionais pela nossa irresponsabilidade na forma de lidar com situações que acarretam graves violações de direitos humanos. São casos de tortura, de tratamento cruel desumano e degradante, como também situações de injustiças no sistema prisional.
A esperança da mãe de José é que numa próxima audiência ele possa ser solto para retomar a vida, inclusive o estudo. Ela assegura com todas as letras e sua sinceridade é verdadeira, que o mesmo nunca lhe causou nenhum problema e que o mesmo estava em uma hora errada, a hora da policia, para assim se tornar vitima e refém da injustiça. Além das esperanças humanas, ela colocava em Deus a sua esperança. Deus, aquele que não julgará por iniciativas próprias, mas julgará as nossas praticas justas ou injustas. Espero receber alguma contribuição por email. Será que alguém da nossa OAB ou da defensoria publica  se manifestará?

Sistema Penitenciário.

Quando se faz uma leitura sobre o sistema penitenciário brasileiro, vêm imediatamente, questões como a superpopulação, a ociosidade e a questão jurídica. Normalmente não se põe em evidência um grave problema no sistema penal em muitos países do mundo: violência e maus tratos. Na internet são inúmeros os registros de cenas chocantes de violência praticadas por agentes de segurança do estado.
De fato, esta é a mais grave situação prisional: quem faz às vezes do estado se sente dono das pessoas detidas e ainda com o direito de castiga-las como imaginam que devem. Pode ser inacreditável, mas a violência institucional praticada por quem deve cuidar da integridade física dos mesmos é, no mínimo, uma total incoerência, um ato de covardia.
A tortura que além de física é também psicológica e se estende ainda de forma assustadora, mesmo que seja uma pratica criminosa em muitos países, inclusive no Brasil.
Nas visitas às unidades prisionais, a pastoral carcerária tem encontrado inúmeras pessoas submetidas a tratamos cruel e desumano e não só, mas torturadas em celas de castigo, sem banho de sol, sem colchão, sem lençol, em agua, apenas de cueca no caso dos homens.
Diante desta realidade, como é possível pensar em devolver para a sociedade estas pessoas recuperadas?
Em nosso estado, já presenciamos de tudo. Atualmente temos tido uma preocupação da Secretaria de Administração Penitenciaria para formar os novos agentes de segurança para as unidades prisionais.
No curso de formação, do qual a pastoral carcerária está também participando como colaboradora, o recado tem sido muito claro para o trabalho. O secretario Harrison tem dito repetidas vezes que o estado não quer agentes que usam do expediente da violência praticada contra pessoas detidas como também a familiares que acabam cumprindo pena com os seus que estão nas unidades prisionais. De fato, se visibiliza uma clara orientação para uma nova conduta de funcionários. O que ainda é difícil é fazer com que toda esta orientação seja colocada em pratica em cada unidade. Ainda é visível situações que contrariam a nova orientação e que esta velha pratica deve ser radicalmente combatida. Como disse recentemente o secretario Harrison no Primeiro Seminário Estadual de Ressocialização, um novo olhar para o sistema prisional: “O funcionário que contrariar a nova orientação, será afastado da sua função”.
O Seminário aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de março (2012). O local: O Fórum Cível Desembargador Mario Moacyr Porto, o lugar da justiça e da defesa da pessoa humana. As palestras foram muito significativas e pertinentes, mas sem a adesão e a atenção total de todas as pessoas envolvidas, no estilo de todos os seminários com suas dispersões.
O importante é que todas as pessoas que fazem o sistema prisional paraibano possam entender que não se pode mais tratar pessoas detidas como se pessoas iguais a elas não fossem: dignas dos diretos e do respeito com o qual devem ser tratadas. Além da compreensão consciente, é necessário que a prática da vida na relação com a comunidade carcerária seja de coerência e de valorização da pessoa humana.

18 de março de 2012

Nossa realidade brasileira.

A nossa realidade brasileira vive das mais drásticas desigualdades sociais. O Brasil aparece como o país do carnaval, do futebol, das melhores praias, o sol, etc. na verdade, esta é uma parte da realidade reservada a poucas pessoas, as chamadas classes mais abastadas.
 O país também aparece por outras situações. A violência, por exemplo, que não era da região nordeste, agora presente entre nós, se manifesta para todo Brasil.
É verdade que temos crescido muito em tantos aspectos, mas a distribuição dos recursos é completamente desigual. As bolsas para a população brasileira mais carente faz com que as mais acomodadas se acomodem sempre mais. Por isso é necessário que cada comunidade local, através das prefeituras, busque a criatividade e as alternativas para que se consiga a superação da miséria, para além das esmolas, ainda muito gritante nas populações das periferias das cidades.
Vejo, neste momento no site Focando a Noticia, que um morador de rua é morto sem chance de defesa em Joao Pessoa. No mesmo site, aparece um movimento nacional, da pastoral do povo de rua. Trata-se de uma  assembleia que acontece dentro de um contexto de extrema violência cometida contra pessoas que se encontram em situação de risco, na rua. Recentemente, em Brasília, jovens atearam fogo em dois moradores de rua, provocando a morte de um deles. Em Tabatinga, mais duas pessoas foram mortas a tiros. No último dia 10, em Campo Grande (MS), outro morador de rua foi queimado, enquanto estava amarrado numa árvore. Casos assim demonstram o quanto essa população está vulnerável, invisível e precisa urgentemente de políticas e ações que a protejam.
Que país é este que não consegue superar os seus graves problemas sociais? O dinheiro não falta! O que está faltando? Aplicar o dinheiro onde há as reais necessidades.
A igreja do Brasil este ano está olhando na Campanha da Fraternidade o tema “Fraternidade e Saúde Pública, exatamente para que se perceba como os estados e os municípios estão tratando da assistência aos doentes. Como se sabe, a verba existe por se tratar do dinheiro federal. O que não se sabe é como são  aplicados os recursos financeiros.
É do conhecimento de todos como a saúde agoniza deixando pessoas morrem sem a devida assistência nas filas dosa hospitais. A gravidade da saúde começa no péssimo atendimento dos profissionais, desde a recepção até assistentes sociais, enfermeiras, etc., além daquelas pessoas que ficam sem a oportunidade de um melhor atendimento ou são escolhidas para morrerem por causa da falta de vagas.
Ainda no Focando a Noticia, esta matéria poderá ser encontrada: “Um quarto das mulheres brasileiras sofre algum tipo de violência durante o parto”. Jamais se esperaria que a saúde brasileira chegasse a esse estagio crimino e desumano, que a violência estivesse presente até na hora do parto onde surgem para a vida novas criaturas.
Entre estas violências é possível encontrar mulheres que estão nas unidades prisionais que ficam algemadas na hora do parto. Há até um fato de um medico que discutiu com uma agente penitencia. O médico recomendou que a agente retirasse a algema da parturiente.
Se não existirem estes fatos que escandalizam e causam indignação eles não serão noticias.

10 de março de 2012

Dia internacional da Mulher


No dia 8 de março, o mundo lembrou a presença e atuação das mulheres. Um dia para relembrar as conquistas, frutos de uma luta travada para o crescimento da nossa sociedade.  Ao mesmo tempo, trata-se, pois, de uma data para ter presente os desafios que se encontram diante de nós em relação a todas as mulheres.
Vale salientar que a pessoa humana foi criada em condições de igualdade para que não houvesse discriminação e desigualdade, mas respeito e fraternidade entre todas e todos.
Lamentavelmente se desenvolveu uma cultura machista que ainda hoje em muitas partes do mundo mantem a mulher em condição de total desigualdade e indiferença, sobretudo em relação às famílias pobres.
Os fatos nos lembram de que as mulheres ainda ganham um salario inferior ao salario dos homens, apesar de trabalharem muito mais pelo fato de acumularem os serviços de casa com os serviços externos. Em casa a mulher ainda assume sozinha a responsabilidade de cuidar e educar filhos, sem muitas vezes contarem com a presença e colaboração efetivas dos esposos.
Um agravante na vida de nossas famílias está relacionado com a violência. Por incrível que pareça, um grande número de mulheres é tratada com violência em casa sem que se tenha conhecimento. O medo, a insegurança, a falta de perspectivas, entre outros fatores, fazem com que a mulher fique submissa a determinadas situações de sofrimento. O amor aos filhos, muitas vezes é um componente determinante para que isso se sedimente na vida de uma mulher.
Em nosso estado, se tem convivido com uma grave situação: o numero de mulheres assassinadas tem crescido muito, enquanto cresce de forma assustadora o numero de mulheres presas.
As prisões femininas, como se trata de um fenômeno novo, as mesmas vivem situações até piores do que nas prisões masculinas, no seguinte sentido: quando se constrói uma unidade nova para os homens, porque aquela já não reunia condições para ali se conviver, acaba ficando como espaço destinado para as mulheres. Exemplo desta natureza é o presidio de Patos que sempre teve uma péssima estrutura que abrigava presos provisórios e condenados e que hoje está ocupado pelo semiaberto e pelas mulheres, salvo engano.
Um dia dedicado às mulheres, além do dia das mães é para lembrar a presença da mulher que jamais poderá ser esquecida no seio da família. Com a sua ausência a casa não é a mesma. Sem ela o mundo seria muito mais desumano. Ela é para os seus filhos  o que diz Charles Chaplin:
“Preciso de Alguém Que me olhe nos olhos quando falo;
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência;
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos;
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado.”
O mundo não pode ser dos mais esperto e muito menos só dos homens mas de todas as pessoas humanas pois por natureza e convicção as mulheres foram mais privilegias com sentimentos de solidariedade.

Olhemos o sistema Prisional.


O sistema penitenciário do Brasil tem apresentado cada vez mais traços de decadência. O numero de pessoas presas tem crescido assustadoramente. Não resta duvida de que dispomos de duas justiças: uma que castiga a vida dos pobres com a prisão e a outra que facilita a vida das pessoas ricas. Não resta duvidas para qualquer pessoa consciente que quem dispõe de prestigio e dinheiro vai dispor também de privilégios.
 Em nosso estado, o numero de mulheres presas cresce para além do normal. Quem visita o Bom Pastor, em Joao Pessoa, como estive lá recentemente, vai encontrar uma cela que comporta seis camas, estão 23 mulheres que dormem no banheiro. Isso mais do que prisão é tortura, é inferno. A imensa maioria está provisória, esperando uma posição da justiça, que não se posiciona por inúmeras razões, inclusive a falta de estrutura. É um ciclo vicioso onde se tem a sensação da inoperância de nossas instituições. Alguém me falava nestes dias de um jaboti de pernas para cima. É a imagem de algo estagnado ou que mal se move.
Na Paraíba, o secretario do Espirito Santo veio fazer uma exposição e colocar os avanços daquele estado na área prisional. Há noticias de que se tem melhorado a estrutura física, mas, depois de sua passagem por aqui, onde se discutiu novos paradigmas para o sistema, as denuncias de violência e tortura se espalhou na internet. A pastoral carcerária nacional tem divulgado os vídeos onde presos são torturados no Espirito Santo.
O que se percebe é que se tem um discurso nas diversas esferas. O governo federal tem as suas estruturas com um discurso na linha dos direitos humanos, que dispõe até de uma secretaria, mas tudo profundamente distante das praticas da vida.
Todos os dias as prisões são obrigadas a receberem mais pessoas presas sem que haja espaço. Constata-se com a maior facilidade que ninguém sai da prisão, por isso, superlotação é o dado mais real que se pode constatar.
Na área da segurança e do sistema prisional, ninguém mais do que o estado descumpre as suas obrigações. A LEP (Lei de Execução Penal) é diariamente descumprida pelos que cuidam das unidades prisionais. As assistências nem por longe estão para serem cumpridas. Na realidade, infeliz é a pessoa que cai em uma prisão. A constatação é muito clara: nunca se prendeu tanto como hoje no Brasil. Há uma frase que mostra o nosso fracasso enquanto nação: O Brasil prende muito e prende em péssimas qualidades. Em nossa Paraíba são cinco mil vagas para oito mil pessoas detidas. O outro dado da realidade é que o Brasil está prendendo as pessoas pobres e negras. A prisão no Brasil é outra forma de escravidão. Os nossos jovens, pobres e negros estão entre as mais de 500 mil pessoas presas nos mais variados lugares do país.
O que está sendo feito? Sem pessimismos e otimismos, apenas os estados procuram manter a mesma realidade sem nenhuma ousadia para uma realidade que apenas se agrava. Falta a sensibilidade e a coragem. Um dia o nosso país será julgado pelas nações futuras como um país carrasco, desumano e incessível por manter tamanha aberração sem buscar meios para reverter o quadro de criminalidade vigente. Somos imbecis quando pensamos que a violência diminui com as prisões. Não precisa sem cientista social para perceber que o contrario acontece.

Oração, jejum e caridade.


Quaresma 2012:
No tempo da quaresma somos chamados a uma pratica diferente em relação a nós mesmos a Deus e ao próximo.  Em relação a cada pessoa, é através do jejum que vamos estabelecer as relações com tudo aquilo que está ao nosso redor: não só em relação à comida. O jejum significa uma experiência para que possamos testar a nossa liberdade. Só o ser humano tem esta capacidade de não se deixar escravizar.
Quando pelo jejum a pessoa se sente capaz de ter domínio sobre si mesma, começa outra etapa que é o nosso relacionamento com o próximo através da caridade. Se não sou egoísta diante daquilo que tenho, posso tranquilamente partilhar com o outro de forma justa e fraterna.
Esta temática da quaresma nos põe diante de uma triste realidade: a questão da desigualdade social. Somos todos filhos do mesmo Pai, e, portanto, com a mesma dignidade Deus nos criou porem, em nossas relações vivemos em realidades extremadas. Enquanto alguns poucos esbanjam e até morrem porque comem demais, a imensa maioria morre porque não come sequer o necessário. Vivemos, assim, o drama dos que enriquecem porque empobrecem os outros. Assim, a caridade não é dar esmola, mas devolver ao outro o que lhe pertence. Se algo nos sobra não é nosso, na verdade, temos direito àquilo que necessitamos para a nossa sobrevivência. Nesta logica prevalece o que a igreja já nos lembrou nos anos 70: temos pessoas cada vez mais ricas à custa de pobres cada vez mais pobres. Agora com uma grande diferença: os pobres estão sendo mortos, isto é, alguém se dá o direito eliminar seu próprio semelhante.
Por fim, mas não por ultimo, o tema do relacionamento com o Pai na oração. O tempo da quaresma é o tempo favorável da relação com Deus, àquele que nos amou por primeiro. A oração é o alimento que nos faz caminhar para chegar ao Pai. Assim, não se reza para Deus resolver os nossos problemas. Reza-se para adquirir as forças necessárias que nos impulsionam para chegarmos a Deus e à realização do seu reino.
O mais importante é que esta pratica aconteça da forma mais silenciosa possível para que a recompensa venha do próprio Pai que está no céu. Se a nossa finalidade imediata é que os outros nos vejam, já recebemos a recompensa de termos sido vistos e elogiados por alguém.
A quaresma está ligada às tradições do deserto: lugar de provações, mas também lugar escuta, de meditação e de encontro com Deus. Assim, não podemos perder as ocasiões que Deus nos oferece. Como a vida não nos pertence, mas a Deus que nos cria, devemos aproveitar o tempo da graça e da salvação. Manter uma vigilante relação consigo para que possamos fazer a vontade de Deus acima de tudo e não a nossa, redobrar os cuidados no atendimento ao outro que é imagem do criador e acima de todas as preocupação o amor a Deus, sem o quais não poderíamos sobreviver neste com tranquilidade e paz.
É verdade! Se conseguirmos nos apoiar neste tripé, certamente mudaremos os nossos velhos costumes que tanto nos atrapalham e nos impedem de progredirmos no conhecimento de Jesus e de sua palavra.

As cinzas.

Quaresma 2012-
Depois do carnaval, são inúmeras as pessoas que comparecem às igrejas para a imposição das cinzas. Entre elas estão aquelas que vão habitualmente para a missa dominical; outras raramente aparecem na igreja: cinzas, semana santa, natal, ano, procissão do padroeiro.
A cinza, ela por ela não serve para perdoar os pecados do carnaval, caso eles tenham acontecido.
Na bíblia, a cinza é sinal de conversão e arrependimento. O seu uso externo lembra uma decisão interior, um voltar-se a Deus de coração contrito. Ela representa a dor, o luto e a tristeza, que significam sinal de conversão.
Na quarta feira de cinzas, quando a cinza é imposta sobre a nossa cabeça, duas palavras podem ser ditas pelo ministra que impõe a cinza: “Convertei-vos e crede no evangelho”; “lembra-te que tu és pó e em pó te hás de tornar”.
A primeira palavra deve ser um programa de vida para cada pessoa cristã. Converter-se, isto é, mudar, refazer-se, transformar-se, etc. tudo isso deve ser a preocupação fundamental de cada pessoa. Afinal de contas somos uma obra eterna, porque aberta para Deus, mas inacabada, ou seja, em permanente transformação. Se nós não conseguimos nos superar, também não nos realizaremos como pessoa criada para Deus. A conversão é um convite frequente para sermos o que ainda não somos. Deus nos convida constantemente e espera com alegria a nossa volta. Enquanto não nos convertemos nos mantemos distantes do criador. A bíblia está cheia de convites de Deus e de exemplos de conversão e não conversão.
Na primeira palavra ainda encontramos um convite para que acreditemos no evangelho. Acreditar no evangelho é acreditar no próprio Jesus, e mais do que isso, é encontra-lo. O evangelho é a pessoa do próprio de Jesus que se apresenta, fala, realiza as ações e nos convida a irmos com Ele. Nenhuma outra palavra, dita por quem quer que seja é tão grandiosa e edificante para a Palavra de Deus comunicada em Jesus: Ele é o Verbo que se fez carne. Acreditar no evangelho é entregar a vida a Deus com total confiança para que Deus nos molde, com a nossa colaboração, como o oleiro transforma o barro em obras de arte.
A segunda palavra sobre o pó trata de uma realidade que de um lado assusta, mas do outro lado nos traz confiança. A nossa vida aqui é pó, isto é, nada tem durabilidade, inclusive o nosso corpo material que com o passar do tempo vai cada vez mais definhando até ao nosso momento final. Somos pó nos faz pensar que não somos mais que criaturas e que tudo se desgasta e se desfaz.
A caminhada quaresmal faz-nos lembrar de que o povo de Israel vivia em tendas, com total provisoriedade. Temos assim a herança de um que está em constante peregrinação, sempre a caminho.

Quaresma (2012

Depois do carnaval vamos iniciar o tempo da quaresma com a celebração das cinzas. O que chama a nossa atenção no tempo quaresmal?  Trata-se de um momento de 40 dias que nos faz pensar o tempo em que o Povo de Israel passou pelo deserto, saindo da escravidão do Egito para a terra prometida. Deus quis purificar o seu povo através de um longo caminho para que pudesse chegar a uma nova mentalidade.
Relembramos também o tempo refeito por Jesus durante 40 dias  no deserto depois de batizado por João no rio Jordão.
O povo que caminhou não conseguiu superar os obstáculos e vícios, isto é, não se libertou o tanto quanto Deus esperava. Jesus, ao contrario, que é o novo Adão, o novo povo e o novo Moises, conseguiu vencer todas as tentações e provações, saindo inteiramente vitorioso, para mostrar assim a toda humanidade que é possível seguir e vivenciar o caminho da fidelidade a Deus. O livro do Êxodo é exatamente o texto que descreve todo esse caminho do povo. Nele está manifesta a fidelidade de Deus para com o seu povo, apesar da infidelidade do povo para com o seu Deus.
Para os nossos dias, o tempo da quaresma deve ser vivenciado como um grande momento de avaliação da nossa vida. Como se sabe, até as casas de comercio fecham para um balanço. Isso ocorre muitas vezes em momentos específicos como final de ano, ou outros que se ache oportuno. Assim, o ser humano tem necessidade de rever seu caminho, para identificar falhas, corrigir defeitos e estabelecer metas.
Como vivemos em um grande barulho ao nosso redor e dentro de nós, o tempo quaresmal deve ser para um momento de olhar as ações em torno da exterioridade e da vida interior. É tempo de corrigir os acidentes de percurso e reorganizar o rumo a ser seguido. Cada pessoa, no seu ritmo e dentro de sua estrutura, verá como cumprir um programa que atenda a esta demanda. Quem não é capaz de parar, avaliar, reconhecer e tomar um novo caminho também não será capaz de crescer. Como o ser humano é algo em constante movimento, morre antes quem não trilha o seu caminho.
Estamos também habituados a pensar a quaresma como tempo de perdão. De fato, não se vive um momento novo, de pascoa e ressurreição, com uma divida da qual não se consegue se livrar. A exemplo de Deus que perdoa infinitamente ao seu povo, cada pessoa é chamada a trabalhar em sua vida o tema do perdão.
Anda intimamente ligo ao perdão o tema da reconciliação. Se de um lado o perdão parece uma atitude teórica, a reconciliação é a concretização de uma vida perdoada.
A reconciliação é também o caminho para uma vida fraterna e comunitária. Uma pessoa será sempre uma ameaça para a outra quando não existe uma vida reconciliada. Além do mais, também temos que nos reconciliar com a nossa vida pessoal e com a nossa historia. Ao longo da nossa vida cada pessoa vai realizando ações que não deveriam acontecer e que contrariam sua própria vontade e a vontade de Deus. Todas as pessoas, na realidade, passam pela experiência de fazerem ou dizerem o que não deveriam. Depois dos fatos, o que fazer? Temos que ter misericórdia não só com os outros, mas cada pessoa consigo mesma, para se reconciliar com a sua historia e com seus sofrimentos. Quem assim não proceder sofrerá infinitas vezes e até poderá sofrer para o resto da vida. Esta reconciliação não significa esquecer ou fazer de conta que nada de grave aconteceu. Significa restabelecer a paz com os outros, sempre que possível, consigo e assumir o compromisso de uma vida reconciliada.


12 de fevereiro de 2012

Segurança Publica.






É verdade que vivemos uma grande crise em nossas instituições. O problema é que muitas delas não se abrem para as mudanças de época que acontecem com muita rapidez. As instituições se arrastam e, por insegurança, procuram se manter com a doutrina hermética do passado. Além do mais, as instituições são feitas por pessoas  que lamentavelmente não são mais bem formadas dentro de valores humanos e cristãos (no sentido amplo da palavra). Por tudo isso, não se tem avançado, com nossas organizações sociais para um bom desenvolvimento em nossa sociedade.

Recentemente acompanhamos a caótica situação de Salvador, Bahia, com a greve da policia militar que se enquartelou fora do quartel. Quem está certo? O estado sempre culpa os que fazem greve. Uma instituição normalmente não faz greve sem necessidade. Se já não contamos com a devida atenção do estado em relação à segurança publica, imaginem com a polícia em greve. Vive-se um caos. Entre tantos deveres do estado, um deles, de fundamental importância é a segurança, que passa pelo correto desempenho do papel da policia.

Tenho escutado e até já fiz referencia a isso em outras oportunidades que para se ter um serviço de melhor qualidade da nossa instituição policial, não é suficiente apenas ter uma viatura que passa pela rua sem ter contato algum com a população. Quando se trabalhou a tese de uma policia comunitária em João Pessoa, com a colaboração da Universidade, que não se levou mais em conta a experiência, se tinha presente exatamente a proximidade e a convivência de policiais com a comunidade para impedir e inibir as práticas criminosas naquela comunidade.

Parece muito evidente que esse caminho precisa ser trilhado para que se possa desenvolver uma segurança publica cidadã. A população espera que por esse caminho se possa implantar uma face nova na ação policial. Só pela presença mais efetiva é que se pode fazer uma segurança preventiva e não apenas combativa e ostensiva.

O estado brasileiro, como instituição a serviço da proteção da vida de todos não poderá jamais se descuidar das três atividades mais urgentes e necessárias que são a saúde, a educação e a segurança. Para isso, a ação primeira a que o estado deve se dedicar com exclusividade é na formação de seus agentes. Eles precisam dos cuidados para que tendo uma vida digna possam bem servir à população. São eles que fazem as vezes do estado em suas repartições. A saúde depende não só do remédio e dos espaços, mas de um atendimento humanizador. O mesmo se diga sobre a educação e a segurança.

A sociedade está cansada de ser mal atendida na saúde, na educação e na segurança. Temos pessoa má formada ou se formada, amarga, errada no lugar errado. Com isso, não cresce a nossa sociedade e o atendimento é de péssima qualidade.

Quem disse que as ações policiais nas áreas marginalizadas servem para uma politica de segurança publica? Normalmente são ações tempestuosas, causam terror, pessoas não culpadas são presas para averiguações, a imprensa dá ampla cobertura e, fica a imagem de que temos uma segurança eficiente. Enquanto isso, o estado trata com indiferença os seus agentes, não lhes concede o salario justo e digno, por isso os mesmos agentes precisam assumir outros trabalhos fora do plantão e nada de novo e significativo acontece para os profissionais da segurança e para a sociedade que paga os seus impostos, elege seus representantes na esperança de serem atendidos por eles e quase nada chega a se concretizar.

O que se espera na ação policial: que ela nunca seja arbitrária; que não invada as residências pobres pela madrugada. Isso, infelizmente acontece em nosso estado, como pratica de alguns policiais.

4 de janeiro de 2012

Construir a Paz pela Justiça

“O ano termina e começa outra vez”. Estamos nos primeiros dias do ano que se inicia e o chamamos de ano novo.
O primeiro de janeiro é cheio de simbolismo para nós cristãos. É celebrado como o dia Mundial da Paz. Este dia foi criado pelo O papa Paulo VI em 1968. A partir de então, todos os anos o papa envia ao mundo uma mensagem que é lembrada em todas as igrejas. Foram onze mensagens de Paulo VI vinte e sete de Joao Paulo II e sete de Bento XVI.

Neste ano o papa dedicou aos jovens a sua mensagem com o tema “educar os jovens para a justiça e para a paz”. Exatamente porque não se separam paz e justiça, assim também como justiça e amor devem obrigatoriamente estar juntos.

O que encontramos em dicionários?

Paz . [Do lat. pace.] S. f. 1. Ausência de lutas, violências ou perturbações sociais; tranquilidade pública; concórdia, harmonia: O respeito às leis assegura a paz de uma comunidade. 2. Ausência de conflitos entre pessoas; bom entendimento; entendimento, harmonia: Vive em paz com os vizinhos e colegas. 3. Ausência de conflitos íntimos; tranquilidade de alma; sossego: Goza de paz absoluta. 4. Situação de um país que não está em guerra com outro: Grandes são os benefícios das épocas de paz. Por estas definições se percebe um desejo superficial que não corresponde ao sentido profundo da expressão utilizada pela bíblia.

Portanto, a paz não pode ser um simples desejo, como também não é um estar bem consigo; também não é aquela paz de cemitério. Quase sempre quando se pensa e se reza pela paz se pensa no próprio bem estar e na segurança pessoal (a própria família).

Em todo o antigo Testamento, na historia do povo de Deus, a paz é a realização completa do ser humano, pois para isso ele foi criado.

A palavra Shalom, tao utilizada muitas vezes sem a real compreensão, como diz Eva Michel, trata-se de algo que “engloba todos os âmbitos da vida, neste sentido ela tende a ser universal.”  E ainda, “ Shalom aplica-se a todas as relações de uma pessoa: a sua relação consigo própria, com a sua família, com a sociedade mais ampla de que faz parte, com a natureza, com Deus.” Assim pudemos perceber as dimensoes que a paz pode nos trazer como um forte apelo para a nossa vida.

Quando acontece uma ocupaçao policial em algum local considerado violento, tudo fica mais destruido do que estava, mas se escuta dizer que houve um trabalho de pacificação. Será podemos assim considerá-lo pelas definiçoes de paz?

Onde não existe a alimentação, a saude, a educação, o lazer, a liberdade, a justiça, jamais pode haver paz. A paz será sempre um fruto da justiça. A justiça trará as melhores condiçoes de vida para todos.

Será que podemos falar em paz de Deus e paz do mundo? Os dualismos muito nos atrapalham. Se o mundo é de Deus, a paz do mundo é a paz que Deus deseja e quer para toda humanidade. Sem esquecer que a paz de Deus é aquela que devemos construir nas nossas relações. Parece ser clara a mensagem de Jesus. Bem aventuradas nao sao as pessoas que vivem em paz, mas aquelas de promovem, isto é, que fazem com que a paz aconteça. Assim, mesmo que ela exista, deve ao mesmo tempo se tornar um vir a ser. Quando Jesus diz que não veio trazer a paz, mas a espada, o que isso significa? Nao se trata da espada da violencia, mas precisamente de uma luta pela construção de um mundo melhor para todos para que assim exista a paz.

30 de dezembro de 2011

O nosso Natal com Jesus

O natal é o maior acontecimento que a humanidade já pode presenciar em toda sua historia, (juntamente com a ressurreição), exatamente porque se trata da presença de Deus da forma mais surpreendente possível. A palavra que estava com Deus na criação, agora passa a ser presença entre nós. O verbo se fez carne.

Desde os tempos mais antigos da revelação de Deus, a humanidade aguardava um salvador, jamais da maneira como ele apareceu. Ninguém se dispôs a acolhê-lo, por isso, o seu nascimento aconteceu em uma cocheira, na total escuridão da noite. Ele assim chegou de mansinho sem que percebessem a sua presença. Alguém poderia nascer mais pobre do que ele? Ele vai dizer depois que os animais possuem as tocas, mas não tinha onde reclinar a cabeça. Não tinha onde nascer e não teve onde morrer: passou entre a cocheira e a cruz.

O natal tem uma finalidade muito especifica. Jesus que falara desde os povos antigos de muitos modos, nos falou recentemente como diz o apostolo Paulo, através de seu filho. O natal é o grande momento através do qual Deus vai se revelando para toda humanidade. Ele ao longo dos evangelhos vai tornando conhecida a realidade de Deus para nós.

Ao nascer Jesus, a salvação de Deus se torna visível. A humanidade se for capaz de aderir à sua pessoa e ao seu ensinamento poderá ser salva. Nunca a salvação se tornou tão visível e tão próxima. A salvação compreendida em duas direções ou forças que devem ir uma ao encontro da outra. Deus se aproxima de toda humanidade para que a humanidade também se decida e vá ao seu encontro.

No natal Deus se confraterniza conosco para que também nós nos confraternizemos com Ele através do encontro que devemos realizar com todos dos quais devemos nos aproximar. Assim, celebrar o Natal é superar as distancias e barreiras, assumindo a mesma atitude de Deus ao se aproximar de cada um e cada uma de nós.

O nascimento de Jesus tem dimensão universal. Ninguém pode e nem consegue detê-lo. É como se Deus derramasse para a terra inteira uma chuva imensa de bênçãos.

Não podemos nos esquecer, no entanto, que Deus tem as imensas características de mãe que jamais se afasta do filho ou filha mais fragilizado (a). Assim Deus tem uma grande afeição pelos pobres. Desde o Antigo Testamento, Deus manifesta o cuidado e zelo pelo órfão, pela viúva e pela pessoa estrangeira. Assim, o mesmo se vislumbra no Natal de Jesus.

Como as portas foram fechadas para Ele, Deus manda o anjo dar a noticia aos pobres e discriminados pastores que passavam a noite no campo acompanhando a pastagem do rebanho. A alegria foi imensa quando os mesmos puderam verificar, in loco, aquilo que o anjo lhes anunciara.  Ficaram maravilhados quando encontraram a criança com José e sua mãe.

Para muitas pessoas o Natal já passou. Na verdade ele continua até nove de janeiro em nossa liturgia e deverá ser eterno em nosso coração e em nossas atitudes. Devemos renascer a cada momento de nossas vidas para o serviço de Deus no serviço do todo e qualquer ser humano.

Natal é poder se aproximar, conhecer, amar, seguir e servir a Jesus, assumindo as suas atitudes no hoje de nossas vidas.


26 de dezembro de 2011

Jesus e as Crianças



Em tempos de Natal é bom pensarmos em nossas crianças e adolescentes. Como estão?  Como são acolhidas, educadas e valorizadas? Lamentavelmente a realidade de crianças e adolescentes é degradante. A nossa sociedade tem uma dívida grande com essa categoria.
 Alguns desafios são evidentes: A prostituição infantil é sem controle, o trabalho escravo ainda persiste, o analfabetismo, crianças na rua e da rua, o uso e o trafico de drogas utilizando crianças e adolescentes, entre outros.
Independente da complexidade que envolve a realidade de nossos adolescentes, não se pode esquecer a mentalidade exterminadora que existe em setores e segmentos da sociedade contra os adolescentes que não pediram para nascer nem pediram para serem marginalizados.
Outra grave realidade que não aparece tanto é a violência domestica. Não aparece por não ser denunciada. Ainda persiste de forma ampla a ideia de educar através da violência, por isso, muitas crianças são maltratadas e tratadas de forma violenta.
A situação é tão grave que agora está votada a lei contra a palmada como condição para evitar a fúria dos adultos contra os frascos e pequenos. A questão é que quando se bate na hora da raiva, se bate muito por causa do desequilíbrio emocional.
Bater para educar é o que existe de mais arcaico e agora criminoso. Quando se bate, a única coisa que se ensina é a bater.
Neste tempo de Natal, todos estão encantados com os presépios com o menino Jesus. É bom perceber como ele se colocou diante das crianças.
 Certa vez, os discípulos de Jesus queriam afastá-las Dele, como também nós adultos fazemos hoje. A resposta do mestre é clara: “Deixem que venham a mim porque delas é o Reino dos céus”. Ter o coração e a atitude das crianças é condição sine qua non para ser fiel seguidor de Jesus. O mestre, na realidade, tinha a consciência da importância dos pequeninos.
O papa Joao Paulo II dizia de forma muito inspiradora que o Futuro da humanidade passa pela família. Nossa sociedade e, em particular as nossas famílias precisam ter essa perspectiva. Não basta a critica ao tipo de sociedade que hoje temos sem a consciência e a responsabilidade que todos nós somos coparticipantes da sociedade. Se ela está em estado desgastado e desagradável é também por nossa culpa.
As crianças e adolescentes são hoje o que aprenderam de nós ou o que deixamos de ensinar pelo nosso exemplo de vida.
Reclamamos da violência e temos medo dela, mas não podemos nos esquecer de que se não somos sempre pessoas violentas, temos muitas atitudes violentas e agimos de forma violenta para com o nosso próximo.
Uma sociedade diferente para as nossas crianças e adolescentes vai depender da formação das mesmas, que por sua vez dependerão de nós, formadores de opinião.
Atirar pedras e fazer julgamentos não é difícil, pelo contrario, é o que fazemos sem dificuldade alguma.
Compreender a situação, na perspectiva de ajudar e corrigir não tem sido fácil nem se tem encontrado pessoas sensíveis e voluntarias para colaborar.
É bom pensar que não se celebra o verdadeiro Natal desprezando, julgando e condenando os outros.

O nosso Natal com Jesus

O nosso Natal com Jesus


O natal é o maior acontecimento que a humanidade já pode presenciar em toda sua historia, (juntamente com a ressurreição), exatamente porque se trata da presença de Deus da forma mais surpreendente possível. A palavra que estava com Deus na criação, agora passa a ser presença entre nós. O verbo se fez carne.
Desde os tempos mais antigos da revelação de Deus, a humanidade aguardava um salvador, jamais da maneira como ele apareceu. Ninguém se dispôs a acolhê-lo, por isso, o seu nascimento aconteceu em uma cocheira, na total escuridão da noite. Ele assim chegou de mansinho sem que percebessem a sua presença. Alguém poderia nascer mais pobre do que ele? Ele vai dizer depois que os animais possuem as tocas, mas não tinha onde reclinar a cabeça. Não tinha onde nascer e não teve onde morrer: passou entre a cocheira e a cruz.
O natal tem uma finalidade muito especifica. Jesus que falara desde os povos antigos de muitos modos, nos falou recentemente como diz o apostolo Paulo, através de seu filho. O natal é o grande momento através do qual Deus vai se revelando para toda humanidade. Ele ao longo dos evangelhos vai tornando conhecida a realidade de Deus para nós.
Ao nascer Jesus, a salvação de Deus se torna visível. A humanidade se for capaz de aderir à sua pessoa e ao seu ensinamento poderá ser salva. Nunca a salvação se tornou tão visível e tão próxima. A salvação compreendida em duas direções ou forças que devem ir uma ao encontro da outra. Deus se aproxima de toda humanidade para que a humanidade também se decida e vá ao seu encontro.
No natal Deus se confraterniza conosco para que também nós nos confraternizemos com Ele através do encontro que devemos realizar com todos dos quais devemos nos aproximar. Assim, celebrar o Natal é superar as distancias e barreiras, assumindo a mesma atitude de Deus ao se aproximar de cada um e cada uma de nós.
O nascimento de Jesus tem dimensão universal. Ninguém pode e nem consegue detê-lo. É como se Deus derramasse para a terra inteira uma chuva imensa de bênçãos.
Não podemos nos esquecer, no entanto, que Deus tem as imensas características de mãe que jamais se afasta do filho ou filha mais fragilizado (a). Assim Deus tem uma grande afeição pelos pobres. Desde o Antigo Testamento, Deus manifesta o cuidado e zelo pelo órfão, pela viúva e pela pessoa estrangeira. Assim, o mesmo se vislumbra no Natal de Jesus.
Como as portas foram fechadas para Ele, Deus manda o anjo dar a noticia aos pobres e discriminados pastores que passavam a noite no campo acompanhando a pastagem do rebanho. A alegria foi imensa quando os mesmos puderam verificar, in loco, aquilo que o anjo lhes anunciara.  Ficaram maravilhados quando encontraram a criança com José e sua mãe.
Para muitas pessoas o Natal já passou. Na verdade ele continua até nove de janeiro em nossa liturgia e deverá ser eterno em nosso coração e em nossas atitudes. Devemos renascer a cada momento de nossas vidas para o serviço de Deus no serviço do todo e qualquer ser humano.
Natal é poder se aproximar, conhecer, amar, seguir e servir a Jesus, assumindo as suas atitudes no hoje de nossas vidas.

4 de dezembro de 2011

Estamos no término do ano. O tempo deve ser oportunidade para a nossa reflexão sobre a vida e sobre os outros. Deus quis se confraternizar conosco, tornando-se um de nós para que irmanados possamos permanecer unidos a Ele.
No  Brasil e no mundo são milhares de pessoas sobre as quis poderemos pensar. Elas que precisam da nossa oração, do nosso apoio e da nossa possível solidariedade. Entre tanta gente necessitada, podemos pensar em quem passa fome, em que está doente e quem se encontra nas prisões.
No mundo inteiro encontram-se pessoas reclusas, culpadas ou não, submetidas a uma vida para a qual não foram criadas. Até hoje a humanidade não foi criativa pra encontrar caminhos para que a prática do crime fosse combatida de forma diferente.
A prisão que tem uma finalidade suscita resultados completamente opostos aos seus princípios.
No Brasil estamos com meio milhão de pessoas recolhidas em prisões. Elas podem ser diferentes umas das outras, mas a realidade é sempre a mesma. A pessoa reclusa, sem nenhuma ocupação, esperando um dia ser condenada ou absolvida, quando se refere a prisões provisórias. São as prisões provisórias que superlotam o sistema carcerário. No caso de prisões de pessoas sentenciadas, estão aguardando o cumprimento da pena. A justiça as condena e o estado as recolhe para uma vida que causa tédio a qualquer criatura: o ócio.
A sociedade reclama dos gastos com o sistema, mas não é capaz de cobrar a quem de direito. Se eu estou na rua, tenho obrigação de me manter. Deve lutar para a minha sobrevivência. Se me recolhem a uma prisão e não me deixam trabalhar, são obrigados a cuidarem da minha manutenção. Afinal de contas na prisão o que se perde é a liberdade e nunca o direito de ser tratado como gente e ser atendido em suas necessidades fundamentais.
Quem reclama das regalias no sistema penal e o classifica como um hotel Cinco Estrelas, pode fazer um estagio por lá. Diante de um flagrante delito, sem pagar aos advogados, você poderá fazer um estagio e ser tratado como preso. Assim conhecerá a rede hoteleira da prisão.
Nas nossas prisões estão os nossos jovens pobres, desempregados, dependentes das drogas e, por isso, também alguns dentre eles envolvidos com o trafico. Muitos são presos apenas como suspeitos e ficam esquecidos nas prisões aguardando por mais de ano uma sentença ou absolvição. As medidas cautelares estão distantes deles. Por isso o caos, que não pode ser atribuído somente a pessoas presas, mas a toda estrutura da qual depende a vida prisional.
Prisão não é lugar para reflexão e retomada da vida, mas lugar de sofrimento e de morte: morte física e morte interior. É lá que as pessoas perdem de vez o ânimo para continuar a sua sobrevivência.
Natal é tempo de nos lembrarmos dos outros, no mundo que sofre; é tempo de pensar em Jesus que continua nascendo e esquecido totalmente. Ele tem sido lembrado nas compras realizadas no comercio, desprezado como sempre em cada pessoa que sofre das mais variadas formas. “Onde está o teu irmão eu estou presente nele”.

27 de novembro de 2011

Falando de Segurança Pública.

Escutamos muitos comentários recentes sobre o nosso estado: O Ministério da Justiça, em seu banco de dados, apresenta a Paraíba como um dos estados mais violentos do país.  Quando se falava em violência, os olhares se voltavam para Rio, São Paulo, Recife, etc. hoje dois estados do Nordeste se destacam: Alagoas e Paraíba. Nunca se matou tanto como recentemente.
O que aconteceu com nosso estado? Será que nos faltam experiências exitosas?
Ou elas existem e não estão sendo tornadas publicas?
Já vivemos em tempos bem melhores em relação a este índice altíssimo de violência.
Pessoas de outras grandes cidades, após realizarem visitas por aqui fizeram a opção de ficarem por causa da tranquilidade que identificaram nas terras paraibanas.
Hoje a intranquilidade tornou-se patente. Neste ano de 2011, se os números permanecem os mesmos, se chegará em torno de 1600 pessoas matadas de forma violenta. Trata-se de um elevadíssimo numero e revela que a situação é gravíssima. O atual secretário, Claudio Lima diz que os números podem ser maiores, considerando a falta de estatística, o que é uma verdade. A única fonte é a do GEMOL (antigo IML). Vale salientar que todos os corpos não passam por lá. Esta observação torna mais grave ainda a situação.
Grave também é a leitura que se tem feito diante dos homicios. Sem nenhuma investigação já se diz que se trata de acerto de contas, dando a impressão de algo comum, como se o certo de contas justificasse o crime.
Dos inúmeros crimes a policia não consegue chegar aos culpados e condená-los na justiça. Reina um clima de muita impunidade. A força nacional está em nosso estado por que havia centenas de processos ocupando espaço nas delegacias sem que nada acontecesse. Trata-se de um trabalho fora de tempo que já não mais encontra pessoas e provas para fazer valer a justiça.
Não só na Paraíba, mas em quase todos os estados, falta um plano politico sobre segurança pública. Ouvi de um policial uma leitura interessante: quando uma viatura está circulando na rua, a população tem uma ideia de que aquela rua está bem servida. A população se engana e a policia na viatura, talvez sem a intenção, está enganando também. A segurança acontece quando uma policia cidadã se faz presente e começa a conviver com as pessoas da comunidade para conhecer a realidade e com a participação da comunidade fazer os primeiros passos de uma segurança verdadeira onde todas as pessoas passam a colaborar.
Nosso estado, em relação a outros estados, tem prendido muito. Temos um número grande de pessoas detidas. Esta é também uma falsa segurança que temos. Já ouvi também de especialistas em segurança uma leitura interessante: quando se prende pessoas além do normal é um sinal de que o estado não está fazendo a segurança publica que deveria. As prisões refletem o nível de insegurança e de ineficiência do estado em relação ao mundo do crime.
O que fazer? Cada pessoa tem a sua parcela de culpa e cada pessoa deve ser coparticipante em uma politica de segurança publica para a promoção do bem da coletividade. Não é suficiente buscar soluções individuais. Quanto mais a pessoa se esconde sozinha mais insegura e frágil ela se encontra.

23 de novembro de 2011

A Fé e a Caridade



Estamos na ultima semana do ano litúrgico para a Igreja Católica. Vamos iniciar um novo ciclo para preparar o Natal. O ano litúrgico termina com a Solenidade de Cristo Rei, para lembrar que tudo converge para a sua  pessoa, desde o seu nascimento, sua vida, sua missão, morte e ressurreição.
No reinicio do ano litúrgico, próximo do término do ano, alguns reflexões devem ser feitas por nós.
Vivemos na realidade do provisório. Por mais que nos imaginemos estáveis, somos um povo peregrino. Aceitando ou não, estamos a caminho. Vamos rumo a Deus ou não, dependendo de nossas escolhas conscientes. O ano que vai caminhando para o seu término significa também a passagem de toda humanidade.
No ato litúrgico da festa de Cristo Rei fica clara qual é a realidade essencial para toda humanidade. Enquanto vivemos em uma cultura religiosa e egocentrista, a liturgia nos apresenta a relação com as outras pessoas como critério de salvação ou condenação.
No nosso dia a dia, imaginamos uma religião ligada com Deus mas desligada da vida. O outro não é objeto de nossa preocupação quando se trata de uma experiência religiosa.
Em Jesus, a quem nós dizemos seguir e proclamamos como o Senhor, pelo contrario, o ser humano em suas maiores carências, é o lugar do encontro do ser humano com Ele.
“Venham benditos de meu Pai; afastem-se de mim malditos”. Na fome, da doença, na prisão, na nudez, poderemos servir a Jesus ou relegá-lo ao sofrimento. A reação dos que forem colocados à direita e à esquerda de Jesus ficarão surpresos com a posição dele. Trata-se de uma comunidade totalmente desinformada. Todos admirados ficarão se perguntando quando foi que Jesus apareceu tão necessitado e não foi socorrido.
A resposta de Jesus é para todos nós ou ao menos deveria ser momento para uma grande reflexão: tudo o que vocês fizeram aos outros foi a mim que vocês deixaram de fazer.
Depois de mais de dois mil anos de vida cristã, com inúmeras expressões de igrejas e grupos religiosos, já passou do momento em que se deve perceber que só a religião, sem a prática de Jesus não salva em nenhuma das igrejas.
Na cena em questão, em Mateus capitulo 25, Jesus não reúne as pessoas por igreja ou por entidades religiosas. O questionamento não leva em conta a pratica do culto, a missa de cura, quantos demônios foram expulsos, quantas pessoas foram convertidas para a igreja, etc.
No centro do julgamento da humanidade está a vivencia da caridade compreendida como partilha dos bens. Nesta lógica, os sem religião oficial, mas solidários e fraternos, receberão o convite para participarem do reino.
Jesus, em sua missão foi sempre preocupado com a vida, pois foi enviado pelo Pai para trazer vida para todos. Assim a vida cristã deve ter as mesmas preocupações e atitudes. Ninguém tem autoridade para dizer que não é missão da igreja cuidar das coisas do mundo, pois delas Jesus se preocupou cuidou. A sua religião é a de Jesus se você tiver as mesmas preocupações e os mesmos sentimentos Dele.